03 de junho de 2022 Autora : Leonor Santos O prolapso vaginal é comum, cerca de 10% das mulheres que tiveram filhos precisam de fazer uma cirurgia para o corrigir. Quando afeta a parede vaginal anterior - prolapso da parede vaginal anterior ou cistocelo - deve-se geralmente ao enfraquecimento dos tecidos que separam a vagina da bexiga e pode chegar a ultrapassar o introito vaginal. Pode provocar sensação de sensação de peso ou de bola na vagina. Pode igualmente causar dificuldade em urinar, com jato urinário mais lento ou intermitente, ou sintomas de urgência e/ou aumento da frequência urinária. A correção da parede vaginal anterior ou colporrafia anterior O objetivo desta cirurgia é aliviar os sintomas de sensação de peso / bola na vagina, bem como melhorar o funcionamento da bexiga e aliviar os sintomas urinários. Como é feita a correção da parede vaginal anterior? Esta cirurgia pode ser realizada sob anestesia geral ou locorregional . É realizado um corte na parede anterior da vagina, desde a entrada da vagina até à cúpula vaginal (topo da vagina). A camada de tecido mais interno da vagina (mucosa) é separada do tecido de suporte (fáscia) subjacente. São aplicados pontos para reaproximar os bordos da fáscia. O material dos fios é reabsorvível, pelo que não é necessário retirar os pontos, estes serão reabsorvidos ao longo de 4-6 semanas. É retirado o excesso de mucosa vaginal e esta é também encerrada com pontos absorvíveis. A parede vaginal anterior pode ainda ser reforçada com redes sintéticas ou biológicas , o que é mais habitual quando é necessário repetir a cirurgia ou quando o prolapso é de grandes dimensões. No final da cirurgia é colocado um tampão de compressão na vagina para evitar hemorragias e é mantida a algaliação. Ambos são retirados, em regra, no dia seguinte à cirurgia. Taxa de sucesso da cirurgia A correção da parede vaginal anterior tem uma taxa de sucesso elevada, de 70%-90% . Riscos e complicações da correção da parede vaginal anterior Todas as intervenções cirúrgicas têm potenciais riscos ou complicações, tanto associados à própria cirurgia como à anestesia. Os riscos e complicações da correção da parede vaginal anterior são: Hemorragia grave < 1%; Infeções pélvicas e vaginais são raras; Infeção da bexiga (cistite) 6%. A cistite provoca ardor ao urinar, aumento da frequência urinária, por vezes presença de sangue na urina. Sempre que necessário é tratada com antibióticos; Obstipação. Para a evitar deve ser feita uma dieta rica em fibra e aumentada a ingestão de líquidos. A utilização de laxantes deve ser feita por indicação médica; Dor nas relações sexuais (dispareunia); Lesão da bexiga / ureter; Incontinência urinária esforço pode surgir devido ao reposicionamento da uretra; Complicações associadas a redes que sejam usadas, por exemplo, exposição, infeção, retração, dor, disfunção sexual. Recuperação pós-operatória e retorno à vida normal Depois de uma correção da parede vaginal anterior é normal haver uma secreção vaginal durante 4-6 semanas após a cirurgia , que está relacionada com os pontos na vagina e vai diminuindo à medida que estes são reabsorvidos. Se esta secreção vaginal tiver um odor desagradável devem ser procurados cuidados médicos. Poderá ainda haver uma ligeira secreção ensanguentada logo após a cirurgia e/ou esta surgir com uma cor acastanhada cerca de uma semana depois da cirurgia. No pós-operatório é importante evitar: Carregar pesos; Fazer exercício físico; Ter relações sexuais antes de passarem 6 semanas da data da cirurgia. Deve promover um bom funcionamento intestinal com uma alimentação rica em fibra e aumentando a ingestão de líquidos . Dependendo da atividade profissional, o período de baixa depois de uma de correção da parede vaginal anterior varia entre 2 e 6 semanas . Em geral, a cicatrização está completa aos 3 meses depois da cirurgia. Fontes International Urogynecologial Association. Anterior vaginal repair . Conheça a equipa clínica de ginecologia-obstetrícia da rede Hospital da Luz e faça a marcação da sua consulta Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.