15 de junho de 2023 Autor : José Roquette O sistema cardiovascular do feto começa a desenvolver-se muito cedo, mas até ao nascimento a circulação do sangue e a forma como são asseguradas as necessidades de oxigénio e nutrientes têm diferenças importantes relativamente ao que acontece depois. Antes do nascimento : É na placenta que ocorrem as trocas gasosas, neste aspeto os pulmões não são funcionais; O cordão umbilical assegura a ligação entre a placenta e o feto; Três estruturas completam as particularidades do sistema circulatório do feto – o canal ou ducto venoso, o foramen ovale e o canal arterial – e fazem com que a circulação do sangue cumpra as suas funções de forma eficiente durante esta fase. Ao nascimento , o cordão umbilical é cortado, os pulmões começam a funcionar e tudo muda . A placenta e o cordão umbilical Durante a gravidez, a ligação entre o feto e o meio exterior é feita pela placenta: A placenta desenvolve-se no interior do útero da mãe e o feto depende deste órgão para receber o oxigénio e nutrientes provenientes do sangue da mãe, bem como para eliminar dióxido de carbono e resíduos do metabolismo; A placenta está ligada ao feto pelo cordão umbilical que contém vasos sanguíneos: 2 artérias umbilicais e 1 veia umbilical: As artérias umbilicais levam até à placenta sangue do feto que é pobre em oxigénio e contém resíduos para serem eliminados; A veia umbilical devolve ao feto sangue rico em oxigénio e nutrientes, imprescindíveis para o seu desenvolvimento saudável. Canal ou ducto venoso, foramen ovale e canal arterial O sangue com oxigénio e nutrientes da veia umbilical tem de ser distribuído por todos os órgãos e tecidos do organismo do feto. Para isso, é fundamental que chegue ao coração e à aorta. Por outro lado, uma vez que os pulmões não são responsáveis pelas trocas gasosas no feto, a circulação pulmonar, ou pequena circulação, não pode ser sobrecarregada com sangue que não é necessário. Assim: Grande parte do sangue oxigenado da veia umbilical segue pelo canal ou ducto venoso para a veia cava inferior e entra na aurícula direita; Uma vez na aurícula direita, outras duas estruturas permitem ultrapassar a circulação pulmonar e os pulmões não funcionantes: O foramen ovale , que mantém a comunicação entre as duas aurículas, deixa passar o sangue oxigenado da aurícula direita para a esquerda (e daqui para o ventrículo esquerdo e aorta para irrigar o próprio coração, o cérebro e muitos outros tecidos e órgãos); O canal arterial ou ductus arteriosus desvia algum sangue que entra na artéria pulmonar diretamente para a aorta, impedindo que chegue aos pulmões. Assim, não há sobrecarga dos pulmões do feto, chega aqui apenas o sangue que é suficiente para a manutenção destes órgãos. Alterações ao nascimento Quando o bebé nasce, o cordão umbilical é cortado e o recém-nascido deixa de receber oxigénio e nutrientes da mãe. Com as primeiras respirações, os pulmões expandem-se e a passam a ser responsáveis pela oxigenação do sangue . O canal arterial, foramen ovale e canal venoso deixam de ser necessários e, em regra, fecham-se nos primeiros tempos de vida, processo para o qual contribuem alterações da pressão arterial, intracardíaca e pulmonar. A partir do nascimento : No coração direito (aurícula e ventrículo direito) passa a circular apenas sangue não oxigenado, ou venoso; No coração esquerdo (aurícula e ventrículo esquerdo) passa a circular apenas sangue oxigenado, ou arterial. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.