11 de março de 2019 Envolve inicialmente a presença de um abcesso agudo ao nível da pele e, posteriormente, forma-se sob esta uma bolsa ou cavidade preenchida por pelos (sinus pilonidal). Em consequência da reação inflamatória e infeção subsequentes, bem como, da formação de trajetos fistulosos que drenam à superfície da pele de forma intermitente, repetem-se então, episódios de tumefação, dor e supuração. Em raros casos, a doença pilonidal afeta também outros locais do corpo para além do sulco internadegueiro. Quais são as principais causas da doença pilonidal? São consideradas 2 causas possíveis para a doença pilonidal: A penetração e o crescimento de pelos para dentro da pele, com uma reação inflamatória consequente à sua presença estranha; A irritação ou traumatismo dos folículos pilosos, que ficam bloqueados, infetam e formam um abcesso. Ambos os casos podem ser consequentes a circunstâncias que provoquem atrito ou que traumatizem a região como: A utilização de vestuário demasiado justo; A prática de exercícios como o ciclismo ou a equitação, especialmente, em situações de calor. Quem pode ser afetado pela doença pilonidal e quais são os fatores de risco? A doença pilonidal é diagnosticada com maior frequência entre a puberdade e a 4ª década de vida. A sua incidência é mais elevada nos homens , o que pode estar relacionado com o facto de possuírem mais pelos na região. Os pelos são um dos fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento da doença. Entre outros fatores de risco da doença pilonidal , incluem-se: O sedentarismo; As ocupações que obrigam à permanência de períodos longos em posição sentada; A prática de atividades que possam traumatizar a região; A obesidade; Uma irritação ou lesão anterior na mesma área; A falta de higiene; A sudação excessiva. Quais são os sintomas da doença pilonidal? Os sintomas da doença pilonidal incluem a presença na região do sulco internadegueiro de uma saliência , que pode variar desde uma pequena borbulha a uma massa volumosa e dolorosa. Muitas vezes, esta zona drena um fluido que poderá ser transparente, turvo ou sanguinolento. Nos casos de infeção, a área apresenta-se avermelhada e dolorosa, drena pus com cheiro fétido e, podem também, estar presentes sintomas sistémicos, como: Febre; Mal-estar; Náuseas. Como se faz o diagnóstico da doença pilonidal? O diagnóstico da doença pilonidal é feito com base: Na história clínica; Nos sintomas presentes; No exame do doente. Em regra, não são necessários quaisquer exames de diagnóstico. Como se trata a doença pilonidal? O tratamento da doença pilonidal depende da fase da doença. O abcesso agudo , em que a área está tumefacta, dolorosa e drena pus pode resolver-se espontaneamente com redução da inflação e dor por: Tratamento com medicamentos; Incisão e drenagem sob anestesia local ou geral, para remover o pus. Na maioria dos doentes em que já está presente um sinus pilonidal e trajetos fistulosos, com episódios recorrentes de tumefação, dor e supuração, será necessário um tratamento cirúrgico. A abordagem a adotar é variável, desde a abertura e limpeza dos trajetos deixando a ferida aberta , até à sua excisão e eventual encerramento com retalhos cutâneos , mais ou menos complexos. Se a ferida for deixada aberta (cicatrização por 2ª intenção), será necessária a realização frequente de pensos , para controlar a exsudação e para promover a cicatrização do fundo para a superfície. Neste caso, o período de recuperação é, em regra, mais longo , mas a probabilidade de cura definitiva é mais elevada. Nos casos em que se opte pelo encerramento primário ou com recurso a retalhos cutâneos, serão necessários cuidados acrescidos para manter a ferida limpa e seca até a cicatrização estar completa. Os cuidados devem ser redobrados devido à proximidade entre o ânus e a ferida operatória, que favorece a ocorrência de infeções. Em ambos os casos, depois da cicatrização estar completa é de toda a conveniência que a pele em redor da cicatriz seja mantida limpa e sem pelos. Os gastrenterologistas e os cirurgiões gerais são os médicos que o podem ajudar no tratamento desta doença. Este artigo foi escrito com o apoio dos médicos e outros profissionais clínicos da Rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.