13 de março de 2019 Pode tratar-se de um trajeto único entre as duas aberturas, ou podem estar presentes trajetos secundários. Os trajetos secundários podem ser mais ou menos complexos , com origem na mesma abertura no canal anal e com aberturas secundárias múltiplas. A incidência de fístulas anais está estimada em cerca de 9 casos em 100.000 , sendo mais elevada nos homens do que nas mulheres . Regra geral, é mais comum na faixa etária dos 40 anos de idade. Nas crianças , as fístulas anais são normalmente congénitas e mais comuns nos rapazes do que nas raparigas. Há causas para o aparecimento da fístula anal? Na maioria dos casos, as fístulas anais não têm uma causa específica . Muitas são consequentes à obstrução dos canais de drenagem de glândulas presentes na parede do canal anal, junto aos esfíncteres anais. Esta obstrução, que impede a drenagem dos produtos de secreção das glândulas no canal anal, provoca um processo inflamatório e induz a formação de um trajeto fistuloso. Normalmente, esse trajeto vai em direção à superfície corporal, com uma abertura ao nível da pele , através da qual será drenado o conteúdo. Caso esta abertura cicatrize, ocorre uma nova acumulação de pus no trajeto da fístula e o processo repete-se. Podem também desenvolver-se fístulas anais, secundariamente a: Traumatismos perirretais ou anais; Fissuras anais; Doença de Crohn; Diverticulite; Doenças anorretais malignas; Tuberculose; Outras doenças infecciosas. Quais são os sintomas da fístula anal? Os sintomas mais comuns das fístulas anais incluem: Abcessos recorrentes ao nível da pele, alternados com a drenagem de um corrimento purulento e/ou sanguinolento; Prurido anal; Tumefação local; Dor local; Sintomas sistémicos nos casos de infeção. Como se realiza o diagnóstico da fístula anal? O diagnóstico da fístula anal é feito com base: Na história clínica; Nos sintomas presentes; No exame do doente. O exame da região perianal pode revelar uma área endurecida, avermelhada e dolorosa. Permite também, normalmente, observar um abcesso ou a abertura da fístula , com a presença eventual de corrimento através desta. O local de abertura da fístula permite, com frequência, ter alguma ideia do seu trajeto. Por vezes, este pode mesmo ser identificado por palpação. Em alguns casos, poderão ser necessários outros exames , entre os quais, se incluem: A exploração com uma sonda de fístula – é inserida através da abertura externa e permitirá determinar a extensão e a forma do trajeto fistuloso; Uma anuscopia – permitirá identificar a abertura interna da fístula; A injeção local de um corante específico – permitirá identificar a extensão e a forma do trajeto fistuloso; Uma fistulografia – a injeção de um composto de contraste na fístula com um exame subsequente por raios-X; Uma ecografia endoanal; Uma ressonância magnética. Nos casos em que se torna necessário eliminar a hipótese de existência de outras doenças subjacentes, poderá também ser necessário recorrer a uma sigmoidoscopia flexível ou uma colonoscopia . Como se tratam as fístulas anais? O tratamento da fístula anal inclui o tratamento médico da infeção que possa estar presente e a resolução cirúrgica da fístula. Com efeito, dado que as fístulas não cicatrizam espontaneamente , o seu tratamento cirúrgico é imprescindível. O tipo de abordagem cirúrgica a adotar depende das especificidades do caso, incluindo a localização e complexidade da fístula , bem como, o seu grau de interferência com o esfíncter anal. O tratamento cirúrgico pode envolver: A excisão da fístula (fistulectomia) e a sutura do local; A secção dos tecidos até ao trajeto da fístula e a abertura e exposição do trajeto (fistulotomia) que liga as aberturas interna e externa, permitindo a sua cicatrização em direção à superfície; A drenagem do trajeto fistuloso com um fio cirúrgico – que tem a designação de sedâneo – sempre que a remoção ou a exposição do trajeto fistuloso impliquem a destruição do esfíncter anal (fístulas com trajetos altos); Este fio mantém o trajeto drenado e aberto, o que impede a formação de abcessos; Por outro lado, o próprio fio faz uma secção lenta dos tecidos e favorece a sua cicatrização simultânea, o que permite evitar uma incontinência; O encerramento da abertura interna da fístula e o preenchimento do trajeto, depois de limpo, com um produto biodegradável específico que ajudará a sua cicatrização a partir do interior, o que não envolve qualquer secção dos tecidos. Independentemente da abordagem cirúrgica adotada, o objetivo é eliminar a fístula sem interferir com a funcionalidade do esfíncter anal , ou seja, mantendo a sua capacidade de controlo da emissão de fezes e gases. A fístula anal é uma doença da área da coloproctologia, que faz parte da atividade dos gastrenterologistas e dos cirurgiões gerais . Este artigo foi escrito com a colaboração dos cirurgiões gerais da rede Hospital da Luz. Os conteúdos do nosso Guia de Saúde têm finalidade informativa, destinam-se ao público em geral e podem não estar atualizados. Não substituem a informação, opinião e aconselhamento individual de um médico ou outro profissional de saúde nas respetivas áreas de intervenção.