7 de março de 2019 Autor : Pedro Soares As infeções do aparelho urinário são a 2ª causa mais frequente de doença infecciosa nos adultos. A cistite é a mais comum e afeta mais o sexo feminino . A cistite bacteriana é a forma mais frequente de cistite infecciosa e define-se como uma resposta inflamatória do aparelho urinário à invasão e colonização da bexiga por bactérias que, normalmente, vivem no intestino humano. Destas bactérias, a Escherichia coli ou colibacilo , como é popularmente conhecida, é a bactéria responsável por 75% a 90% das infeções. É importante salientar que o facto da bactéria invadir a bexiga não significa necessariamente que haverá infeção pois, regra geral, existe um equilíbrio favorável às defesas naturais do organismo. Aproximadamente, 50% das mulheres irão contrair cistite durante a sua vida. As que têm uma vida sexual ativa terão, no mínimo, um episódio de cistite a cada 2 anos. Porque é que a cistite atinge mais as mulheres? A justificação para as mulheres contraírem mais infeções urinárias do que os homens deve-se às diferenças anatómicas existentes : as mulheres têm uma maior proximidade da uretra ao ânus e uma uretra de muito menor dimensão. Os sintomas são habitualmente característicos e compreendem: Ardor na micção; Frequência de micção aumentada; Vontade forte e permanente para urinar; Dor ou sensação de peso na região inferior do abdómen; Urina rosada (em algumas situações, sendo sugestiva de presença de sangue). A existência de febre, dores nas costas, náuseas e vómitos pressupõe que se possa estar perante uma infeção renal, denominada por pielonefrite . Como se pode prevenir o aparecimento de cistite? Para prevenir o aparecimento de cistite, a mulher deve: Urinar imediatamente após a relação sexual; Beber água suficiente para urinar cerca de 5 vezes ao dia; Evitar banhos de imersão e roupa íntima de material sintético. A higiene após as micções deve ser realizada com papel macio , sempre da frente para trás . Assim, evita-se o traumatismo local e o transporte das bactérias presentes em redor do ânus para a vagina. A obstipação é considerada um fator predisponente para o aparecimento das infeções urinárias, sendo também importante o seu tratamento. Outras medidas preventivas complementares Em estudos clínicos, a utilização de suplementos alimentares mostrou-se eficaz na prevenção das infeções urinárias de repetição. É referido o uso de probióticos (substâncias capazes de restabelecer a flora bacteriana vaginal normal) e de extrato de arando – um fruto vermelho silvestre que dificulta a fixação de bactérias causadoras de infeções urinárias na superfície da vagina, da uretra e da bexiga. Existem também vacinas de administração oral que têm como finalidade de estimular o desenvolvimento de imunidade específica contra as bactérias que habitualmente causam infeções urinárias. Nas mulheres em pós-menopausa preconiza-se o uso de estrogénios tópicos , com intuito de impedir a atrofia da mucosa vaginal que propicia a fixação de bactérias. Como feito o diagnóstico e como se trata a cistite? A avaliação das queixas associadas à análise sumária da urina (tira reativa ou urina II) permite obter o diagnóstico em 90% dos casos. Perante incerteza ou infeções de repetição, deverá recorrer-se à urocultura para confirmação. Embora em alguns casos de cistite, a cura espontânea da infeção possa ocorrer com um aumento da ingestão de água (micções repetidas eliminam as bactérias da bexiga), na maioria dos casos, os doentes requerem tratamento com antibióticos em esquemas de duração variável , dependendo do fármaco e da gravidade da infeção. Saiba que: A cistite bacteriana é a mais frequente; A anatomia feminina é mais propícia a esta infeção; Mais de metade das mulheres terá cistite 1 vez na vida; As mulheres sexualmente ativas poderão ter cistite a cada 2 anos; Beber muita água ajuda a resolver a infeção. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.