21 de abril de 2025 Autor : Alberto Rocha Pereira (cirurgia plástica) A doença conhecida como dedo em gatilho é uma doença inflamatória - tenossinovite estenosante - que pode afetar um ou mais dos tendões das mãos que são responsáveis pela flexão dos dedos (tendões flexores) e que se localizam na palma das mãos, estendendo-se até à extremidade dos dedos. Quando a tenossinovite afeta os tendões extensores do polegar, chama-se doença, síndrome ou tenossinovite de De Quervain. Os tendões são bandas de tecido fibroso especializado. Ligam os músculos aos ossos e promovem os movimentos, neste caso, os de flexão e de extensão dos dedos. Estão cobertos por uma bainha de proteção (bainha tendinosa) que produz um líquido lubrificante (líquido sinovial) que permite o deslizamento do tendão dentro da bainha sem atrito. Quando há um estreitamento (estenose) da bainha tendinosa ou uma inflamação e aumento de volume do tendão, aquele deslizamento é dificultado, podendo o tendão chegar a ficar “preso”. Os tendões flexores dos dedos polegar e anelar são os mais atingidos, mas os outros também podem ser afetados. Não se conhece a causa exata dos dedos em gatilho, mas sabe-se que há fatores que predispõem ao seu desenvolvimento nos adultos : O sexo , sendo mais comum nas mulheres; A idade , sendo mais comum aparecer entre os 40-50 anos; História pessoal de outras doenças das mãos , como a doença de Dupuytren e a síndrome do túnel do carpo, bem como de doenças crónicas como a diabetes, a artrite reumatoide, a gota, entre outras. O uso excessivo e os movimentos repetitivos das mãos , que, ao longo do tempo, vão provocando microtraumatismos. Assim, a tenossinovite estenosante é um problema de saúde ocupacional importante porque tende a afetar as pessoas que desempenham tarefas que implicam o uso frequente das mãos e aqueles movimentos repetitivos. Sintomas e diagnóstico Os principais sintomas dos dedos em gatilho são: Inicialmente, dor na base dos dedos afetados , especialmente quando estes são movimentados ou pressionados. Dedos rígidos e bloqueados em flexão e estalidos dolorosos na tentativa de extensão, responsáveis pelo movimento súbito característico de ressalto, que dá o nome à doença. Podem estar presentes nódulos inflamados na base dos dedos atingidos. Quando a doença está mais avançada e é mais grave pode haver dor na mão, mesmo sem movimento, e os dedos atingidos podem ficar presos em flexão. Com o tempo deixa de ser possível dobrar ou endireitar completamente os dedos, com consequente rigidez articular condicionando recuperação mais demorada e difícil. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseando-se na história e sintomas dos doentes e no exame realizado pelo médico. A apresentação é de tal modo característica, quando o quadro clínico está totalmente instalado, que o diagnóstico pode ser feito de imediato na consulta, raramente sendo necessários exames adicionais de imagem. Tratamento do dedo em gatilho Há várias opções de tratamento da tenossinovite estenosante. A sua escolha depende da gravidade do problema e das particularidades de cada pessoa. Repouso Evitando as atividades que promovem a inflamação dos tendões podendo recorrer-se a ortóteses (talas de imobilização), geralmente utilizadas na crise inicial e de forma transitória. Medicamentos Para diminuir a dor e a inflamação, que habitualmente aliviam os sintomas, mas não resolvem o problema de base. Infiltrações locais de corticosteroides Opção de recurso e utilização única, pelo risco de complicações, nomeadamente de rutura do tendão a prazo. Cirurgia Para libertação da estenose da bainha tendinosa, é geralmente realizada pela cirurgia plástica ou ortopedia, em ambulatório e sob anestesia local. Trata-se de uma intervenção minimamente invasiva, feita através de pequena incisão na palma da mão, que é curativa e permite a retoma da função de tendão e do dedo respetivo de forma imediata. Por estes motivos é encarada geralmente como primeira opção terapêutica de dedos em gatilho cuja crise se prolonga por mais de 2 semanas apesar da terapêutica médica ou nos casos de crises repetidas. As pessoas com ocupações profissionais que impliquem principalmente tarefas manuais, necessitam de 2 a 3 semanas de recuperação, antes de retomar a atividade profissional. Deverá ser considerada a mudança de hábitos ou de posto de trabalho para evitar o envolvimento de outros dedos, que de outra forma é praticamente inevitável. Conheça a equipa clínica de cirurgia plástica, reconstrutiva e estética da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.