10 de maio de 2023 Autor : Maia Gonçalves Na cirurgia da coluna vertebral era usada tradicionalmente uma via de abordagem clássica. Isso significa ser feita uma incisão longa para que o cirurgião consiga visualizar corretamente as estruturas anatómicas e, assim, realizar os procedimentos de forma segura. No entanto, os avanços tecnológicos dos últimos anos possibilitaram o desenvolvimento e utilização de técnicas cirúrgicas minimamente invasivas em diversas doenças da coluna vertebral . Estas técnicas são referidas frequentemente como MISS , acrónimo para a expressão inglesa minimally invasive spine surgery . As técnicas minimamente invasivas pretendem obter os mesmos resultados cirúrgicos e com a mesma segurança da via de abordagem clássica, mas acrescentam valor associado à maximização da preservação dos tecidos envolventes da coluna . Efetivamente, como não usam uma incisão longa, não provocam danos significativos nos músculos envolventes. A curto prazo, a preservação de tecidos reflete-se em menor dor pós-operatória e numa recuperação mais rápida. A médio e longo prazo é possível retardar processos degenerativos da coluna, muitas vezes precipitados pela cirurgia de coluna. Na cirurgia da coluna, as indicações para uma abordagem minimamente invasiva são as mesmas da abordagem clássica ou aberta tradicional. A cirurgia da coluna vertebral geralmente é recomendada apenas : Após um período de tratamento não cirúrgico – com medicamentos e fisioterapia – sem alívio de sintomas dolorosos; Na presença de défices neurológicos; Quando é possível identificar com elevado grau de probabilidade a fonte exata de dor, como por exemplo uma hérnia discal ou uma estenose de canal lombar. Os desenvolvimentos na área da cirurgia minimamente invasiva da coluna incluíram técnicas, instrumentos de trabalho e uso de métodos de visualização da área a operar por microscópio e endoscópio que, em conjunto, permitem hoje a abordagem e tratamento de uma maior variedade de patologias da coluna cervical e lombar com técnicas MISS. Técnica cirúrgica Os procedimentos de fusão e descompressão por via MISS , por exemplo a discectomia e a laminectomia, podem ser feitos por múltiplas abordagens diferentes. A técnica mais usada envolve o uso de um afastador tubular. Durante o procedimento, é efetuada uma pequena incisão na pele através da qual é inserido o afastador tubular, que depois ultrapassa os tecidos moles até chegar à coluna vertebral. Desta forma, é criado um túnel até à pequena área onde se encontra a compressão nervosa e onde se pretende realizar a descompressão. O afastador tubular afasta os músculos (que assim não são cortados) e permite uma abordagem e visualização corretas da estrutura vertebral que necessita de intervenção, com uma poupança máxima dos músculos e tecidos de suporte da coluna. Na cirurgia MISS é fundamental o uso de microscópio (preferencialmente) ou de lup as para visualização das estruturas neurológicas através do canal de trabalho do afastador tubular (18-22mm). De igual forma, uma grande parte do procedimento é realizada com apoio de radiologia (raios-X) para determinação o posicionamento das estruturas anatómicas. No final do procedimento, o afastador tubular é removido e os músculos retornam à sua posição original. Assim, limitou-se o dano muscular, comum nas cirurgias abertas. A cirurgia endoscópica é outra possibilidade . Usa uma microcâmara (endoscópio) com um canal de trabalho, e um monitor onde é apresentada a imagem transmitida. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.