14 de março de 2019 Autora : Maria da Luz Freitas Esta doença causa perda irreversível de visão e a sua frequência aumenta com a idade, sendo cerca de 2% nas idades superiores a 40 anos e de 5% acima dos 80 anos. Estima-se que, em todo o mundo, 80 milhões de pessoas sofram de glaucoma , 10% das quais cegas de ambos os olhos. Glaucoma: conheça a “doença silenciosa” Perante esta realidade importa perceber o porquê desta doença , como se pode manifestar e o que cada um de nós pode fazer para o seu diagnóstico. Além disso, também é importante conhecer as hipóteses de tratamento e qual a importância de cada um de nós – médicos e doentes – no controlo da sua progressão. Existem diferentes tipos de glaucoma, sendo mais frequente na população ocidental, o glaucoma de ângulo aberto. Este tipo de glaucoma tem como principal causa o aumento da pressão intraocular . Tal, resulta de um desequilíbrio entre a produção e a drenagem de um líquido importante produzido no nosso olho – o humor aquoso. O facto da pressão intraocular estar, na maioria dos casos, elevada não dá sintomas , mas vai provocando de modo silencioso e progressivo, a morte das células que fazem a receção (captação) do que vemos. As células que morrem não são substituídas e levam progressivamente a perdas de campo visual e, em última instância, à cegueira . Daí a designação de “doença silenciosa”. Diagnóstico do glaucoma: quanto mais cedo, melhor Qualquer pessoa pode desenvolver glaucoma, mas algumas apresentam um risco maior , nomeadamente: Pessoas com história familiar desta doença; Diabéticos; Pessoas com espessura de córnea reduzida ou alterações estruturais do nervo óptico; Pessoas de raça negra; Pessoas medicadas de forma crónica com corticoides. Como o glaucoma de ângulo aberto é uma doença silenciosa, só é detetado pelos próprios doentes numa fase muita avançada , quando o campo visual fica muito danificado ou mesmo quando se verifica cegueira de um dos olhos. A importância do rastreio no glaucoma O rastreio é o ponto crucial no combate a esta doença. Se tiver mais de 40 anos de idade ou algum dos fatores de risco descritos, deve fazer um exame oftalmológico cuidadoso e completo , que inclua os seguintes pontos-chave: A observação do disco ótico; A medição da pressão intraocular; A avaliação do ângulo camerular. Muitas vezes, há necessidade de complementar informação com: A realização de campos visuais computorizados; A determinação da espessura da córnea (paquimetria); A análise estrutural do nervo ótico e camada de fibras nervosas (HRT e OCT). Se não há doença, deverá ser realizado novo rastreio 1 ou 2 anos depois . No entanto, caso haja suspeita, deve-se manter uma vigilância apertada . Se se confirmar a doença é necessário iniciar o tratamento. Como se trata o glaucoma? Essencialmente, existem 3 tipos de tratamento que têm como objetivo principal baixar a pressão intraocular: A terapêutica médica; O tratamento laser; O tratamento cirúrgico. Estas formas de tratamento podem ser usadas isoladamente ou em conjunto. Tratamento médico O tratamento inicial do glaucoma de ângulo aberto é o tratamento médico sob a forma de colírios (gotas). A colocação de gotas pode fazer-se 1 ou 2 vezes por dia , mas para se obter eficácia no tratamento é fundamental que sejam aplicadas diariamente, respeitando os horários de prescrição. Este rigor é tão importante que é um dos fatores primordiais de controlo da doença. Para que os horários sejam respeitados, o ideal é que seja o próprio doente o responsável pela sua aplicação, podendo, por vezes, recorrer a “auxiliares de memória” (pôr o telemóvel a despertar, colocar as gotas em local visível, colocar “lembretes”, etc.). Além disso, não se deve esquecer de levar os colírios quando se ausenta de casa. Em conjunto com a terapêutica, o doente de glaucoma tem de consultar regularmente o seu oftalmologista e realizar exames auxiliares de diagnóstico (campos visuais e, por vezes, HRT ou OCT) periódicos, dependendo do estádio ou controlo da doença. Quando o tratamento médico não é eficaz ou não é tolerado deve fazer-se tratamento cirúrgico e, em casos especiais, laser . Tratamento cirúrgico O tratamento cirúrgico tem indicações precisas, pois apesar dos riscos inerentes a qualquer ato cirúrgico e de, por vezes, não dispensar totalmente o uso de gotas, a cirurgia é uma arma terapêutica muito importante para o controlo do glaucoma. Tal como na cirurgia da catarata, tem havido avanços de forma a que a técnica cirúrgica praticada seja: Menos invasiva; Mais segura; De recuperação mais rápida (p.e., a esclerectomia profunda). Como prevenir o glaucoma? O glaucoma representa um problema de saúde pública em todo o mundo , já que é uma das causas mais frequentes de cegueira irreversível . É de sintomatologia silenciosa mas tem tratamento. O menor número de situações graves depende: Do conhecimento da doença pela população geral; Do seu diagnóstico precoce; Do entendimento da doença por parte do doente; Do cumprimento muito rigoroso da terapêutica. Os profissionais de saúde ligados à problemática estão empenhados no desenvolvimento de novos meios de diagnóstico , como: A monitorização da pressão intraocular/24h00; O desenvolvimento de tratamentos menos dependentes do doente (p.e., colírios administrados semanal ou mensalmente); O desenvolvimento de outras vertentes da doença – neuroproteção, consolidação de estudos genéticos e eventual terapêutica genética. Saiba que: O glaucoma de ângulo aberto é causado pelo aumento da pressão intraocular; Não dá sintomas, mas as células recetoras da visão que morrem não são substituídas e causam perda progressiva de visão; Os diabéticos e os doentes que tomam corticoides, de forma prolongada, estão mais sujeitos ao glaucoma; Depois dos 40 anos de idade, o rastreio é fundamental; O tratamento tem de ser cumprido com grande rigor. Nos hospitais e clínicas da rede Hospital da Luz, pode encontrar médicos oftalmologistas especialistas no diagnóstico e tratamento das doenças dos olhos e realizar os exames necessários para a sua situação. Conheça a equipa de oftalmologia da rede Hospital da Luz e faça a marcação da sua consulta ou exame . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.