2 de janeiro de 2024 Autor : Maia Gonçalves A osteoporose é uma doença caracterizada por diminuição da densidade mineral e deterioração da arquitetura óssea. Os ossos ficam mais fracos e, por isso, o risco de fratura aumenta . As fraturas que se devem à osteoporose chamam-se fraturas osteoporóticas e são fraturas patológicas, ou seja, que se devem a doença. A osteoporose é frequente: Principalmente nas mulheres; Com o avançar da idade. Normalmente esta doença evolui sem sintomas e é frequente só ser diagnosticada em exames relacionados com uma suspeita ou diagnóstico de fratura. Contudo, nos últimos 10-15 anos passou a ser mais comum fazer densitometrias ósseas enquadradas na vigilância regular da saúde, especialmente nas mulheres depois da menopausa . Os resultados deste exame, enquadrados na história de saúde de cada pessoa, permitem orientar o aconselhamento relativamente a medidas (farmacológicas e outras) que possam prevenir/atrasar a evolução da osteoporose. Fraturas osteoporóticas da coluna As fraturas osteoporóticas da coluna mais comuns são as que atingem as vértebras, principalmente as vértebras lombares. A prevalência destas fraturas é de 10%-24%. Podem acontecer na sequência de uma queda, mas também com movimentos bruscos ou pequenos esforços físicos. Na maioria dos casos, as fraturas osteoporóticas das vértebras lombares não provocam alterações neurológicas. No entanto, estas também podem vir a manifestar-se, especialmente se já houver alterações degenerativas dos discos intervertebrais. Neste caso, pode a compressão das raízes nervosas da zona lombar pode dar origem a dor (ciática) e incapacidade pode ser apenas local ou atingir uma ou as duas pernas. Sintomas de fraturas das vértebras lombares Numa percentagem elevada de pessoas (cerca de 66%), as fraturas osteoporóticas das vértebras não provocam sintomas. Quando há sintomas, o principal é a dor, que piora com o movimento , particularmente se este envolve mudança de posição, bem como com o tossir, espirrar ou outras ações que impliquem força abdominal. Diagnóstico e tratamento O diagnóstico de uma fratura osteoporótica das vértebras baseia-se na história e sintomas relatados pelo doente, no exame médico e em exames de imagem. A tomografia computorizada (TAC) e a ressonância magnética são os principais. Além de identificarem as fraturas, permitem também caracterizá-las e avaliar o compromisso neurológico associado. O tratamento das fraturas osteoporóticas das vértebras pode ser não cirúrgico ou cirúrgico . A decisão da equipa médica depende principalmente de: Tipo e gravidade da fratura; Envolvimento neurológico; Idade, estado geral e desejos do doente. Tratamento não cirúrgico O tratamento não cirúrgico envolve medidas simples e permite resolver, em alguns meses, muitos casos de fraturas osteoporóticas das vértebras lombares: Repouso Analgésicos quando necessário para alivar a dor Uso de ortóteses, que são dispositivos de imobilização para ajudar a resolução da fratura. Tratamento cirúrgico As técnicas cirúrgicas usadas no tratamento destas fraturas são minimamente invasivas . Não envolvem incisões grandes e podem ser realizadas sob anestesia geral ou local: Cifoplastia : em que através de uma agulha colocada na vértebra fraturada é inserido um balão que depois de insuflado aumenta a altura e melhora a forma do corpo da vértebra formando uma cavidade onde será depositado cimento ósseo para fortalecimento Vertebroplastia : neste caso o cimento ósseo é depositado diretamente na vértebra sem ser necessário o balão para criar espaço. Prevenção de fraturas osteoporóticas A prevenção de fraturas osteoporóticas inclui medidas de prevenção da osteoporose e medidas de prevenção de quedas. A prevenção da osteoporose ao longo da vida é feita, principalmente: Mantendo uma alimentação equilibrada e com níveis adequados de cálcio e de vitamina D. Praticando atividade / exercício regulamente. Para prevenir quedas , especialmente nas pessoas mais velhas, há que tem especial atenção a: Usar calçado de medida correta, devidamente ajustado e antiderrapante. Assegurar uma boa iluminação dos locais onde se circula. Eliminar obstáculos nos locais onde se circula, especialmente fios ou objetos de dimensão reduzida que não são fáceis de ver. Evitar pisos escorregadios, por exemplo tapetes sem base antiderrapante, pisos molhados, entre outros. Assegurar que não há problemas de visão e usar a correção devida quando necessária. Conheça a equipa clínica de ortopedia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.