13 de novembro de 2020 Autor : Rui Leal O prolapso de órgão pélvico tem uma prevalência elevada na população feminina. Pode não estar associado a quaisquer sintomas ou estes não serem incomodativos, mas, mais frequentemente, interfere de forma importante com a qualidade de vida e para ser resolvido é necessário fazer uma cirurgia. As técnicas cirúrgicas para correção do prolapso de órgão pélvico surgiram há mais um século tendo a primeira publicação da técnica de correção de prolapso acontecido em 1877. Nesta, era descrita uma cirurgia obliterativa vaginal seguida de perineorrafia (sutura do períneo) uma semana depois. As técnicas cirúrgicas para tratamento de prolapsos evoluíram de forma importante e, nas últimas décadas, foram mesmo desenvolvidas técnicas que permitem manter a função sexual e corrigir o prolapso, com excelentes resultados. As cirurgias mais frequentemente realizadas no prolapso de órgãos pélvicos são: Colporrafia anterior clássica para tratamento do cistocelo ou prolapso da bexiga Colporrafia posterior clássica para correção de retocelo ou prolapso do reto Histerectomia vaginal acompanhada de suspensão de cúpula vaginal aos ligamentos uterosagrados ou a histeropexia, nas situações de prolapso uterino. No tratamento cirúrgico do prolapso de cúpula vaginal, também são possíveis diferentes técnicas, nomeadamente a sacrocolpopexia ou a suspensão de cúpula aos ligamentos sacroespinhosos. A elevada taxa de sucesso, a baixa taxa de recidiva e a rara morbilidade significativa associada fazem com que a cirurgia obliterativa vaginal continue a ser uma alternativa válida e vantajosa para algumas mulheres. São critérios para considerar esta possibilidade: Ausência de desejo de manter a função vaginal; dade avançada; Presença de fatores de risco de recidiva; Presença de comorbilidades com maior risco cirúrgico ou anestésico para as correções clássicas. A decisão do tipo de técnica cirúrgica mais adequada a utilizar nos casos de prolapso de órgão pélvico, depende da avaliação individual de cada caso e deve ser realizada por uma equipa especializada no tratamento da disfunção do pavimento pélvico, preferencialmente multidisciplinar . Conheça a equipa de ginecologia-obstetrícia da rede Hospital da Luz . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.