24 de junho de 2022 Autora : Isabel Grilo A colpocleise é uma cirurgia obliterativa na qual o prolapso de órgãos pélvicos é resolvido removendo ou fechando a totalidade ou parte do canal vaginal . Está reservada a mulheres que não sejam sexualmente ativas, nem pretendam manter essa possibilidade . Tratando-se de um procedimento bem tolerado e de execução mais rápida, pode estar indicado em mulheres com várias doenças presentes (comorbilidades) para as quais o risco associado a uma cirurgia reconstrutiva de correção do prolapso é elevado. A taxa de sucesso da colpocleise na resolução do prolapso de órgãos pélvicos é elevada – da ordem de 90%-95% - o que a torna uma opção também para mulheres com prolapso recorrente. A colpocleise pode ser realizada em mulheres que ainda conservem o útero ou que tenham sido submetidas previamente a uma histerectomia (remoção do útero). Quando está presente incontinência urinária de esforço além do prolapso de órgãos pélvicos, habitualmente é realizada no mesmo tempo operatório uma cirurgia para correção dessa situação. Fazer uma colpocleise elimina a possibilidade de ter relações sexuais vaginais e de fazer a avaliação médica do útero (quando presente) por via vaginal. Caso se pretenda manter a possibilidade de ter relações sexuais vaginais, a resolução cirúrgica do prolapso não é possível por colpocleise, sendo necessário optar por outra técnica. Complicações da colpocleise Qualquer cirurgia tem complicações potenciais , tanto relacionadas com o procedimento como com a anestesia. Podem ocorrer infeções urinárias, que são mais frequentes nas doentes algaliadas. Dependendo do risco específico de cada doente, é comum aconselhar o uso de meias compressivas e medidas terapêuticas para evitar a formação de coágulos sanguíneos e complicações que lhes podem estar associadas. Há ainda complicações específicas relacionadas com a colpocleise : Hematoma: acumulação de sangue na parede vaginal, podendo estar associado a sintomas de dor mais intensa e prolongada no tempo. Na maioria dos casos, o hematoma resolve-se espontaneamente. No entanto, pode ser necessário drená-lo. Pode também evoluir para infeção. Neste tipo de cirurgia as lesões da bexiga e intestino são raras. Pós-operatório e retorno à atividade normal A colpocleise é realizada com a doente algaliada e o cateter é mantido na bexiga até às 24-48 horas depois da intervenção, sendo então retirado. Logo após a cirurgia é frequente ocorrer corrimento vaginal, que pode durar 4 a 6 semanas e que se deve à presença na vagina dos pontos da sutura da cirurgia. No pós-operatório, é importante manter um bom funcionamento intestinal, evitando obstipação e o esforço associado . Por isso, é frequente a prescrição de laxantes a usar neste período. Devem também ser evitados esforços físicos durante 4 a 6 semanas depois da cirurgia. Passadas 3-4 semanas da cirurgia, em regra pode ser iniciada atividade física ligeira, começando por caminhadas curtas. O nível de atividade física deve ser aumentado gradualmente, mas evitando esforços físicos e carregar pesos (superiores a 5 kg) durante pelo menos 6 semanas e cumprindo sempre as indicações médicas específicas. Fontes International Urogynecologial Association. Colpocleisis . Conheça a equipa clínica de ginecolgia-obstetrícia da rede Hospital da Luz e faça a marcação da sua consulta. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.