21 de março de 2019 O que é a ecoendoscopia digestiva? A ecoendoscopia digestiva associa endoscopia e ecografia, e permite visualizar estruturas do tubo digestivo: Este exame permite visualizar: Parede do esófago; Estômago; Duodeno; Cólon sigmóide; Reto. E ainda, algumas estruturas vizinhas do tubo digestivo: Pâncreas; Vias biliares; Mediastino; Cavidade pélvica. Como é realizada uma ecoendoscopia digestiva? A ecoendoscopia digestiva é realizada com o doente deitado. É introduzido através da boca (ecoendoscopia digestiva alta) ou através do ânus (ecoendoscopia digestiva baixa), um tubo longo e flexível, designado ecoendoscópio . Este tubo tem a particularidade de associar uma sonda de ecografia a uma câmara de vídeo. A sonda irá transmitir imagens endoscópicas e ecográficas ampliadas e de elevada definição, para um monitor presente na sala onde o exame é realizado. Assim, torna-se possível avaliar, através de imagens da ecografia realizada a partir do interior do tubo digestivo, toda a espessura da parede dos segmentos digestivos percorridos pelo ecoendoscópio e ainda, algumas estruturas vizinhas. A ecoendoscopia tem também a vantagem de detetar alterações que não são percetíveis através de outras técnicas. O ecoendoscópio possui ainda componentes que permitem: Colher, de forma indolor, fragmentos de tecido (biópsia); Introduzir ou retirar ar, fluidos e instrumentos necessários para os procedimentos que possam ter que ser realizados. A progressão do ecoendoscópio ao longo dos segmentos digestivos pode causar algum incómodo. Desta forma, a ecoendoscopia digestiva alta é realizada, habitualmente, com apoio anestésico. Por outro lado, regra geral, a ecoendoscopia digestiva baixa não é realizada com apoio anestésico ou sedação. No entanto, de forma individualizada, pode ser necessário realizar o procedimento com esse recurso. Em casos específicos poderão ser administrados antibióticos com objetivos profiláticos. A sedação ou anestesia não implica o internamento da pessoa. Normalmente, a recuperação requer um período de repouso deitado de cerca de 30 minutos , podendo, posteriormente, a pessoa ter alta. Será de toda a conveniência que no dia do exame e seja acompanhado por alguém que lhe possa prestar o auxílio eventualmente necessário. Em alguns casos específicos, a ecoendoscopia poderá ter que ser realizada em internamento. Em que situações é realizada a ecoendoscopia digestiva? A decisão sobre a necessidade de realizar qualquer exame é sempre tomada pelo médico , em função das características individuais de cada pessoa e das suas queixas ou doença. A ecoendoscopia pode ter finalidades de diagnóstico e/ou tratamento. Em regra, é realizada na sequência de exames anteriores, para esclarecimento de achados desses exames ou para realizar intervenções de tratamento específicas. As indicações da ecoendoscopia incluem: O diagnóstico, estadiamento e avaliação da extensão de neoplasias; A deteção precoce de recidivas de tumores; O diagnóstico de outras lesões ou doenças da parede digestiva e estruturas vizinhas; A realização de biópsias sob controlo ecográfico. A ecoendoscopia é considerada, atualmente, uma técnica particularmente valiosa no diagnóstico e em algumas intervenções terapêuticas a nível biliopancreático . Quanto tempo demora uma ecoendoscopia digestiva? A realização de uma ecoendoscopia é muito variável, dependendo do objetivo da sua realização. Pode considerar-se uma duração mínima e máxima de cerca de 15 minutos e de 1 hora, respetivamente. Depois de terminado o exame, torna-se necessário aguardar algum tempo até que a recuperação esteja completa. Este período deve ser passado em repouso , num local específico para o efeito. Posteriormente, a pessoa poderá abandonar o hospital. Embora a ecoendoscopia não seja um exame demorado, o facto de ser realizada sob sedação ou anestesia, bem como, o desconforto que pode causar quando não o é, aconselham a que a manhã ou a tarde da sua realização sejam reservadas apenas para o exame . Que limitações tem uma ecoendoscopia digestiva? A ecoendoscopia digestiva é uma técnica que pode falhar lesões e diagnósticos , mesmo com um exame tecnicamente adequado. Existem vários exames de imagem que podem, igualmente, contribuir para obter informação relevante (por exemplo, a TAC). No entanto, habitualmente, estes exames permitem obter informação complementar e não substituem em pleno a ecoendoscopia. As questões sobre este assunto devem ser colocadas ao médico assistente e, caso persistam algumas dúvidas, devem igualmente ser colocadas ao médico que vai realizar o exame. Nos hospitais e clínicas da rede Hospital da Luz, pode encontrar médicos gastrenterologistas especialistas no diagnóstico e tratamento das doenças digestivas e realizar os exames necessários para a sua situação. Existem efeitos secundários, riscos ou complicações associados à realização de uma ecoendoscopia digestiva? Os efeitos associados à anestesia desaparecem , geralmente, no prazo de poucas horas. A possível introdução de ar, pode resultar numa sensação de pressão abdominal e em flatulência durante algumas horas. Os riscos associados à realização de uma ecoendoscopia são raros , mas existem, tal como acontece com qualquer outro exame em que sejam usados aparelhos ou medicamentos. A incidência destes riscos varia com os indivíduos e está relacionada com a utilização eventual de medicamentos e com procedimentos adicionais que sejam necessários realizar. Para reduzir o risco de ocorrência de complicações, é fundamental que o médico esteja informado sobre: Alergias; Outras doenças presentes; Tratamentos em curso. Entre os riscos ou complicações possíveis , incluem-se: Equimose na veia usada para a administração de medicamentos; Reações alérgicas a medicamentos; Dificuldade em respirar; Alteração da pressão arterial ou do ritmo cardíaco, devido aos medicamentos administrados; Pneumonia por aspiração do conteúdo gástrico; Perfuração (implica, geralmente, internamento e uma eventual cirurgia). Estima-se que ocorra 1 caso em cada 3000 procedimentos. No caso de ser necessário realizar uma dilatação do tubo digestivo, estima-se que ocorra 1 caso em cada 50 procedimentos. Existem ainda complicações possíveis associadas a procedimentos que sejam realizados no decurso deste exame: Complicações associadas a biópsias eco-guiadas Infeção: <1%; Pancreatite (inflamação do pâncreas): 0%-2%; Hemorragia: 1%; Peritonite (inflamação grave do abdómen): <1%. Complicações associadas a neurólise do plexo celíaco: Diarreia transitória: 4%-15%; Diminuição da pressão arterial: 1%; Aumento transitório da dor: 9%; Infeção/abcesso: <1%. Complicações associadas a drenagem de pseudoquistos: 11%-37% Hemorragia; Perfuração; Infeção; Migração de prótese. Este artigo foi escrito com o apoio dos médicos e outros profissionais clínicos da Rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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