7 de agosto de 2023 Autora : Isabel Carvalho A deglutição (engolir) é um mecanismo complexo que envolve o transporte de alimentos sólidos, de líquidos e de saliva desde a boca até estômago. É a primeira fase do processo digestivo e garante uma adequada nutrição e hidratação. Há várias circunstâncias nas quais a deglutição pode estar comprometida. À dificuldade em engolir ou dificuldade de deglutição dá-se o nome de disfagia . A disfagia orofaríngea é a dificuldade de engolir relacionada com as fases oral ou faríngea da deglutição, ou seja, com o movimento dos alimentos e saliva entre a boca e a faringe. A disfagia orofaríngea afeta: 10%-33% dos idosos; 50%-70% das pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral (AVC). Geralmente é causada por uma disfunção neuromuscular que interfere na coordenação dos músculos envolvidos no ato de engolir. Sintomas e diagnóstico Os sintomas de disfagia , dependendo da gravidade da situação, podem incluir: Dificuldade em iniciar a deglutição; Sensação de “entalamento” durante a passagem do alimento; Tosse; Engasgos frequentes; Dor ao engolir; Perda de peso inexplicada. Estes sintomas podem levar a diversas complicações, por exemplo: Desnutrição; Desidratação; Pneumonia por aspiração; Diminuição da qualidade de vida. O diagnóstico da disfagia orofaríngea é realizado por meio de uma avaliação clínica detalhada , que envolve: Conhecer o historial médico do doente; Realizar um exame físico, particularmente centrado nas estruturas envolvidas na deglutição; Fazer testes de deglutição; Em alguns casos, fazer exames de imagem, como a videoendoscopia da deglutição (VED). A VED é um procedimento endoscópico seguro que utiliza um pequeno tubo flexível - o nasofibroscópio -, que é inserido pelo nariz até à região da garganta. Permite visualizar as estruturas envolvidas na deglutição e eventualmente observar alterações anatómicas ou funcionais na região da garganta que podem contribuir para a disfagia. Tratamento da disfagia orofaríngea Uma vez diagnosticada uma disfagia orofaríngea, há que identificar a causa para determinar o tratamento mais adequado . Na maioria dos casos a disfagia deve ser tratada por uma equipa multidisciplinar envolvendo: Médicos, em geral otorrinolaringologistas; Terapeutas da fala; Nutricionistas. Dependendo da causa e da gravidade da disfagia, podem ser adotadas várias abordagens terapêuticas , incluindo: A adequação das texturas e consistências dos alimentos para facilitar a deglutição; O treino com realização de exercícios e manobras específicas para fortalecer os músculos envolvidos na deglutição e melhorar a coordenação; A aplicação de estímulos táteis, gustativos e olfativos para melhorar a resposta sensorial durante a deglutição e facilitar o reflexo de engolir; A instituição de tratamento farmacológico (com medicamentos) para controlar sintomas que possam estar associados, como o refluxo faringo-laríngeo. Em resumo… A disfagia orofaríngea interfere com a passagem segura dos alimentos, líquidos e saliva e é uma condição que compromete a capacidade de engolir de forma segura e eficiente. Com um diagnóstico precoce e um tratamento adequado, é possível melhorar a qualidade de vida dos doentes e minimizar os riscos associados a essa condição. A abordagem terapêutica deve ser determinada com base nas particularidades de cada pessoa, considerando a causa e a gravidade da disfagia e envolver uma equipa multidisciplinar de profissionais de saúde. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.