21 de abril de 2020 Autora : Ana Margarida Baptista A depressão é uma perturbação mental muito comum. No entanto, por vezes, pode passar despercebida e não ser diagnosticada, o que se deve a duas razões principais: A falta de reconhecimento da depressão como doença; Os sintomas serem erroneamente atribuídos a outras causas, por exemplo doenças físicas, stress, entre outras. Atualmente existem numerosos meios terapêuticos para o tratamento da depressão, que permitem, na maioria dos doentes: Compensar os sintomas durante as crises; Ajudar a evitar as recaídas, na maioria dos doentes. Saiba o que é a depressão e quais são os sintomas e conheça as principais modalidades disponíveis para o seu tratamento. O que é a depressão enquanto doença? A depressão é uma perturbação mental persistente que afeta negativamente a forma como a pessoa se sente, pensa e age. Provoca sentimentos de tristeza e/ou perda de interesse e prazer nas atividades lúdicas habituais e diminui de forma significativa a capacidade funcional da pessoa, quer a nível profissional, quer a nível social. A depressão induz assim um sofrimento intenso, podendo conduzir, em última instância, ao suicídio. A depressão é assim diferente das flutuações do humor reativas aos acontecimentos e desafios do dia-a-dia. Habitualmente estas flutuações ocorrem num curto período de tempo e não afetam a capacidade funcional da pessoa. Quais são as causas da depressão? Esta perturbação mental é habitualmente multifatorial, o que significa que resulta de uma interação complexa entre fatores biológicos, sociais ou ambientais e psíquicos. Os familiares de primeiro grau de indivíduos com depressão grave têm um risco 2 a 4 vezes superior de desenvolver esta perturbação em relação à população geral. Os acontecimentos de vida adversos, por exemplo divórcio, desemprego ou perda de alguém querido, são um conhecido fator precipitante de depressão grave. Algumas características da personalidade, como a baixa autoestima, o pessimismo ou níveis elevados de autocrítica também aumentam o risco de desenvolver depressão. Quais são os seus sintomas principais? Os sintomas de depressão são numerosos e podem incluir: Tristeza persistente; Perda de interesse ou prazer nas atividades lúdicas habituais; Alterações do apetite, com aumento ou diminuição de apetite; Alterações do sono, com insónia ou pelo contrário aumento da necessidade de dormir; Perda de energia ou iniciativa ou sensação persistente de cansaço; Lentificação motora ou do discurso; Sentimentos de culpa ou incapacidade/desvalorização; Dificuldades de concentração e em tomar decisões; Pensamentos sobre a morte ou ideação suicida; Sintomas físicos persistentes como dores de cabeça, problemas gastrointestinais que não respondem ao tratamento convencional. A gravidade da depressão é variável? O número de sintomas de depressão e a sua intensidade variam de pessoa para pessoa. Por isso, os episódios depressivos não são sempre iguais e podem ser classificados como: Ligeiros; Moderados; Graves. Para ser estabelecido o diagnóstico de depressão os sintomas têm de estar presentes durante um período mínimo de 2 semanas. Por exemplo, uma pessoa com um episódio depressivo ligeiro terá provavelmente alguma dificuldade em manter a sua atividade profissional e social habitual, mas não ficará completamente incapaz de as exercer. Já uma pessoa com um episódio depressivo grave, muito provavelmente será incapaz de continuar a exercer a sua atividade profissional ou outras atividades sociais habituais. Esta incapacidade global deve-se não só com a incapacidade cognitiva, mas também com a falta de interesse e de prazer em realizá-las. Em casos graves, a vida deixa de fazer sentido, de ter um propósito, a simples existência torna-se penosa e o doente contempla seriamente a possibilidade de suicídio. É importante reconhecer que estes quadros clínicos não são uma “fraqueza“ daquela pessoa em particular, mas sim que se trata de um perturbação mental e como tal deve ser providenciada ajuda médica e terapêutica adequada. Qual a diferença entre depressão e luto? Na depressão, todos os pensamentos são negativos e dominam claramente o espaço mental do doente. No luto, habitualmente a autoestima está preservada, enquanto na depressão são muito frequentes os sentimentos inadequados de desvalorização e de culpa. No luto, é frequente as pessoas apresentem tristeza e/ou diminuição do interesse nas atividades lúdicas habituais. No entanto estes sentimentos são limitados no tempo e são descritos também sentimentos positivos acerca das memórias que têm desse alguém querido. Pelo contrário, na depressão tristeza e/ou diminuição do interesse nas atividades lúdicas são persistentes. O processo de luto pode conduzir a depressão, mas neste caso o quadro clínico assume as características de depressão que são diferentes de um processo de Luto simples: Cognição fortemente dominada por pensamentos negativos; Ausência de prazer nas atividades lúdicas habituais; Ideias hipervalorizadas de culpa ou desvalorização. A distinção entre luto e depressão é determinante para a identificar os problemas e estabelecer o tratamento adequado. O diagnóstico precoce facilita e determina uma recuperação e reabilitação funcional eficaz. Como se trata a depressão? A grande maioria das pessoas deprimidas melhora substancialmente com um tratamento apropriado. A escolha do tratamento depende: Gravidade do quadro clínico; Preferência do doente; Presença ou não de outras doenças. De uma forma geral, os quadros depressivos de intensidade moderada a grave exigem a associação de: Psicoterapia cognitivo comportamental Resumidamente, a terapia cognitivo-comportamental é uma forma de psicoterapia que nestas situações é focada no momento atual do doente e na resolução dos problemas atuais. Como tal, ajuda o doente a reconhecer padrões distorcidos de pensamento e a alterá-los, bem como aos correspondentes padrões de comportamento a eles associados. Tratamento com medicamentos Existem atualmente muitos medicamentos, antidepressivos e outros, que permitem adequar a terapêutica farmacológica às características da depressão de uma pessoa em particular e às suas características biológicas, por exemplo antecedentes pessoais e familiares, doenças atuais e pré-existentes. Após a remissão dos sintomas é necessário manter esta associação de psicoterapia cognitivo comportamental e tratamento com medicamentos durante alguns meses, em alguns casos mesmo definitivamente, para prevenir recorrência da doença. Outras opções de tratamento Em casos mais graves, que não respondem às modalidades terapêuticas referidas e que são uma franca minoria dos casos, podem ser uma opção as técnicas de eletroestimulação, que permitem recuperar ainda uma parte significativa destes doentes com depressão. Entre as técnicas de eletroestimulação estão, por exemplo: Estimulação do nervo vago; Estimulação elétrica transcraneana; Eletroconvulsivoterapia. Qual é a importância da depressão na população mundial? De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde mais de 264 milhões de pessoas de todas as idades sofrem de depressão. A prevalência de depressão na população em geral é de 5% e é duas vezes mais frequente nas mulheres que nos homens. Conheça a equipa de psiquiatria da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.