3 de abril de 2025 Autor : Saraiva da Cunha (Doenças Infecciosas) A encefalite japonesa é uma infeção viral transmitida por mosquitos. É endémica na maioria dos países asiáticos, na Austrália e noutros países do Pacífico ocidental; Estima-se que ocorram anualmente entre 30 e 50 mil casos, embora outras projeções apontem para cerca de 100 mil casos e 25 mil mortes por ano; É causada pelo vírus da encefalite japonesa , que possui 5 genótipos distintos e que se multiplica principalmente em porcos e aves aquáticas, e é a causa mais importante de encefalite viral na Ásia; O vírus é transmitido ao homem e aos animais principalmente através de picadas de mosquitos da espécie Culex tritaeniorhynchus , que sejam portadores por terem picado porcos ou aves aquáticas infetadas; A transmissão é mais provável em áreas rurais, particularmente em zonas de cultura de arroz, que é feita em solos inundados, e em muitos países tem um padrão sazonal relacionado com a estação das chuvas; As pessoas infetadas não são fonte de infeção , ou seja, mosquitos não infetados que piquem estas pessoas não ficam infetados; Os animais infetados não transmitem a infeção às pessoas, nem diretamente nem através do consumo de alimentos de origem animal; Nas populações dos países onde a infeção é endémica, as crianças até aos 15 anos são o grupo mais atingido e a maioria dos adultos tem imunidade natural; A vacinação contra a encefalite japonesa é recomendada nos viajantes para zonas de risco. Sintomas, diagnóstico e tratamento A infeção pelo vírus da encefalite japonesa pode não provocar quaisquer sintomas, mas também pode causar uma doença grave e incapacitante e resultar em morte. 1% das pessoas infetadas desenvolve encefalite; 20%-30% das pessoas que desenvolvem encefalite morrem. Depois da infeção, o período de incubação é em média de 6-8 dias, mas pode variar entre 4 e 15 dias. Os sintomas iniciais são pouco específicos, incluindo: Febre Dor de cabeça Náuseas e vómitos Dores musculares Diarreia Posteriormente podem ocorrer sintomas neurológicos, relacionados com a inflamação e infeção cerebral, como por exemplo: convulsões, especialmente nas crianças, desorientação, sonolência, rigidez do pescoço, tremores, alterações dos movimentos, paralisia, alteração do estado mental, delírio, entre outros. A encefalite (inflamação e infeção do cérebro) é a consequência mais grave da infeção pelo vírus da encefalite japonesa e mesmo se não resultar em morte, pode originar danos neurológicos permanentes em 30% a 50% dos casos. O diagnóstico da encefalite japonesa baseia-se nos sintomas, no contexto epidemiológico e em história de viagens para zonas endémica, no caso de viajantes, e em exames como análises laboratoriais, exames de imagem cerebral e no estudo do líquido cefalorraquidiano obtido por punção lombar. Não existe um tratamento dirigido à eliminação do vírus da encefalite japonesa. Assim, o tratamento desta infeção é dirigido ao alívio dos sintomas e baseia-se em medicamentos e medidas de suporte, como repouso e hidratação, entre outros. Os casos mais graves necessitam de internamento hospitalar. Para a recuperação completa podem ser necessários 6-12 meses. Prevenção da encefalite japonesa A prevenção da encefalite japonesa é feita por vacinação e evitando as picadas dos mosquitos. A vacinação: Está adotada para as crianças em alguns países em que a doença é endémica, por exemplo no Japão e Taiwan, entre outros; É recomendada aos viajantes para países onde a doença é endémica, particularmente no caso de viagens prolongadas, ou curtas com exposição importante ao ar livre, tanto para zonas urbanas como rurais, ou quando exista hipótese de passar a noite ao ar livre sem proteção por redes mosquiteiras; Em Portugal a vacina deixou de estar comercializada e, por isso, as farmácias e hospitais que necessitem desta vacina devem desencadear o processo de autorização de utilização excecional (que) seguindo as orientações do INFARMED (Circular Informativa N.º 057/CD/100.20.200 de 14/06/2023). As medidas individuais de prevenção de picadas de mosquitos incluem principalmente: Uso de produtos repelentes; Uso de peças de vestuário que cubram bem todas as zonas do corpo, sapatos fechados e chapéu; Colocação de redes mosquiteiras nas janelas das habitações e a proteger as camas; Uso de ar condicionado ou outra ventilação que interfira com a permanência dos mosquitos; Evitar a proximidade de zonas de águas paradas; Evitar estar no exterior quando os mosquitos são mais ativos. Depois do regresso de viagens para zonas endémicas, os viajantes devem manter-se atentos a eventuais sintomas que possam estar relacionados com encefalite japonesa e procurar cuidados médicos imediatos caso ocorram. Fontes European Centre for Disease Prevention and Control. Japanese encephalitis . Hills SL, Solomon T. Japanese encephalitis . UpToDate Simon LV, Sandhu DS, Goyal A, Kruse B. Japanese encephalitis. Treasure Island: StatPearls Publishing; 2025. Conheça a equipa clínica de infecciologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.