11 de março de 2019 Estas pequenas dilatações saculares formam-se por exteriorização ou herniação da camada mucosa e da serosa do cólon, através da camada muscular da parede deste órgão. Em regra, os divertículos são de pequena dimensão , desde alguns milímetros até poucos centímetros. Podem ser únicos ou estar presentes em número elevado (várias centenas). Qualquer estado patológico causado pela presença de divertículos é designado doença diverticular. Em muitos casos, a presença de divertículos é conhecida acidentalmente, por não estar associada a qualquer sintoma, situação que é designada diverticulose . Quais são as principais causas dos divertículos no cólon? As principais causas da diverticulose incluem: Alterações da motilidade e da resistência da parede do cólon; Escassez de alimentos fibrosos na dieta. Esta escassez está associada a uma maior consistência das fezes presentes no cólon . Tal, obriga a camada muscular da sua parede a um esforço acrescido para as movimentar. Com o passar do tempo, este esforço debilita os músculos e favorece a formação dos divertículos , especialmente, nos locais em que os vasos penetram na parede do cólon, pois são já naturalmente mais fracos. Embora sejam mais frequentes no cólon descendente e no cólon sigmoide, os divertículos podem aparecer em qualquer ponto deste órgão. Quem pode ser afetado por divertículos do cólon e quais são os fatores de risco? A diverticulose é um problema comum nos países ocidentais , afetando cerca de 30% a 50% da população, embora em muitos casos, não se manifestem sintomas. Atinge, igualmente, os homens e as mulheres e a sua prevalência aumenta com a idade. Entre os fatores de risco da doença diverticular encontram-se: A obesidade; O sedentarismo; Os tratamentos prolongados com corticosteroides; O consumo de álcool e tabaco. Quais são os sintomas causados pela presença de divertículos do cólon? A diverticulose não complicada, regra geral, é assintomática . Os sintomas surgem no contexto da ocorrência de 1 das 3 complicações conhecidas da diverticulose: Hemorragia : perda de sangue com as fezes, que pode ser de cor vermelho vivo (mais frequente) ou vermelho escuro. Mais frequentemente tendem a ser hemorragias importantes; Perfuração : dor abdominal muito intensa e insuportável. Habitualmente, obriga ao recurso imediato a uma urgência hospitalar. Causa frequentemente uma peritonite generalizada e é, na maioria das vezes, uma urgência cirúrgica. Por vezes, a perfuração é controlada pelas defesas do doente e, nesta circunstância, evolui para uma diverticulite. Diverticulite (a complicação mais frequente): os sintomas mais frequentes são Dor abdominal (habitualmente no quadrante inferior esquerdo) contínua ou de tipo cólica; Alterações dos hábitos intestinais (diarreia ou obstipação) Sensação de distensão abdominal. Estes sintomas dependem da gravidade da doença e das complicações possíveis que estejam presentes (abcessos, fístulas, infeções, perfuração da parede do cólon, obstrução intestinal). Assim, a sintomatologia pode variar desde manifestações pouco importantes localizadas na zona afetada, até sintomas característicos de uma infeção intra-abdominal. Outras manifestações possíveis incluem: Febre e obstipação alternando com diarreia; Anorexia (perda de apetite); Náuseas; Vómitos. Um processo mais grave é traduzido em regra também pela presença de: Dor em toda a região abdominal,; Febre elevada acompanhada de calafrio; Paragem de emissão de gases e fezes. Como se faz o diagnóstico da doença diverticular? O diagnóstico da doença diverticular é feito com base: Na história clínica; Nos sintomas presentes; No exame físico do doente; Em exames complementares de diagnóstico que se considerem necessários (radiografia, ecografia ou TAC abdominal). Um clister opaco e/ou colonoscopia serão sempre realizados, mas devem ser evitados na fase aguda ou quando há suspeita de uma pe perfuração. Poderão ainda, estar indicados outros exames para eliminar a possibilidade de doenças com sintomas semelhantes aos da doença diverticular. Como se trata a doença diverticular? O tratamento da doença diverticular depende da sua gravidade e das complicações presentes. Na diverticulite aguda sem complicações e com sintomas pouco importantes poderá bastar um tratamento com medicamentos (antibióticos), associado a alterações da dieta, não sendo necessário internamento. Já os doentes com dor mais intensa ou progressiva, febre ou intolerância alimentar têm, em regra, indicação para: Internamento hospitalar; Hidratação com soros; Antibioterapia intravenosa. Quando é aconselhado o tratamento cirúrgico? Alguns destes doentes poderão vir a ter necessidade de um tratamento cirúrgico programado. Entre estes incluem-se: Os doentes que não respondem ao tratamento médico; Os doentes com crises recorrentes; Os doentes com uma crise prévia, em que tenha havido suspeita de perfuração de um divertículo, de obstrução intestinal ou de envolvimento inflamatório de um órgão vizinho como a bexiga, com a presença de uma fístula; Os doentes em que não seja possível excluir com segurança a existência de cancro do cólon; Os doentes com menos de 50 anos de idade que tenham tido um episódio prévio com necessidade de internamento hospitalar. Nestes doentes, a operação a realizar consiste na remoção do segmento de cólon afetado , com reconstrução imediata do trânsito intestinal, ou seja, sem necessidade de uma colostomia temporária. Na diverticulite aguda complicada pode ser necessária uma operação com caráter de urgência . O tipo de operação a realizar depende de vários fatores, nomeadamente: Do estado clínico do doente; Das complicações presentes; Da sua gravidade. A intervenção cirúrgica mais frequente consiste na remoção do segmento de cólon afetado e na construção de uma colostomia temporária (operação tipo Hartmann), seguida de reconstrução do trânsito intestinal 2 a 3 meses depois. Em alguns casos, pode ser possível optar pela remoção do segmento de cólon afetado com reconstrução do trânsito intestinal no mesmo tempo operatório. Como prevenir o aparecimento de divertículos no cólon? Podem ser adotadas algumas medidas para ajudar a prevenir a ocorrência de divertículos e também, nas pessoas com doença diverticular, para tentar evitar episódios de diverticulite ou outras complicações. Estas medidas consistem, essencialmente, em alterações dos hábitos alimentares , com aumento da quantidade de fibras e de líquidos na dieta. As fibras constituem a estrutura dos cereais, das frutas e das verduras. Não são completamente digeridas nem absorvidas pelo que, permanecendo no intestino, para o qual puxam líquido por osmose, conferem volume e forma às fezes . Assim, estimulam o movimento do intestino e resultam na formação de fezes moldadas/moles, fáceis de eliminar. Também a prática regular de exercício físico (p.e., andar a pé diariamente durante cerca de 30 minutos), favorece os movimentos intestinais normais. Os gastrenterologistas e os cirurgiões gerais são os médicos que o podem ajudar no tratamento desta doença. Este artigo foi escrito com o apoio dos médicos e outros profissionais clínicos da Rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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