Atualização | 4 de novembro de 2024 Autora: Diana Coelho Diabetes gestacional é a diabetes que é diagnosticada durante a gravidez em mulheres sem diabetes prévia . Deve-se a uma incapacidade para produzir a insulina suficiente para controlar os níveis de glucose no sangue que resultam do aumento das necessidades durante a gravidez. É mais frequente no segundo e terceiro trimestres da gravidez. Na maioria dos casos desaparece depois do parto. A importância do diagnóstico e tratamento da diabetes gestacional deve-se às complicações maternas e fetais associadas. A diabetes gestacional ocorre como consequência de alterações hormonais durante a gravidez e pode afetar entre 5%-15% das gestantes. A sua prevalência tem vindo a aumentar devido ao aumento da idade materna e ao aumento do excesso de peso e obesidade na população em geral. Fatores de risco Qualquer grávida pode desenvolver diabetes gestacional, mas o risco é maior numa grávida: Com mais de 35 anos; Com excesso de peso ou obesa; Com aumento de peso excessivo durante a gravidez; Com história de diabetes em familiares diretos (por exemplo, pais ou irmãos); Com antecedentes de gestações com diabetes gestacional e/ou bebés com peso elevado ao nascer (>4000g). Mulheres de origem africana, sul-americana ou asiática Sintomas e diagnóstico de diabetes gestacional Muitas grávidas com diabetes gestacional não têm sintomas específicos e o diagnóstico é feito pelos resultados das análises realizadas durante a gravidez. Quando há sintomas, os mais frequentes são: Boca seca e aumento da sede; Necessidade de urinar mais frequente; Cansaço; Alterações da visão; Prurido na área genital. No entanto, estes sintomas não são específicos de diabetes gestacional e são comuns durante a gravidez . Existem diferentes critérios de diagnóstico de diabetes gestacional, de acordo com as diferentes sociedades científicas. Em Portugal, o diagnóstico é feito em duas fases : No primeiro trimestre de gravidez é feita uma pesquisa de glicemia em jejum; Entre as 24 e as 28 semanas de gestação é feita uma prova de tolerância à glucose oral. Uma destas provas alteradas fará o diagnóstico de possível diabetes gestacional. Complicações da diabetes gestacional As principais complicações da diabetes gestacional são: Bebés com excesso de peso , o que está associado a maior risco de: Parto prolongado e difícil; Lesões da mãe e do bebé; Necessidade de parto instrumentado (fórceps e ventosa); Necessidade de induzir o parto; Necessidade de realizar uma cesariana; Parto prematuro. Polihidrâmnios (líquido amniótico em excesso) , que está associado a maior risco de parto prematuro e complicações durante o parto. Pré-eclâmpsia , que pode dar origem a hipertensão durante a gravidez e complicações durante o parto. Icterícia neonatal , com necessidade de tratamento hospitalar; Hipoglicemia do recém-nascido ; Desenvolvimento posterior de diabetes tipo 2 nas mães ; Mais raramente, aborto . Bebés grandes filhos de mães com diabetes gestacional têm também um maior risco de desenvolver diabetes e obesidade ao longo da vida. Tratamento e controlo da diabetes gestacional Quando é diagnosticada diabetes gestacional, devem ser implementadas medidas para controlar os níveis de glucose no sangue e, assim, reduzir a probabilidade de complicações. A grávida deverá ter um acompanhamento mais frequente, idealmente por uma equipa multidisciplinar , nomeadamente, pelo seu obstetra , por um endocrinologista , por um nutricionista e por uma enfermeira especialista em saúde materna. Devem iniciar uma monitorização regular dos níveis de glucose (antes e 1 hora após as refeições) com dispositivos próprios, que podem ser de vários tipos, desde os que permitem determinar os níveis de glucose a partir de sangue de uma picada no dedo até aos de monitorização contínua da glicose, dependendo das particularidades de cada caso. As primeiras medidas para controlar os níveis de glicose são intervenções a dois níveis: Dieta , com refeições ingeridas em intervalos regulares, que incluam maior proporção de alimentos com menor índice glicémico e mais fibra (por exemplo, massa e arroz e outros cereais integrais, leguminosas, entre outros), vegetais e frutos inteiros, fontes proteicas magras (carnes e peixes magros) e excluam alimentos e bebidas açucaradas, de elevado teor de gordura e índice glicémico elevado. Atividade física , uma vez que o exercício ajuda a regular a glicemia. O exercício deve ser planeado devidamente tendo em consideração a gravidez, os objetivos e as particularidades da grávida, especialmente quando esta não praticava exercício previamente. Quando estas intervenções não são suficientes, pode haver necessidade de tratamento com antidiabéticos orais ou com insulina . Na maioria dos casos, depois do parto a glicemia estabiliza . Todas estas mulheres deverão fazer uma prova de reclassificação, 6 a 8 semanas após o parto, que consiste novamente numa prova de tolerância à glicose oral. Pelo risco aumentado de recorrência desta situação numa gestação futura, ou de vir a desenvolver diabetes tipo 2, estas mulheres devem manter estilos de vida saudáveis e manter vigilância médica mais frequente. Conheça a equipa clínica de ginecologia-obstetrícia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. 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