19 de março de 2019 O que é a CPRE? A colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) é um exame de diagnóstico da área da gastrenterologia que associa raios X e endoscopia, permitindo avaliar : Os canais biliares; Os canais pancreáticos; A vesícula biliar. Os canais biliares drenam no duodeno (1ª parte do intestino delgado), ao nível de uma estrutura chamada papila de Vater . Como é realizada uma CPRE? A CPRE é realizada numa sala equipada com raios X , com o doente deitado sobre o abdómen . É introduzido através da boca , um tubo longo e flexível, designado duodenoscópio . O duodenoscópio possui na sua extremidade uma fonte de luz e uma câmara de vídeo que irá transmitir imagens ampliadas e de elevada definição para um monitor, presente na sala onde o exame é realizado. Desta forma, o médico poderá examinar em pormenor o trajeto percorrido pelo duodenoscópio. O duodenoscópio possui também componentes que permitem colher, de forma indolor, fragmentos de tecido (biópsia) e introduzir ou retirar fluidos e ar, bem como, instrumentos necessários para os procedimentos que possam ter que ser realizados. Quando é atingido o duodeno e localizada a papila de Vater é introduzido um cateter através do duodenoscópio. Este permitirá administrar um produto de contraste nos canais biliares e pancreáticos. A obtenção posterior de imagens através de raios X , permitirá visualizar e avaliar aquelas estruturas. Este exame é sempre realizado sob anestesia , o que reduz significativamente o desconforto que lhe pode estar associado. Estes exames são, geralmente, realizados em regime de internamento . Habitualmente, é necessária uma hospitalização de 24 horas após o exame. Em que situações é realizada a CPRE? A decisão sobre a necessidade de realizar qualquer exame é sempre tomada pelo médico , em função das características individuais de cada doente e das suas queixas ou doença . Em regra, as razões mais comuns para realizar uma CPRE incluem, entre outras: A remoção de cálculos dos canais biliares (causa mais comum); A necessidade de deteção de estenoses (estreitamentos), obstruções, irregularidades e lesões dos canais biliares e de alterações do fluxo biliar e pancreático; A presença de sintomas que possam sugerir essas alterações; A avaliação de casos de icterícia, quando se suspeita de envolvimento dos canais biliares; A realização de biópsias; O esclarecimento de achados de outros exames. É necessária alguma preparação para realizar uma CPRE? Tratando-se de um procedimento em que se pretende visualizar, de uma forma detalhada, o percurso percorrido pelo duodenoscópio, é imprescindível que não estejam ali presentes alimentos . Posto isto, quando a preparação não é realizada corretamente podem ocorrer complicações. A realização de uma CPRE requer um período de jejum prévio de 6 horas . Serão facultadas, na altura da marcação do exame, todas as informações necessárias sobre a preparação necessária, bem como, sobre os cuidados a ter depois do exame. Estas instruções devem ser seguidas escrupulosamente , sob pena de não ser possível realizar o exame, de este não ter qualquer utilidade ou de aumentar os seus riscos. Quanto tempo demora a CPRE? A realização de uma CPRE demora em média cerca de 30 minutos a 1 hora . No entanto, pode ser mais demorada, especialmente, se for necessário realizar algum procedimento adicional. Depois de terminado o exame, torna-se necessário aguardar algum tempo até que a recuperação esteja completa . Este período que deve ser passado em repouso , num local específico para o efeito, antes de regressar ao quarto de internamento . Que limitações tem a CPRE? Como qualquer outro exame, a CPRE pode falhar lesões e diagnósticos , mesmo quando é realizada de uma forma tecnicamente adequada. Nos hospitais e clínicas da rede Hospital da Luz, pode encontrar médicos especialistas em gastrenterologia e realizar os exames que sejam necessários para a sua situação. Este artigo foi escrito com o apoio dos médicos e outros profissionais clínicos da Rede Hospital da Luz . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.