12 de fevereiro de 2021 Autora : Carolina Faria O principal objetivo do tratamento da diabetes é garantir o controlo da glicemia (nível de glucose no sangue), de forma a reduzir as complicações da doença. Evitar as hipoglicemias é outro dos objetivos do tratamento da doença. O valor médio da glicemia nos últimos 2-3 meses é determinado através do doseamento de hemoglobina glicosilada, também chamada hemoglobina glicada, hemoglobina A1c, ou HbA1c, e que é hemoglobina (o pigmento que existe nos glóbulos vermelhos do sangue que transposta oxigénio) ligada a glucose. Valores de hemoglobina glicada abaixo de 5,8% são considerados normais; Entre 5,8% e 6,4% indicam uma pré-diabetes; Um valor igual ou maior que 6,5% é sugestivo de diabetes. As sociedades científicas definiram valores objetivo para a hemoglobina glicada em pessoas com diabetes e em tratamento , significando estes que a diabetes está controlada, e que são: HbA1c < 7%, sem hipoglicemias para a generalidade das pessoas; HbA1c < 8%, em pessoas com esperança média de vida limitada, muitos anos de doença, elevado risco de hipoglicemia, várias comorbilidades, nomeadamente doença cardiovascular estabelecida. Atualmente existem dispositivos que permitem medir a glucose de forma contínua ou várias vezes ao dia sem necessidade de sangue (Libre®), sendo possível calcular o “tempo no alvo” , isto é, o tempo que uma pessoa com diabetes apresenta glicemias dentro do intervalo considerado ideal para si. Uma percentagem de “tempo no alvo” superior a 70% é sugestiva de bom controlo glicemico. No tratamento da diabetes, e pelos riscos de doenças cardiovasculares associados a esta doença , é também importante controlar outros fatores que representem risco cardiovascular , como: Cessação tabágica; Controlo da hipertensão; Controlo dos níveis de coolesterol; Utilização de anti-agregantes plaquetários em pessoas de grande risco cardiovascular. Tratamento da diabetes com antidiabéticos orais Os antidiabéticos orais são a primeira linha no tratamento das pessoas com diabetes tipo 2 . Podem ser usados de forma isolada ou em combinação. Nos últimos anos têm surgido no mercado vários antidiabéticos orais que além de controlarem a glucose conferem proteção cardiovascular e renal e têm um perfil favóravel em termos de impacto na pressão arterial, peso e colesterol. As principais classes de antidiabéticos orais são: Biguanidas; Inibidores da alfa-glicosidase; Glitazonas; Sulfonilureias; Inibidores DPP-4; Análogos GLP-1; Inibidores SGLT-2. Tratamento da diabetes com insulina A insulina é o medicamento usado no tratamento da diabetes em todas as pessoas com diabetes tipo 1 e em algumas pessoas com diabetes tipo 2. Tipos de insulina Antes da descoberta da insulina (que ocorreu em 1921), as pessoas com diabetes mellitus tipo 1 (ou diabetes dependente da insulina) invariavelmente morriam. Durante muito tempo existiu apenas insulina derivada de insulina extraída de animais . A investigação nesta área permitiu, mais tarde, a síntese laboratorial de insulina que é em tudo semelhante à que é produzida pelo homem: é a chamada insulina humana . Nesta insulina humana foram depois feitas modificações que permitiram distinguir a insulina humana em insulina de absorção rápida e insulina de absorção intermédia. Insulinas humanas de absorção rápida – insulina actrapid, insulina regular A sua ação inicia-se cerca de 30 minutos após a sua administração, atinge o efeito máximo após 1,5-3 horas e a duração de ação é de aproximadamente 7-8 horas. Insulinas humanas de absorção intermédia – insulina insulatard, insulina humulin NPH, insulina basal A sua ação inicia-se cerca de 2 horas após a administração, atinge o pico cerca de 6-8 horas depois e a duração total de ação é de 12-14 horas. Mais recentemente, com a recombinação genética tornou-se possível produzir insulinas artificiais e obtiveram-se assim os análogos de insulina . Entre estes, destacam-se os análogos de absorção ultra-rápida, rápida e lenta. Análogos de insulina de absorção rápida – insulina lispro (Humalog®), insulina asparte (NovoRapip®), insulina gluisina (Apidra®) e análogos de insulina de absorção ultra-rápida – insulina asparte (Fiasp®) Iniciam a sua atividade cerca de 15 minutos após a administração, o pico de ação ocorre cerca de 1-2 horas depois e a duração total de ação é de 6 horas. Análogos de insulina de absorção lenta – insulina glargina (Lantus®, Abasaglar®, Toujeo®), insulina detemir (Levemir®), insulina degludec (Tresiba®) Têm uma uma duração de ação de cerca de 24-48 horas. Iniciam a sua ação cerca de duas horas após a sua administração e não apresentam um pico de ação significativo. Entre as insulinas disponíveis também se encontram insulinas de mistura que combinam insulinas de ação rápida e de ação intermédia. Sistemas de infusão continua de insulina subcutânea ou “bombas de insulina” Estes sistemas “injetam” insulina de forma contínua imitando o funcionamento do pâncreas . As primeiras bombas de insulina surgiram nos anos 1980 e, com o avançar da ciência, foram tornando-se mais pequenas e cómodas. Possuem um sistema de infusão que consiste num cateter, inserido debaixo da pele, uma cânula que fica “colada” à pele e um tubo ligado ao aparelho em si. Normalmente, o sistema é colocado na zona abdominal e o cateter deve ser mudado de sítio a cada 2 a 3 dias. No entanto, as coxas ou os braços são outros locais onde se pode colocar o sistema de infusão. As bombas de insulina destinam-se sobretudo a pessoas com diabetes tipo 1 . Conheça a equipa de endocrinologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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