23 de novembro de 2020 Autor : Pedro Lourenço A capsulite adesiva é uma das causas mais comuns de dor no ombro e a sua origem é desconhecida. Atinge 3% da população, sobretudo o sexo feminino, entre os 40 e os 60 anos de idade. Mais frequentemente é envolvido o ombro do lado não dominante, mas também pode afetar os dois ombros (14% dos casos). Estima-se que atinja 10%-35% dos diabéticos. Caracteriza-se por uma dor progressiva na articulação do ombro, associada a limitação cada vez mais grave da sua mobilidade passiva e ativa , avaliada pelo médico e pelo próprio, respetivamente. Noutras circunstâncias também pode ocorrer rigidez do ombro , secundária a outra patologia: Da mesma região anatómica, por exemplo uma tendinite ou uma artrose; Relacionada com doença cardíaca, pulmonar ou cervical; Associada a doenças sistémicas, por exemplo diabetes mellitus, hipotiroidismo, hipertiroidismo, doença de Parkinson, entre outras. Sintomas e diagnóstico da capsulite adesiva Estão descritas três fases na evolução da capsulite adesiva : 1ª – Fase dolorosa, em que há dor grave ou generalizada do ombro e rigidez progressiva. Pode durar até 9 meses; 2ª – Fase de rigidez ou gelo, em que a dor resolve, mas permanece a rigidez. Dura 4 a 12 meses; 3ª – Fase de degelo, em que o ombro vai ficando menos rígido, dura 1 a 3 anos. A causa da capsulite adesiva permanece desconhecida, os achados histológicos revelam inflamação da cápsula sinovial (membrana que reveste as articulações), o seu espessamento fibroso e uma progressiva impotência funcional da articulação. O diagnóstico de ombro congelado é clínico, com base na história dos sintomas e sinais apresentados. Alguns exames de diagnóstico, como a ressonância magnética, podem revelar achados típicos, como a articulação “apertada” e também ajudam a excluir outras lesões que possam ser causa de dor. Tratamento A capsulite adesiva tem uma evolução habitualmente benigna e autolimitada, isto é, muitas vezes resolve-se espontaneamente. No entanto, esta resolução espontânea pode demorar 18 meses a 3 anos e nem todos os casos têm este desfecho. Nos casos em que são procurados os cuidados de um médico ortopedista e é proposto tratamento, o objetivo primordial é controlar a dor, usando para isso medicação oral, intramuscular ou intra-articular (infiltração). A corticoterapia oral parece proporcionar uma melhoria clínica, mas apenas a curto prazo, pelo que o seu uso deve ser judicioso; A infiltração com corticoides contribuiu para uma melhoria da dor e da mobilidade mais sustentada no tempo, pelo que poderá ser uma proposta a considerar. A mobilização da articulação tem um papel fundamental na recuperação. Os movimentos devem ser suaves, ou seja, a dor que induzem tem de ser suportável. Têm resultados benéficos os esquemas de mobilização que sejam simples, repetidos várias vezes por dia, realizados em casa sob orientação médica. A associação com sessões de fisioterapia com mobilização, termoterapia, eletroterapia e ultrassons tem também bons resultados. Quando não há melhoria da dor e da rigidez com a medicação e/ou fisioterapia num prazo de 3 a 6 meses, poderá ser proposta cirurgia para libertar os tecidos que impedem (aprisionam) a articulação e impedem os seus movimentos normais. Para otimizar os resultados, a cirurgia combina: Manipulação sob anestesia , em que o médico força o movimento do ombro, provocando a rotura e libertação da cápsula e tecido cicatricial, aumentando a amplitude do movimento. Artroscopia , uma técnica minimamente invasiva que usa pequenos instrumentos e incisões, em que o médico ortopedista, sob visualização direta e recorrendo a lentes e câmaras, secciona porções apertadas da cápsula articular e introduz soro sob pressão para distender a cápsula articular. A maioria dos doentes (cerca de 87%) refere resultados bons a excelentes com estes procedimentos, tecnicamente complexos, e que requerem reabilitação pós-operatória precoce para prevenir a rigidez recorrente. Em média, a recuperação fica completa no prazo 6 semanas a 3 meses, mas pode ser mais prolongada. Em alguns casos, mesmo passados vários anos, a amplitude dos movimentos não é completamente recuperada e pode permanecer alguma rigidez. Prevenção de recorrência de rigidez do ombro Independentemente da sua causa, a imobilização prolongada deve ser reduzida ao mínimo pois contribui para a rigidez. Conheça a equipa de ortopedia da rede Hospital da Luz e faça a sua marcação . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.