08 de junho de 2022 A deglutição, ou engolir , faz parte do processo digestivo e tem como objetivo o movimento do bolo alimentar desde a boca até ao estômago. É um mecanismo complexo, que envolve múltiplas ações rápidas (de frações de segundo), nas quais intervêm diversos grupos musculares coordenados por 5 nervos cranianos, que, por sua vez, são comandados pelos centros cerebrais. A integridade de todas estas estruturas é fundamental para que a deglutição decorra normalmente. A deglutição tem 3 fases : Oral ou bucal : movimento do bolo alimentar da boca para a orofaringe; Faríngea : movimento do bolo alimentar da orofaringe para o esófago; Esofágica : movimento do bolo alimentar do esófago até ao estômago. A fase oral da deglutição é voluntária (depende da vontade), mas as restantes são automáticas. Na fase faríngea, a primeira das fases involuntárias, é desencadeado o mecanismo que impede a entrada de alimentos na laringe (sistema respiratório) durante a deglutição: a laringe sobe 2 cm, a base da língua desce, a epiglote bascula para baixo e as cordas vocais encerram a entrada da via aérea. Com exceção dos bebés, no Homem as vias aérea e digestiva não estão separadas. Por isso, são necessários os mecanismos referidos, que impedem o desvio de alimentos para o sistema respiratório (entrada na laringe) durante a deglutição. Nos bebés, a posição alta da laringe separa as duas vias e permite comer e respirar simultaneamente. Na fase esofágica da deglutição, também involuntária, o bolo alimentar move-se do esófago até ao estômago à custa, principalmente, da contração e relaxamento de músculos da parede do esófago que criam os chamados movimentos peristálticos. Os músculos acima do bolo alimentar contraem-se e esta contração vai-se propagando e empurrando o bolo alimentar. Simultaneamente, os músculos abaixo do bolo alimentar relaxam, facilitando o seu movimento. Disfagia Disfagia significa alteração ou dificuldade na deglutição . A disfagia pode estar associada a qualquer uma das fases da deglutição referidas, depende das estruturas que tenham a sua função comprometida. Assim, a disfagia pode ser: Orofaríngea , relacionada com as fases oral e faríngea da deglutição; Esofágica , relacionada com dificuldade de passagem do bolo alimentar no esófago. A disfagia orofaríngea é um problema ainda pouco reconhecido, muitas vezes subestimado e poucas vezes diagnosticado. Frequentemente é até pouco valorizado pela própria pessoa, mas pode ter consequências potencialmente devastadoras. Quando não tratada atempadamente, pode ter como complicação uma pneumonia por aspiração, com risco de vida, quando passam alimentos ou líquidos para a via respiratória. Assim, sintomas persistentes como dor, tossir ou engasgar ao engolir, acumulação de saliva na boca , mesmo que ligeiros, não devem ser desvalorizados. O diagnóstico e o tratamento deve ser feito pela ação de uma equipa multidisciplinar especializada que tenha também como objetivo a sensibilização dos restantes profissionais envolvidos. Quando recorrer a um médico otorrinolaringologista Devem ser procurados os cuidados médicos de um otorrinolaringologista quando há alterações da deglutição: No contexto de doença oncológica ou de sequelas do seu tratamento; Em estados após acidente vascular cerebral ou traumatismos crânio-encefálicos ; Associadas a doenças degenerativas, doenças neurológicas, paralisia laríngeas ; Em situações de emagrecimento , malnutrição , engasgamento frequentes ou possibilidade de pneumonias de aspiração (com alerta perante tosse e febre mesmo que baixa). Este artigo foi escrito pela equipa de otorrinolaringologia do Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.