2 de outubro de 2024 A cerclagem ou ciclorrrafia do colo do útero é um procedimento cirúrgico que é realizado para fechar ou reforçar o colo do útero durante a gravidez . Pode estar indicada quando há incompetência ou insuficiência cervico-ístmica ( colo do útero ou cérvix enfraquecido ). Nestes casos, o colo do útero começa a abrir-se (dilatar) precocemente, aumentando o risco de aborto espontâneo, rotura prematura da bolsa de águas ou parto prematuro. A ciclorrafia ou cerclagem é feita para reduzir o risco de perda gestacional tardia (aborto) e de parto prematuro , aumentando as hipóteses de levar a gravidez até ao termo. A incompetência cérvico-ístmica pode ser diagnosticada: Pelos antecedentes obstétricos : duas ou mais perdas gestacionais consecutivas no segundo trimestre ou parto pré-termo antes das 28 semanas sem contratilidade dolorosa; Pelos achados ecográficos : colo com comprimento inferior a 25 mm antes das 24 semanas na ausência de outras causas; Pelo exame clínico : observação de um colo apagado e com 1 cm ou mais de dilatação, entre as 14 e as 27 semanas, na ausência de contractilidade uterina. Como e quando é feita uma cerclagem? Este procedimento é realizado sob anestesia geral ou loco-regional (epidural ou raquidiana) e geralmente em regime de ambulatório, ou seja, sem necessidade de internamento. É colocada uma fita ou pontos de sutura a rodear o colo do útero, para que fique fechado e reforçado. Pode ser feito por duas abordagens: Transvaginal , na qual as suturas são colocadas através da vagina; Transabdominal , as suturas são colocadas através de uma incisão no abdómen. Esta técnica é mais invasiva, mesmo quando é realizada por laparoscopia e, por isso, só é utilizada quando a ciclorrafia transvaginal não é possível ou não foi eficaz . A altura em que é realizada depende da situação: Profilática : entre as 12-14 semanas de gestação em mulheres com histórico de incompetência cervical. Não dever ser realizada antes das 12 semanas para que possa estar disponível o resultado do rastreio das aneuploidias (trissomias) e seja realizado um exame anatómico precoce, como o realizado na ecografia do 1º trimestre; Terapêutica : entre as 14-24 semanas de gestação, quando há evidência de encurtamento do colo do útero na ecografia; Emergência : a qualquer momento durante a gravidez se houver sinais de dilatação cervical precoce sem contrações. Após as 24 semanas, a decisão envolve também considerar os riscos de prematuridade e complicações neonatais. Para fazer uma cerclagem é ainda necessário garantir previamente: A viabilidade e o bem-estar fetal; Excluir a existência de uma infeção amniótica (intrauterina). Para isso pode estar indicada, especialmente nos casos de ciclorrafia de emergência, a realização de uma amniocentese para avaliação do líquido amniótico. A incidência de amnionite na ciclorrafia de emergência pode atingir os 50%. Nos restantes casos é inferior a 5-10%; Excluir o início de um trabalho de parto prematuro e/ou da rotura prematura de membranas. A cerclagem ou ciclorrafia cervical tem algumas contraindicações : Absolutas : anomalia fetal incompatível com a vida, infeção uterina, parto pré-termo ativo, rotura prematura pré-termo de membranas, morte fetal, hemorragia uterina ativa; Relativas (taxas de insucesso atingem os 65%): dilatação cervical mais de 4 centímetros, colo apagado, protusão da bolsa pelo orifício externo do colo. A ciclorrafia é geralmente removida entre as 36-37 semanas de gravidez, ou antes se ocorrer trabalho de parto prematuro . A remoção é geralmente feita em ambiente de consulta, sem necessidade de anestesia. Riscos e complicações Os principais riscos associados à realização de um cerclagem são infeção, rotura prematura das membranas (rotura da bolsa de águas), hemorragias ou uma reação adversa à anestesia. As complicações mais comuns são a laceração do colo do útero durante o trabalho de parto, a incompetência da ciclorrafia, não conseguindo manter o útero fechado, e a necessidade de repetir o procedimento durante a mesma gravidez. Estas complicações são mais frequentes se a ciclorrafia é realizada de emergência comparativamente a uma ciclorrafia programada. Cuidados a ter depois de fazer uma cerclagem do colo do útero Depois do procedimento é imprescindível seguir todos os cuidados indicados pela equipa clínica e que incluem : Evitar atividades cansativas, carregar pesos e estar longos períodos de pé; Abster de relações sexuais de acordo com as indicações ou pelo menos na primeira semana após o procedimento; Manter uma dieta equilibrada e um bom estado de hidratação; Manter a vigilância médica recomentada, que inclui consultas e exames períodos, por exemplo, ecografias. Depois da cerclagem é normal que ocorram pequenas perdas de sangue, contrações ligeiras e irritabilidade da bexiga. No entanto, é importante estar atenta a outros sintomas e procurar cuidados médicos perante os seguintes sinais de alarme : Dor abdominal intensa; Hemorragia; Perda de líquido amniótico; Febre; Contrações. Este conteúdo foi preparado pela equipa de Ginecologia-Obstetrícia do Hospital da Luz. 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