1 de junho de 2023 Autor : José Preza Fernandes A ejaculação retrógrada é umas das alterações possíveis da ejaculação e enquadra-se nas disfunções sexuais masculinas. Na ejaculação retrógrada, a maior parte ou a totalidade do esperma é direcionada para a bexiga durante o orgasmo. Caracteriza-se por: Durante um orgasmo, o volume de esperma que sai para o exterior através do pénis ser inferior ao normal ou mesmo inexistente; A ereção e o orgasmo não são afetados; Não há obrigatoriamente menor satisfação sexual. Qual é a causa da ejaculação retrógrada? Na ejaculação retrógrada há entrada de esperma na bexiga durante o orgasmo. Este problema deve-se a uma contração insuficiente do músculo do esfíncter vesico-uretral , que mantém a comunicação entre a bexiga e a uretra fechada durante um orgasmo. A incapacidade de contração do músculo do esfíncter pode ser resultar de: Cirurgias que envolveram esta zona, por exemplo cirurgia da próstata por doença benigna ou da bexiga junto ao seu colo, ou áreas vizinhas, por exemplo a uretra; Efeitos secundários de alguns medicamentos que são usados para tratar a hipertensão, a hiperplasia da próstata e a depressão; Lesões de nervos e alterações da sua função, associadas, por exemplo, lesões da medula espinal e a diabetes, entre outras doenças. Sintomas e diagnóstico Levantam a suspeita de ejaculação retrógrada queixas de: Orgasmos sem saída de esperma pelo pénis para o exterior, ou com saída de uma quantidade diminuta, o que por vezes é designado por orgasmo seco ; Urina turva depois de um orgasmo ; Infertilidade , ou seja, de insucesso na tentativa de uma gravidez de uma mulher. Embora um orgasmo seco seja frequentemente devido a ejaculação retrógrada, pode acontecer noutras circunstâncias, por exemplo depois de uma prostatectomia (remoção cirúrgica da próstata) ou de tratamentos de radioterapia com incidência na região pélvica, e nestes casos há mesmo uma produção de esperma inferior ao normal. O diagnóstico baseia-se nas queixas e história de saúde, resultados do exame físico, especialmente do aparelho génito-urinário, e em resultados de análise e outros exames que se considerem necessários para cada caso em concreto. Tratamento da ejaculação retrógrada A ejaculação retrógrada não é uma questão de saúde grave, pelo que o seu tratamento não é obrigatório . Pode sim ser necessário quando há queixas de infertilidade . Uma vez confirmado o diagnóstico, o tratamento da ejaculação retrógrada depende das suas causas . Quando está relacionada com efeitos secundários de medicação, poderão ser consideradas alternativas, caso existam, na tentativa de resolver o problema. Quando está relacionada com alterações nervosas, pode ser indicada medicação para ajudar a contração do esfíncter vesico-uretral, embora estes sejam de eficácia reduzida e com efeitos colaterais algo inconvenientes. Quando estão em causa alterações anatómicas, por exemplo consequentes a cirurgias anteriores, em regra não há tratamento. Nestes casos, para resolver um problema de infertilidade poderá ser indicado recorrer a técnicas de procriação medicamente assistida. Conheça a equipa clínica de urologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.