21 de fevereiro de 2020 O que é a esofagite eosinofílica? A esofagite eosinofílica, também designada por esofagite alérgica, é uma doença inflamatória crónica do esófago que se caracteriza por: presença de eosinófilos na camada de revestimento interno (mucosa) deste órgão; sintomas de disfunção do esófago. Os eosinófilos são um dos tipos de glóbulos brancos do sangue e estão envolvidos nas respostas do sistema imunitário. Quais são os sintomas de esofagite eosinofílica? Não existem sintomas específicos desta esofagite eosinofílica. Os sintomas desta doença são muito variáveis com a idade do doente . Lactentes / crianças em idade pré-escolar : geralmente má progressão no peso, a regurgitação alimentar, os vómitos e a recusa alimentar são as manifestações mais frequentes. Crianças em idade escolar : a regurgitação alimentar, os vómitos, a dor abdominal e o ardor na região torácica constituem o quadro clínico habitual. Adolescentes e adultos : são queixas típicas episódio de impactação alimentar, a dificuldade em engolir intermitente e a dor torácica. Um episódio de impactação alimentar grave requerendo a remoção endoscópica do alimento corresponde a uma forma frequente de apresentação da doença, particularmente na adolescência. Muitas vezes trata-se de uma dificuldade na deglutição de longa evolução, ligeira e intermitente. Muitos indivíduos referem sintomatologia com anos de evolução, que terá sido ignorada, compensada ou atribuída por exemplo ao facto de não mastigar bem os alimentos ou efetuá-lo de forma demasiado rápida. Quem pode sofrer de esofagite eosinofílica? A esofagite eosinofílica pode afetar qualquer faixa etária , desde as crianças aos adultos. Qual a causa da esofagite eosinofílica? A esofagite eosinofílica resulta de uma interação entre fatores genéticos e fatores ambientais . Tem sido descrita uma predisposição familiar para a doença. A implicação da alergia alimentar na esofagite eosinofílica tem sido justificada com base em: elevada frequência de sensibilização a alimentos encontrada entre estes doentes; evidência, em vários estudos clínicos, da resposta clínica e histológica na sequência de dietas de evicção de alimentos, sobretudo nas crianças; reintrodução dos alimentos e recorrência dos sintomas, provando a relação causal entre a esofagite eosinofílica e os alimentos. Quais são os alimentos envolvidos na esofagite eosinofílica? Os alimentos geralmente implicados na esofagite eosinofílica são leite de vaca; ovo; soja; amendoim; frutos secos; trigo; peixe; marisco (crustáceos e moluscos). Existem relatos de casos clínicos de doentes com alergia respiratória e sensibilização a pólenes que referem agravamento dos sintomas de esofagite eosinofílica durante a época polínica . Para além disso também o facto de se verificar uma variação sazonal na incidência da doença, com as mais baixas taxas de diagnóstico durante o Inverno sugere a possibilidade da participação de aeroalergénios no desenvolvimento desta doença . Como é feito o diagnóstico de esofagite eosinofílica? O diagnóstico de esofagite eosinofílica é clínico e histológico . São critérios de diagnóstico: a presença de sintomas de disfunção esofágica; o resultado de uma biopsia esofágica com 15 ou mais eosinófilos por campo de grande ampliação (400x). A endoscopia digestiva alta (EDA) é um exame complementar de diagnóstico imprescindível . Permite observar a mucosa esofágica e realizar biopsias. A biopsia da mucosa esofágica deverá abranger toda a extensão do esófago, aconselhando-se a obtenção de 6 amostras. Na esofagite eosinofílica, a infiltração da mucosa esofágica por eosinófilos é um fenómeno isolado , ou seja, a mucosa dos restantes órgãos do trato gastrointestinal superior não é afetada. Assim, na abordagem diagnóstica de uma possível esofagite eosinofílica devem ser realizadas biopsias da mucosa gástrica e da mucosa duodenal e os seus resultados devem ser normais. Caso contrário, a hipótese diagnóstica de esofagite eosinofílica deve ser reequacionada. A avaliação alergológica do doente é importante após confirmação histológica do diagnóstico de esofagite eosinofílica para identificar alergénios alimentares potencialmente implicados na doença. A existência de sensibilização a alergénios inalantes deverá ainda ser avaliada, dada a sua elevada frequência e eventual implicação na abordagem do doente com esofagite eosinofílica. A avaliação laboratorial destes doentes não apresenta valor diagnóstico, mas existem parâmetros que poderão ser informativos. A pHmetria, a radiografia com contraste e/ou da manometria esofágica nestes doentes não fazem parte da abordagem diagnóstica, mas poder-se-á justificar em alguns doentes. Como se trata a esofagite eosinofílica? O tratamento da esofagite eosinofílica baseia-se em: eliminação do estímulo alergénico; controlo dos sintomas; indução de remissão prolongada da doença. Há 3 tipos de intervenções possíveis: intervenção na dieta alimentar; tratamento farmacológico; tratamento endoscópico, reservado para situações extremas e emergentes (impactação alimentar ou estenose esofágica graves). Os autores deste texto são os seguintes médicos imunoalergologistas da rede Hospital da Luz: Luís Miguel Borrego, Ana Morais Mendes, Ana Reis Ferreira, Andreia Ferrão, Carlos Braga, Cristina Lopes, Diana Pereira da Silva, Filipa Semedo, Isabel Costa Silva, João Gaspar Marques, Pedro Carreiro Martins, Marta Salgado, Nuno Sousa, Rosa Anita Fernandes, Susana Piedade Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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