4 de agosto de 2021 Autor : Pedro Lourenço A epicondilite lateral é um problema comum da articulação do cotovelo e uma razão frequente de procura de cuidados médicos de um ortopedista. Foi descrita pela primeira vez em 1873 por F. Runge, um médico alemão. Apesar da designação corrente ‘cotovelo do tenista’ , a epicondilite lateral pode surgir tanto em atletas como em não atletas. Atinge 1%-3% da população: Tem um pico de incidência no início da quinta década de vida; Tende a surgir mais cedo associada a atividade profissional e/ou física; Não tem preferência de género. Causas de epicondilite lateral As causas da epicondilite lateral são várias, na maioria dos casos não se identifica uma causa única óbvia. Pode ocorrer associada a atividades repetitivas de prono-supinação, ou seja, de rotação do antebraço, com o punho em extensão, como as que acontecem, por exemplo: Na prática de deportos de raquete; No uso do rato de computador. Apesar destes fatores desencadeantes, estudos recentes sugerem que fatores genéticos desempenham também um papel no desenvolvimento da epicondilite lateral. Sintomas e diagnóstico A queixa mais comum é a dor : Pode ser intermitente ou contínua; A gravidade é variável, pode chegar a interferir com atividades correntes ou mesmo com o sono. Nos casos mais evoluídos pode haver dificuldade para movimentos ou posições específicas. O diagnóstico baseia-se nas queixas, na avaliação física e realização de alguns testes com o doente e, quando necessário, recorrendo a alguns exames de diagnóstico por imagem. Para um diagnóstico correto é fundamental identificar a localização precisa da dor . O ponto de referência da dor é o epicôndilo lateral - a proeminência óssea na face lateral do cotovelo. A dor agrava-se com a extensão do punho contra resistência. A tendinite (inflamação do tendão) e/ou microrrotura que marcam o início da epicondilite lateral ocorrem habitualmente nos tendões dos músculos extensores do carpo e dos dedos. Estes são os músculos e tendões do antebraço, que ligam o cotovelo e a mão. A radiografia, a ecografia e a ressonância magnética são as técnicas de imagem que podem auxiliar no diagnóstico do cotovelo do tenista. Permitem também excluir outras doenças que podem causar sintomas semelhantes, como a osteocondrite, a instabilidade e a síndrome do túnel radial. Tratamento do cotovelo do tenista O objetivo global do tratamento é controlar a dor, manter o movimento, melhorar a força e resistência e recuperar a funcionalidade normal. Há casos de epicondilite lateral que são autolimitados, ou seja, os sintomas acabam por desaparece em alguns meses. Muitas vezes estes doentes fazem apenas medicação analgésica para aliviar a dor. O tratamento conservador com alteração da atividade habitual é eficaz num número elevado de doentes. Dependendo dos casos pode incluir: Repouso; Aplicação local de frio; Medicação injetável; Fisioterapia com diversas abordagens, entre elas o alongamento e fortalecimento muscular. Uma outra opção, com resultados promissores, é a infiltração com plasma rico em plaquetas proveniente do próprio doente. Quando nenhuma das abordagens referidas resolve o problema, pode ser proposta uma cirurgia para reparação dos músculos e tendões atingidos . Esta intervenção pode ser realizada por via aberta (com uma incisão) ou artroscópica (através de pequenos orifícios). Estão descritos excelentes resultados para ambas as técnicas. Conheça a equipa de ortopedia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.