5 de abril de 2023 Autor : Saraiva da Cunha A clamidiose genital é uma infeção sexualmente transmissível e é uma doença de declaração obrigatória em Portugal . É provocada por uma bactéria, a Chlamydia trachomatis ; Transmite-se nas relações sexuais – vaginais, retais ou orais – por contacto com os fluidos genitais, não sendo obrigatório que esteja esperma presente para haver contágio. A Chlamydia trachomatis pode alojar-se na uretra, no reto, na garganta ou, nas mulheres, no colo do útero; A infeção também pode transmitir-se de mães para filhos durante os partos vaginais; A clamidiose pode ser tratada com êxito; Quando não tratada, tem complicações frequentes que podem ser graves. Sintomas e complicações da clamidiose A clamidiose pode ser assintomática . Quando a infeção provoca sintomas, estes podem levar 10-20 dias a manifestar-se depois do contágio, sendo, no entanto, possível transmitir a doença durante este período de incubação. Os sintomas mais habituais são: Nas mulheres Dor ou ardor ao urinar; Dor abdominal e pélvica; Corrimento vaginal espesso e amarelado; Dor nas relações sexuais; Hemorragia vaginal fora do período menstrual e depois das relações sexuais; Náuseas e febre. Nos homens Dor ou ardor ao urinar; Corrimento pela uretra; Prurido (comichão) na uretra; Orquite (inflamação e infeção testicular) com inchaço do escroto e dor ou desconforto dos testículos. Tanto nos homens como nas mulheres, podem ocorrer sintomas de proctite (inflamação e infeção do ânus) com corrimento, hemorragia e formação de feridas. A presença da Chlamydia trachomatis na garganta não provoca sintomas, mas permite a transmissão por sexo oral. A clamidiose não tratada pode ter complicações graves , incluindo: Nas mulheres, doença inflamatória pélvica em 10%-15% das mulheres não tratadas. A doença inflamatória pélvica, com ou sem sintomas, é uma causa importante de infertilidade, aborto, gravidez ectópica, parto prematuro e nascimento de bebés com baixo peso. Nos homens, inflamação e infeção do epidídimo (epididimite) e da próstata (prostatite), que também podem dar origem a infertilidade. Tanto nos homens como nas mulheres, pode desenvolver-se artrite (inflamação e infeção das articulações); Os bebés infetados durante o parto têm frequentemente conjuntivite e pneumonia por Chlamydia . A clamidiose favorece a infeção e transmissão de outras infeções sexualmente transmissíveis, principalmente a gonorreia e a infeção por vírus da imunodeficiência humana (VIH/SIDA). A co-infeção (infeção simultânea) de clamidiose e gonorreia é comum. Diagnóstico e tratamento A ocorrência de sintomas sugestivos de clamidiose, ou mesmo a suspeita de se terem tido contactos sexuais com alguém infetado , devem levar à procura de cuidados médicos para que seja possível fazer um diagnóstico rigoroso e o tratamento adequado. A ginecologia (para as mulheres), a urologia (para os homens), a infeciologia e a medicina geral e familiar (para ambos) e a pediatria (para os jovens) são as especialidades médicas que podem ajudar neste caso. Dependendo das circunstâncias, o diagnóstico pode ser confirmado por análise a partir de amostras de urina ou de exsudados da uretra, colo do útero ou ânus. O tratamento da clamidiose é feito com antibióticos específicos . A dose e duração do tratamento é determinada, caso a caso, pelo médico; O tratamento abrange as pessoas que são diagnosticadas e os parceiros sexuais recentes, tenham ou não sintomas; Durante o tratamento é necessário abster-se de relações sexuais. Rastreio de clamidiose A vigilância médica de rotina inclui habitualmente o rastreio da clamidiose . Exceto quando circunstâncias particulares indiquem algo diferente, este deve ser feito anualmente : Em todas as mulheres com menos de 25 anos sexualmente ativas; Nas mulheres com mais de 25 anos que tenham tido contactos sexuais com mais do que um parceiro; Nas grávidas; Nos homens que tenham sexo com homens ou mantenham relações não protegidas por preservativo; Em todos os infetados por vírus da imunodeficiência humana (VIH/SIDA). Prevenir a clamidiose As medidas que ajudam a diminuir a probabilidade de contrair clamidiose são as mesmas usadas na maioria das restantes infeções sexualmente transmissíveis: Usar sempre preservativo nas relações sexuais para diminuir a probabilidade de infeção; Não manter múltiplos parceiros sexuais, nem mudar com frequência de parceiro sexual; Não ter relações sexuais, mesmo usando preservativo, quando algum dos envolvidos sabe ou suspeita de que possa haver infeção. Clamidiose em números Em 2020 foram notificados nos Estados Unidos 1 579 885 casos de clamidiose, tendo sido esta a infeção sexualmente transmissível quantitativamente mais importante neste ano . Nos países da União Europeia: Foram confirmados 434 184 casos de clamidiose em 2019; Em 5 anos, os casos confirmados nas mulheres e nos homens aumentaram 9% e 19%, respetivamente. Em Portugal: Foram notificados 479 casos de clamidiose em 2018, e 732 em 2019. Em 2018, os casos de clamidiose foram: 72% em homens; 68% entre os 15 e os 34 anos; 61% na região metropolitana de Lisboa. Alguns serotipos (variedades) de Chlamydia trachomatis são causa de linfogranuloma venéreo, que é outra infeção sexualmente transmissível e que é mais prevalente entre os homens que mantêm relações sexuais com outros homens. Em 2018 foram notificados 52 casos de linfogranuloma venéreo em Portugal. Fontes Centers for Disease Control and Prevention. Chlamydia . Centers for Disease Control and Prevention. Sexually transmitted disease surveillance 2020. European Centre for Disease Prevention and Control. Chlamydia infection - Annual Epidemiological Report for 2019 Conheça a equipa clínica de infecciologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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