Autora : Vânia Ribeiro O que são cardiopatias congénitas? As cardiopatias congénitas são malformações cardíacas que ocorrem durante o desenvolvimento do coração do feto no útero materno . Estão presentes ao nascimento, embora, em alguns casos, só sejam diagnosticadas mais tarde, durante a infância ou mesmo na idade adulta. Podem manifestar-se por cianose (pele azulada), insuficiência cardíaca, sopro cardíaco ou arritmias. Existem diversas cardiopatias congénitas, algumas complexas, outras mais simples. Globalmente, dividem-se em dois grupos principais: Cardiopatias cianóticas , quando há tendência para a pele ter uma tonalidade azulada; Cardiopatias acianóticas , quando essa tendência não está presente. Cardiopatias congénitas cianóticas mais frequentes Tetralogia de Fallot ; Transposição dos grandes vasos; Atrésia tricúspide; Anomalia de Ebstein; Defeito do septo auriculoventricular completo; Drenagem venosa pulmonar anómala total. Cardiopatias congénitas acianóticas mais frequentes Comunicação interventricular; Comunicação interauricular ; Persistência do canal arterial ; Coartação da aorta ; Estenose aórtica Causas Em muitos casos, a causa exata de uma cardiopatia congénita é desconhecida . Sabe-se, no entanto, que o uso de alguns medicamentos, a exposição a radiação, doenças como a rubéola durante a gestação e, também, doenças crónicas como a diabetes podem estar associadas ao desenvolvimento de cardiopatias congénitas no feto. Algumas síndromes genéticas estão também associadas a cardiopatias congénitas, por exemplo as síndromes de Down (trissomia 21), Turner, Williams ou Noonan. Há ainda alguma relação hereditária nestas doenças, com recorrência na descendência, especialmente quando é a mãe a portadora da doença. De uma forma geral, o risco é cerca de 2%-4%, embora possa ser mais elevado em determinadas cardiopatias congénitas ou nas síndromes genéticas. Esperança de vida dos doentes com cardiopatias congénitas Atualmente, cerca de 85% das crianças que nascem com cardiopatia congénita atingem a idade adulta . Os avanços técnicos e cuidados médico-cirúrgicos de excelência prestados desde o período neonatal pela pediatria, cardiologia pediátrica e cirurgia cardiotorácica permitiram que cada vez mais doentes com cardiopatias congénitas atingissem a idade adulta. A população com cardiopatia congénita cresce cerca de 5% por ano e os adultos com doenças cardíacas congénitas já são mais numerosos do que a população pediátrica afetada. Seguimento das cardiopatias congénitas no adulto O seguimento médico dos doentes com cardiopatias congénitas ao longo da vida é muito importante. Até aos 18 anos este seguimento está a cargo da cardiologia pediátrica; A partir dos 18 anos, estes doentes devem ser seguidos pela cardiologia de adultos e por profissionais com diferenciação e experiência em cardiopatias congénitas. Mesmo quando doentes adultos com cardiopatias congénitas foram submetidos, quando crianças, a cirurgias ou a intervenções percutâneas (via cateterismo cardíaco) para resolução da sua doença, não podem, na maioria dos casos, ser considerados completamente curados. Frequentemente têm lesões residuais, sequelas ou outras complicações decorrentes dos procedimentos e que obrigam ao seu seguimento. Por outro lado, podem ser necessárias reintervenções na idade adulta, de modo a evitar situações de insuficiência cardíaca terminal, com redução drástica da qualidade de vida e da longevidade. Para uma identificação correta e atempada desta necessidade, o seguimento médico regular é fundamental . Assim, os doentes adultos com cardiopatia congénita devem ser seguidos em consulta especializada na área, realizada por cardiologistas com experiência na vigilância clínica, analítica e imagiológica desta população. Este seguimento deve ser regular e cuidadoso , uma vez que muitos destes doentes apenas apresentam sintomas em fases tardias e muitas vezes irreversíveis da sua doença. Além da vigilância da sua doença, os doentes com cardiopatias congénitas têm particularidades que obrigam a aconselhamento médico relativamente a: Atividade física e desportiva; Atividade profissional; Planeamento familiar; Acompanhamento da gravidez; Profilaxia da endocardite bacteriana. Tal como a população geral, os doentes com cardiopatia congénita têm risco de desenvolver outras doenças cardíacas adquiridas, como por exemplo doença coronária (angina de peito e enfarte do miocárdio). Os fatores de risco cardiovascular , como o tabagismo, pressão arterial elevada, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo, excesso de peso devem ser prontamente corrigidos. É muito importante que: Todas as pessoas que têm uma cardiopatia congénita conheçam bem a sua doença e as implicações que esta pode ter; Cumpram o seguimento médico preconizado para o seu caso; Mantenham uma relação médico-doente próxima que lhe permita ter a segurança, compreensão e aconselhamento necessários para uma boa qualidade de vida. Conheça a equipa de cardiologia da rede Hospital da Luz e faça a marcação da sua consulta ou exame Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.