4 de junho de 2020 Autora : Ana Calado A doença de Parkinson é a segunda doença degenerativa do sistema nervoso central mais comum. Atinge cerca de 6,2 milhões de pessoas em todo o mundo e estima-se que em Portugal possa afetar 22 mil pessoas. Esta doença é mais frequente em pessoas com mais de 60 anos, embora possa atingir qualquer idade. Quando ocorre em pessoas com menos de 50 anos chama-se Parkinson juvenil, que representa cerca de 10% dos casos. É muito rara em crianças e adolescentes. Em casos raros a doença de Parkinson é hereditária, mas, na maioria, a causa da doença é desconhecida embora se pense que existam fatores genéticos e ambientais envolvidos. Quais são os sintomas da doença de Parkinson? Os sintomas iniciais podem ser: Tremor, que é um movimento involuntário rítmico, geralmente em repouso, e que pode envolver várias regiões do corpo tais como as mãos, braços, pernas ou queixo. Nem todos os doentes com Parkinson têm tremor; Rigidez, percetível como os membros e tronco “presos”, falta de flexibilidade dos membros ou das articulações; Bradicinésia, ou seja, lentidão dos movimentos voluntários; Dificuldade em andar. Os sintomas motores ocorrem quando ocorre degeneração (morte celular) numa pequena zona do cérebro, chamada substância nigra , com a consequente diminuição da produção de um neurotransmissor (uma substância química) chamado dopamina. A dopamina é importante para transmitir sinais entre a substância nigra e as outras áreas do cérebro, que são responsáveis por produzir movimentos suaves e coordenados. Na doença de Parkinson podem também surgir sintomas não motores tais como, alterações do olfato, alterações do sono, depressão, ansiedade, dor, fadiga ou obstipação. Com o passar do tempo os sintomas agravam-se lentamente e podem surgir outros sintomas tais como: Instabilidade postural; Dificuldade em manter o equilíbrio; Dificuldade na fala e deglutição; Alterações cognitivas. Diagnóstico e tratamento Não existem exames que possam fazer o diagnóstico da doença de Parkinson . O diagnóstico é feito com base na análise dos sintomas e na observação médica por um especialista da área, habitualmente um médico neurologista. Alguns exames de diagnóstico podem ajudar a descartar outras doenças com sintomas semelhantes ou a suportar o diagnóstico clínico. Atualmente, a doença de Parkinson não tem cura nem existem medicamentos que a possam prevenir. Existem sim terapêuticas que podem melhorar os sintomas : O medicamento mais usado é a levodopa, um fármaco antiparkinsónico muito eficaz na redução dos sintomas motores nas fases iniciais da doença. Existem outros medicamentos que podem ser usados isoladamente ou em associação, tais como os agonistas da dopamina e outros fármacos que atrasam a degradação da dopamina. O exercício e os programas de fisioterapia podem ajudar os doentes a melhorar a sua mobilidade e flexibilidade e tem demonstrado eficácia na melhoria de alguns sintomas. Também existem medicamentos e estratégias que permitem melhorar alguns dos sintomas não motores. A cirurgia de estimulação cerebral profunda pode ser considerada em doentes com doença de Parkinson avançada, quando os medicamentos já não são suficientes para melhorar os sintomas motores. Para as fases avançadas da doença existem outras formas de administrar a medicação que reduzem as complicações e melhoram os sintomas. São exemplos as bombas que libertam agonistas da dopamina (apomorfina) subcutânea (sob a pele). Conheça a equipa de neurologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.