8 de dezembro de 2020 Autor : Nuno Tomada Marques Esta falta de controlo de retardar a ejaculação em todas ou quase todas as penetrações vaginais, tem consequências negativas, tanto pessoais como para o casal , tais como: Angústia; Dficuldade nas relações interpessoais; Frustração; Evitar a intimidade sexual. A ejaculação prematura é a disfunção sexual mais frequente nos homens , mas também menos diagnosticada e tratada. Para isso contribuem certamente a vergonha e o desconhecimento que rodeiam este tema, bem como a falta de orientação médica. Pode atingir 20 a 30% dos homens (1 em cada 5). Ainda assim, apenas cerca de 9% dos doentes com ejaculação prematura procuram ajuda. A ejaculação prematura primária não está relacionada com a idade ou com fatores socioeconómicos, como o estatuto social ou o estado civil. Quais são os tipos de ejaculação prematura? Há 4 tipos de ejaculação prematura: Ejaculação prematura primária, ou seja, a disfunção ejaculatória que persiste desde a primeira experiência sexual; Ejaculação prematura adquirida, quando a disfunção ejaculatória se inicia gradual ou subitamente, após um período de experiências ejaculatórias normais; Ejaculação prematura variável natural/situacional, variação do desempenho sexual normal que pode estar relacionada com uma nova parceira, uma situação incomum ou com uma baixa frequência de atividade sexual; Ejaculação prematura subjetiva, perceção subjetiva de ejaculação rápida, mas com tempo de latência intravaginal dentro ou até superior ao normal, não é considerada patológica. Há fatores de risco para a ejaculação prematura? Apesar de estar relacionada com níveis reduzidos de algumas substâncias no nosso sistema nervoso central e com predisposição genética, há fatores psicológicos a considerar. Homens com o seguinte perfil psicológico têm riscos acrescidos de ejaculação prematura: Ansioso ou vulnerável à ansiedade de desempenho; Instabilidade emocional e sentimentos de culpa; Depressão; Sujeito a pressão e stress diário; Experiências sexuais prévias negativas. São também fatores de risco reconhecidos para a disfunção ejaculatória prematura secundária: Alterações hormonais nos níveis de testosterona e de prolactina; Hipertiroidismo; Obesidade; Diabetes; Inflamação da próstata (prostatite); Alcoolismo; Síndrome de privação de opiáceos ou antipsicóticos. Quais são os sintomas da ejaculação prematura? Entre os sintomas relacionados com a ejaculação prematura estão: Redução dos níveis de auto-confiança; Ansiedade e sentimentos negativos, como vergonha e angústia; Irritabilidade; Depressão. Associados a este quadro sintomático estão, geralmente, os seguintes fatores: Redução da satisfação global nas relações sexuais; Dificuldade no relaxamento durante o coito; Relações sexuais menos frequentes; Insatisfação da companheira; Deterioração do relacionamento conjugal. Como é realizado o diagnóstico da ejaculação prematura? O diagnóstico da disfunção ejaculatória baseia-se na: Realização de uma história clínica e exame físico detalhados; Utilização de ferramentas diagnósticas específicas, como o TLEIV (tempo de latência ejaculatória intravaginal) e questionários, como o PEDT ( premature ejaculation diagnostic tool ). Há tratamento para a ejaculação prematura? Sim, há. O tratamento da ejaculação prematura pode envolver: Medidas comportamentais; Psicoterapia; Terapêutica farmacológica. O tratamento deve iniciar-se pela correção dos fatores de risco , nomeadamente, e quando aplicável: Perda de peso; Prática de exercício físico; Tratamento do hipertiroidismo e/ou de outras alterações hormonais; Controlo da diabetes; Tratamento de prostatite; Abstinência de substâncias estupefacientes. A psicoterapia , com acompanhamento por um urologista ou psiquiatra, contribui também para reduzir os níveis de ansiedade, melhorar o desempenho sexual e para otimizar a relação do casal. Que medidas podem ser aplicadas no dia a dia de quem sofre de ejaculação prematura? Como medidas comportamentais podem ser usadas técnicas de relaxamento (como o ioga) e abstração com pensamentos não-sexuais , pouco estimulantes. A paragem e recomeço cíclico do contacto sexual (técnica stop & start ) ou a compressão da glande (técnica de squeeze ), quando o orgasmo está próximo, podem também retardar a ejaculação. A masturbação pré-coital (1 a 2 horas antes) pode prolongar o tempo de latência ejaculatória intravaginal, especialmente se a ejaculação prematura for do tipo adquirida. Existem também no mercado preservativos dessensibilizantes de diversas marcas, que se destinam ao prolongamento do prazer, retardando a ejaculação. Existe medicação específica para combater a ejaculação prematura? Entre os medicamentos disponíveis , existem opções de toma diária ou “on demand” . Este último é tomado apenas quando necessário, cerca de 1 a 3 horas antes das relações sexuais. Os fármacos usados no tratamento da disfunção erétil parecem ter um efeito positivo nos doentes com ejaculação prematura e alterações da ereção concomitantes. Outros medicamentos tópicos (em forma de creme) reduzem a sensibilidade peniana e prolongam a relação sexual. Mais recentemente, estes doentes têm disponível um spray com fármacos anestésicos tópicos que são aplicados e absorvidos apenas na glande, e que não necessitam de uso concomitante de preservativo para evitar a anestesia da parceira. Esta aplicação apresenta uma elevada taxa de eficácia com poucos ou nenhuns efeitos adversos. Em casos selecionados, o corte do freio do pénis e/ou a circuncisão estão associados a um melhor controlo ejaculatório. Conheça a equipa de urologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.