8 de março de 2019 Autor: Bruno Graça A disfunção erétil é uma disfunção sexual masculina que se caracteriza pela incapacidade persistente em obter ou manter uma ereção peniana que permita um desempenho sexual satisfatório. Quem pode sofrer de disfunção erétil? É mais comum nas idades mais avançadas , mas pode ocorrer em qualquer faixa etária. Um estudo realizado em Portugal, mostrou que até 50% dos homens entre os 40 e os 70 anos apresentavam algum grau de disfunção erétil, podendo, essa percentagem, atingir os 85% acima dos 75 anos. Está reconhecido que a disfunção erétil resulta numa diminuição importante da qualidade de vida , no doente e na sua parceira. Quais são as causas da disfunção erétil? A ereção peniana é o resultado de um fenómeno neurovascular que ocorre num ambiente hormonal e psicológico favorável . Desta forma, é necessária a integridade de todos os sistemas intervenientes. O desenvolvimento e a manutenção de uma ereção normal requerem a ativação de vias neurológicas que: Relaxam o músculo liso trabecular; Aumentam o fluxo sanguíneo no corpo cavernoso (através das artérias cavernosas); Reduzem o retorno venoso colapsando as veias e permitindo assim a ereção. Estas vias neurológicas são ativadas pelo cérebro , através de diferentes estímulos táteis, visuais, entre outros. São também modificadas por estímulos psicológicos, como o desejo sexual e o ambiente hormonal, como a testosterona . Assim, alterações a qualquer um desses fatores que permitem a ereção, podem levar a disfunção erétil. As principais causas de disfunção erétil são: Psicogénicas – por exemplo, a ansiedade e a depressão; Vasculares – por exemplo, a obstrução das artérias cavernosas; Neurológicas – por exemplo, a secção cirúrgica dos nervos cavernosos; Anatómicas – por exemplo, a curvatura grave do pénis; Hormonais – por exemplo, o baixo nível de testosterona; Induzida por fármacos – por exemplo, os antidepressivos e alguns os hipotensores; Mista – por exemplo, vascular e psicogénica ao mesmo tempo. Quais são os fatores de risco para a disfunção erétil? São fatores de risco para a disfunção erétil: Envelhecimento; Obesidade; Diabetes mellitus ; Dislipidemia; Hipertensão arterial; Tabagismo; Doença cardiovascular; Sedentarismo; Alguns medicamentos. Como se faz o diagnóstico da disfunção erétil? A avaliação diagnóstica inicia-se com a obtenção de uma história psicossexual o mais completa possível. Esta deve incluir: A descrição dos hábitos sexuais; O início e duração da disfunção; Os tratamentos prévios; Os resultados obtidos. Podem ser utilizados questionários de auto-resposta, de que é exemplo o índice internacional da função erétil (IIFE). É necessário distinguir se se trata de uma disfunção erétil circunstancial (p.e., apenas com um determinado tipo de estimulação) ou generalizada , ou seja, que se manifesta em todas as situações. Os procedimentos de diagnóstico incluem a avaliação da tolerância do doente ao exercício , de modo a obter orientação para uma eventual avaliação cardiológica e correção de fatores de risco. Os exames laboratoriais mais utilizados são: A determinação da testosterona total; A determinação da glicemia; A determinação do perfil lipídico. Outros exames de diagnóstico que podem ser realizados são: A injeção peniana de vasodilatador; O eco- doppler das artérias cavernosas. Qual é o tratamento da disfunção erétil? Na maioria dos casos, é possível tratar eficazmente a disfunção erétil, não ocorrendo, no entanto, a cura definitiva. Devem ser adotadas alterações do estilo de vida , promovendo a prática de exercício físico regular, perda de peso e a suspensão do tabagismo. Também se deve fazer o controlo de doenças existentes que possam afetar os vasos sanguíneos e nervos que existem no pénis (p.e., diabetes mellitus e dislipidemia). Preferencialmente, deverá ser envolvida a parceira na abordagem terapêutica , de modo a aumentar a adesão, satisfação e cumplicidade do casal no tratamento. Opções terapêuticas para a disfunção erétil: A terapêutica farmacológica de primeira linha é constituída por fármacos de administração oral, com elevada taxa de sucesso. As terapêuticas de segunda linha são constituídas por métodos mais invasivos e menos cómodos , como; A aplicação de dispositivo de vácuo; A injeção peniana de fármaco vasodilatador; A aplicação de comprimido ou creme uretral. A terapêutica de terceira linha é constituída pela prótese peniana , que resulta numa ereção artificial com rigidez que permite a penetração e o controlo da duração da relação sexual. Em alguns casos, o tratamento experimental com ondas de choque de baixa intensidade , pode também ser uma opção eficaz. Em suma: Encarar a disfunção sexual como um tabu - para o próprio, dentro da relação ou para o médico de família - torna-a um problema subdiagnosticado e não tratado. No entanto, estamos numa época em que existem várias opções terapêuticas disponíveis e eficazes. Por outro lado, existe uma evidência cada vez mais importante de que a disfunção erétil pode ser uma manifestação inicial de doença coronária e doença vascular periférica. Tal, pode ser um sinal de doença cardiovascular não diagnosticada. Conheça a equipa de urologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. 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