14 de agosto de 2023 Autor : Jorge Pon Uma fratura óssea é o que vulgarmente chamamos um osso partido ou rachado . As causas de fraturas ósseas são várias, há diversos tipos de fraturas, e o tratamento também não é sempre o mesmo. Diagnosticar o tipo de fratura presente e conhecer as circunstâncias em que ocorreu são os primeiros passos, junto com as particularidades de cada pessoa, para o ortopedista definir qualquer é o tratamento adequado e quais serão as necessidades de reabilitação. Porque ocorrem fraturas Uma fratura acontece quando um osso é atingido por uma força maior do que aquela que ele consegue suportar sem se quebrar. Se a força que atinge um osso for ligeira, pode provocar uma contusão, mas se for mais forte poderá fazer uma fratura. Há várias causas de fratura óssea, entre as quais : Impactos, como uma queda, uma pancada ou outro traumatismo (por exemplo em acidentes em veículos motorizados); Uso excessivo, como é o caso de movimentos repetitivos que com o passar do tempo vão colocando cada vez mais pressão sobre um osso, que dão origem às chamadas fraturas de stress; Doenças que fragilizam os ossos, por exemplo osteoporose ou tumores ósseos, que dão origem às chamadas fraturas patológicas. Tipos de fraturas Há várias formas de classificar as fraturas , sendo as mais comuns: Abertas e fechadas Uma fratura é aberta ou exposta, quando o osso partido atravessa a pele ou faz uma ferida na pele que permite ver a fratura. Levam habitualmente mais tempo a cicatrizar e têm maior risco de infeção. Uma fratura é fechada quando o osso está partido, mas a pele sobreposta está intacta. Completas e incompletas Uma fratura é completa quando o osso ficou completamente dividido em duas ou mais partes. Uma fratura é incompleta quando não há separação de porções do osso, como acontece muito nas crianças em que o osso é mais maleável (fraturas em ramo verde, ver mais à frente). Padrão e forma da linha de fratura Quando só há uma linha de fratura: Longitudinais, quando a linha de fratura é paralela ao eixo maior do osso. Transversais, quando a linha de fratura é transversal relativamente ao eixo maior do osso. Oblíquas, quando a linha de fratura é obliqua relativamente ao eixo maior do osso. Quando há mais do que uma linha de fratura Em ramo verde, frequente nas crianças, quando uma parte do osso se dobra como uma barra metálica flexível. Nestas fraturas é normal que as crianças apesar da dor mantenham a mobilidade do membro. Nos adultos os ossos são mais rijos e partem completamente, como o vidro, não sendo comuns as fraturas em ramo verde. Em espiral, quando as linhas de fraturas formam uma espiral, o que é comum quando há um traumatismo com torção. Cominutivas, quando o osso está partido em mais do que três pedaços. Segmentares, quando o osso está partido em dois locais, fazendo com que fique um pedaço solto. Sinais de que pode haver uma fratura Os sintomas mais comuns de uma fratura são: Dor repentina forte Deformidade da região atingida Dificuldade ou incapacidade em movimentar a zona atingida Inchaço (edema) e vermelhidão (rubor) Formação de hematoma Perante estes sintomas e em circunstâncias que possam ser causa de fratura devem ser procurados cuidados médicos, habitualmente recorrendo a um serviço de urgência hospitalar . O diagnóstico é feito com base nos sintomas e sinais presentes e em exames de imagem , como radiografia, tomografia computorizada ou ressonância magnética, dependendo do que for necessário esclarecer. Tratamento O tratamento de uma fratura envolve imobilização após recolocação do osso fraturado na sua posição correta para que se possa formar novo tecido ósseo e resolver a fratura, processo este que pode demorar vários meses. Só a avaliação de uma fratura e das características do doente é que permitirá determinar o tratamento a realizar, que inclui uma ou mais das seguintes técnicas: Redução fechada (tratamento conservador), na qual o ortopedista manipula externamente o membro, alinhando a fratura na posição correta e imobilizando de seguida. Cirurgia para recolocar o osso na sua posição correta, podendo incluir ou não fixação interna ou externa (placas e parafusos) para manter a posição durante a cicatrização. Nas fraturas das articulações pode ser usada uma abordagem cirúrgica minimamente invasiva (artroscopia) como complemento. O uso de talas gessadas , conhecidas como gesso, ou de fibra de vidro, ou de tração recorrendo a vários dispositivos, destina-se a manter o alinhamento do osso e a impedir o movimento durante a consolidação óssea , e pode ser usado tando associado ao tratamento conservador (redução fechada) como ao cirúrgico. Em geral, nas fraturas, forma-se nas primeiras seis semanas o calo ósseo. Depois de verificar que este está formado (habitualmente com um exame de imagem, como a radiografia), o ortopedista retira o gesso e é possível iniciar a reabilitação do membro afetado. É importante referir que durante o tempo de imobilização de uma fratura há perda muscular e funcional. Um membro inferior engessado perde metade da massa muscular se ficar 2 semanas em descarga. Assim, depois de retirado o gesso ou outros dispositivos de fixação e imobilização, é necessário, em regra cumprir um programa de reabilitação, com fisioterapia , para conseguir uma recuperação o mais completa possível da força, flexibilidade e amplitude de movimento anteriores. As fraturas podem ser tratadas de uma forma conservadora ou cirúrgica. Um diagnóstico rápido após o evento que deu origem a uma fratura permite orientar o tratamento com mais opções disponíveis e, também, prevenir complicações que são mais comuns quando se atrasa a procura de intervenção médica. Cabe ao médico ortopedista informar o doente do seu diagnóstico, das opções de tratamento e decidir em conjunto com o doente a melhor abordagem para o seu caso . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. 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