10 de fevereiro de 2020 O que é o coronavírus? Os coronavírus podem causar infeções respiratórias de gravidade variável – são uma das causas das constipações – e, especialmente nas crianças, podem também provocar alterações gastrintestinais, como diarreias. No entanto, a maioria das infeções que provoca são ligeiras . Mutações mais agressivas Nos anos recentes e em resultados de mutações destes vírus, têm surgido diversas estirpes mais agressivas , que têm causado situações de epidemia. Foi o caso do SARS-CoV , que surgiu na China no final de 2002 e afetou cerca de 8.000 pessoas, causando 800 mortes. Dez anos depois, com início na Arábia Saudita, emergiu uma nova estirpe, o MERS-CoV , que atingiu mais de 2.200 pessoas e causou cerca de 800 mortes. Betacoronavírus, o mais recente No final de 2019, na cidade de Wuhan (província de Hubei, na China), foi identificada uma nova variante de coronavírus , denominada 2019-nCoV . A investigação epidemiológica inicial mostrou uma associação com um mercado de peixe, no qual são também vendidos animais vivos (coelhos, cobras, entre outros), desconhecendo-se até ao momento com segurança absoluta a origem deste vírus. Ficou demonstrado tratar-se de um betacoronavírus semelhante ao dos morcegos, não se conhecendo se existiu transmissão direta ou por intermediários ao homem. O vírus teve propagação rápida, o que levou as autoridades chinesas a colocarem de quarentena cerca de 60 milhões de pessoas, numa tentativa de contenção da epidemia, tanto mais que indivíduos assintomáticos (que podem vir ou não a desenvolver doença) podem ser transmissores. Tal como nas epidemias anteriores, a fácil deslocação de pessoas possibilitou a rápida disseminação do vírus entre os vários continentes, culminando na decisão de declaração de Emergência Internacional pela Organização Mundial de Saúde a 31 de janeiro de 2020. Como é transmitido o coronavírus? A forma de transmissão do novo coronavírus é semelhante à da gripe, ou seja, por via aérea (gotículas e excecionalmente aerossóis) de pessoa para pessoa, por contacto próximo. Sinais de alerta e sintomas As pessoas infetadas podem apresentar febre (98% dos casos), tosse (76% dos casos) e dificuldades respiratórias (55%), dores musculares e cansaço . Após um período de incubação que poder ir até 14 dias, a maioria das pessoas que contraem o vírus acabam por recuperar, tendo doença ligeira, semelhante a uma síndrome gripal. Porém, as pessoas que têm um sistema imunológico enfraquecido (idosos, crianças e pessoas com outras condições médicas) podem correr risco de uma infeção mais grave. Segundo os dados atualmente disponíveis, cerca de 20% dos afetados desenvolve doença grave, como pneumonia, dificuldade em respirar e morte. A maioria dos casos mortais surge na sequência de Síndrome de Dificuldade Respiratória Aguda e ocorre em doentes com outras comorbilidades. Prevenção: a prioridade Embora não exista tratamento específico para o novo coronavírus, a melhor forma de se proteger contra este e qualquer outro vírus que atinge as vias respiratórias é ter cuidados como: Tapar o nariz e a boca com um lenço de papel ou o antebraço quando espirrar ou tossir; Lavar bem e com frequência as mãos com água e sabão ou usar uma solução à base de álcool; Ficar em casa, se não estiver a sentir-se bem; Evitar contacto próximo com pessoas com infeção respiratória. Carlos Palos Médico internista e intensivista Coordenador da Comissão Nacional de Prevenção, Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos do Grupo Luz Saúde Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.