13 de maio de 2020 Autor : Mário Marques Vieira Estima-se que a doença arterial periférica atinja até 10% da população com 60 anos de idade, aumentado para mais de 15% após os 70 anos. Esta doença caracteriza-se pela obstrução progressiva das artérias, mais frequentemente dos membros inferiores . É responsável pela maioria dos eventos cardíacos (enfarte agudo do miocárdio) e cerebrovasculares (AVC ou acidente vascular cerebral). Assim, nas pessoas com doença arterial periférica, o risco de morte aumenta até 25%. Causas e fatores de risco A causa mais comum da doença arterial periférica é a aterosclerose , uma doença inflamatória que provoca deposição de gordura e cálcio na parede das artérias. Os fatores de risco mais comuns , que podem aumentar até 11 vezes o risco de desenvolvimento da doença, são: Sexo masculino; Hipertensão arterial; Valores elevados de lípidos no sangue ou dislipidemia; Tabagismo; Diabetes; Insuficiência renal crónica. Diagnóstico e tratamento da doença arterial periférica O diagnóstico e tratamento precoce são determinantes para a possibilidade de recuperação e prognóstico da doença. Nas fases iniciais, a doença arterial periférica é geralmente assintomática ou provoca dor na barriga da perna e claudicação com o andar (deambulação), que aliviam com o repouso. Estes sintomas devem-se à isquemia (fluxo de sangue arterial insuficiente) induzida pelo exercício e reversível com o repouso. Em fases avançadas pode haver dor no pé em repouso, por isquemia irreversível, ou mesmo feridas e gangrena. O risco de amputação nestas fases avançadas da doença, aumenta 30% ao ano, sobretudo na presença de infeção. O tratamento pode incluir desde caminhadas regulares e controlo dos fatores de risco, nas fases iniciais, até medicação específica (por exemplo com aspirina, estatinas, antibióticos, entre outros) e tratamento cirúrgico nos casos avançados. Até há poucos anos, os casos graves de doença arterial periférica com indicação cirúrgica eram submetidos a cirurgia clássica, aberta, de “bypass”, para resolução das obstruções em doentes graves. Com o desenvolvimento de técnicas e dispositivos endovasculares passou agora a ser possível tratar muitos desses doentes com intervenções minimamente invasivas . Os resultados destas abordagens são semelhantes aos da cirurgia clássica, mas o risco de morbilidade e mortalidade é inferior. Em doentes diabéticos , nos quais a doença arterial periférica tem uma localização preferencial abaixo do joelho e que muitas vezes não podem ser submetidos a cirurgia aberta, estas novas técnicas minimamente são hoje soluções essenciais e definitivas para o tratamento de feridas, com ótimos resultados imediatos. A evolução em termos de materiais ultra-finos, tecnologias eluidoras de fármaco, stents ultraflexíveis e biomiméticos, acompanhados por dispositivos de imagem de ultima geração, disponíveis na rede Hospital da Luz, aliados às equipas de cirurgia vascular com experiência reconhecida, permite hoje dar resposta e tratar um conjunto vasto de doentes, diminuindo significativamente a taxa de amputação e promovendo a qualidade de vida e a autonomia dos doentes. Conheça a equipa de cirurgia vascular da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.