10 de maio de 2019 Autora : Raquel Gil-Gouveia As crianças que sofrem de dores de cabeça não devem: Ter uma vida com restrições; Limitar-se por medo de ter uma crise. Podemos ajudá-las a saber controlar a doença e não devemos deixar que a enxaqueca controle as suas vidas. As crianças também têm dores de cabeça e, tal como nos adultos, a grande maioria não é consequência de outras doenças, como a rinite, sinusite, falta de visão ou outras. Mas há que suspeitar de outra doença se as dores de cabeça estão sempre a piorar ou se associam a: Convulsões; Sonolência e febre; Falta de força de um lado do corpo; Visão dupla; Desequilíbrio; Vómitos matinais; Outros sintomas preocupantes. Sintomas de cefaleias nas crianças As doenças mais frequentes que causam dores de cabeça nas crianças são: A cefaleia de tensão : afeta 4% a 10% das crianças; A enxaqueca : afeta 3% a 7% das crianças. A enxaqueca caracteriza-se por crises recorrentes de dores de cabeça , acompanhadas por: Mal-estar; Olheiras e palidez; Falta de apetite; Enjoos ou mesmo vómitos; Dificuldade em tolerar a luz e o ruído; Dificuldade de concentração; Vontade de se deitar e ficar quieto ou mesmo dormir. As dores podem ser fortes e geralmente ocorrem na testa ou em toda a cabeça. São de curta duração (horas) e passam com o sono ou um analgésico. O diagnóstico é clínico , o que significa que um médico treinado consegue identificar de que tipo de dor de cabeça se trata. Três em cada 4 crianças com enxaqueca têm um caso idêntico na família, seja nos pais, irmãos ou familiares mais afastados. Doença crónica, mas tratável A enxaqueca é uma doença crónica e incurável . Ou seja, estas crianças vão, provavelmente, ter sintomas toda a vida. No entanto, o facto de algumas crianças começarem muito novas não implica, necessariamente, que a doença seja mais grave do que se apenas surgisse na vida adulta. A gravidade da enxaqueca é, sobretudo, medida pelo sofrimento e incapacidade que causam as crises. Um dia com enxaqueca grave é equivalente a um dia perdido, que se repete ciclicamente a uma dada frequência. O tratamento deve ser ajustado conforme a incapacidade e sofrimento . Em 85% dos casos nas crianças, são o suficiente para controlar a doença: Medidas simples de estilo de vida; Um analgésico, em caso de crise. Trata-se de uma doença com bom prognóstico pois: Tem tendência para melhorar após a meia-idade; Raramente tem outras consequências para além das crises. No entanto, há muitos fatores que influenciam a sua gravidade: Alguns determinados pela agressividade da própria doença; Outros relacionados com o organismo (por exemplo., fatores hormonais); Outros relacionados com o estilo de vida e fatores de suscetibilidade individuais — os chamados fatores desencadeantes. Nos casos mais complexos pode ser necessário tomar medicação específica em períodos ou tratamentos, para diminuir a frequência das crises. Esta medicação, denominada preventiva, é útil para aliviar o sofrimento mas essencial para prevenir uma possível complicação que ocorre com mais facilidade em indivíduos com crises muito frequentes: o abuso de analgésicos. Saiba que: A enxaqueca é uma doença crónica, mas que pode ser tratada; O tratamento é ajustado às necessidades de cada criança; Tem tendência a melhorar após a meia-idade. Conheça equipa de neurologia da rede Hospital da Luz e faça a sua marcação. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.