21 de outubro de 2020 Autoras : Ana Catarina Franco e Carla Bentes Há várias questões relativas à epilepsia e ao seu tratamento que são particulares na mulher . Estas questões estão relacionadas com: Hormonas sexuais (estrogénios e progesterona); Contraceção; Gravidez; Amamentação; Menopausa. Hormonas sexuais Em algumas mulheres com epilepsia pode haver uma maior influ ência das hormonas sexuais nas crises epiléticas. As principais hormonas naturais produzidas no organismo da mulher são os estrogénios e a progesterona. Os níveis destas hormonas variam ao longo do ciclo menstrual. Certas mulheres têm crises epiléticas apenas ou mais frequentemente durante a menstruação. Assim, nas mulheres é importante fazer um diário de crises para o neurologista possa conhecer melhor as variações presentes e que podem influenciar o tratamento a realizar. Contraceção Existe atualmente uma grande variedade de métodos contracetivos. Os métodos contracetivos hormonais , como a pílula contracetiva, podem ter interações com alguns fármacos antiepiléticos, ou seja: Os níveis dos fármacos antiepiléticos no sangue podem aumentar ou diminuir, o que pode diminuir a sua eficácia ou aumentar os efeitos adversos A eficácia da contraceção pode ser menor, podendo ocorrer uma gravidez não planeada. Uma mulher que toma fármacos antiepiléticos deve fazer sempre planeamento familiar e consultar o seu médico sobre o melhor método contracetivo a usar. Os métodos de barreira, como o preservativo, não interagem com os fármacos antiepiléticos e a sua eficácia mantém-se. Gravidez Nas mulheres com epilepsia a gravidez deve ser sempre planeada . A influência que as crises epiléticas e os fármacos antiepiléticos podem ter na gravidez varia de mulher para mulher. Assim, as mulheres que têm epilepsia e que pensem engravidar, devem consultar o seu médico neurologista para que, caso seja necessário: Seja feito o ajuste da medicação; Conheçam e compreendam os possíveis efeitos da medicação na gravidez; Sejam encaminhadas para uma consulta de obstetrícia. Amamentação Alguns fármacos antiepiléticos podem estar presentes no leite materno. No entanto, para a muitos fármacos antiepiléticos, tal não significa que possa haver efeitos prejudiciais para os bebés. Uma mulher com epilepsia que pretenda amamentar deve discutir esta questão com o seu neurologista para que este a informe e esclareça todas as suas dúvidas. Menopausa Na menopausa, os níveis de estrogénios e de progesterona alteram-se. No entanto, a relação entre estas alterações e a frequência das crises epiléticas não é linear. Globalmente, as mulheres pós-menopáusicas têm a mesma frequência e gravidade de crises epiléticas que as mulheres mais jovens. No entanto, a nível individual, a evolução da epilepsia com a menopausa é difícil de prever. Há evidência que indica que mulheres com epilepsia cujas crises ocorrem na altura da menstruação podem ter menos crises após a menopausa, mas que têm mais crises próximo da altura da menopausa. Para a maioria das mulheres com epilepsia, apenas o tempo ( wait-and-see ) poderá mostrar qual será a evolução da epilepsia. O acompanhamento por um neurologista é importante para esclarecer todas as suas dúvidas e ajustar a sua medicação, caso necessário. Conheça a equipa de neurologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.