Atualizado em 17 de abril de 2024 Autor: Manuel Domingues O glaucoma é uma doença silenciosa e progressiva da visão. Quando um doente se apercebe, a doença já lhe limitou o campo visual. O campo visual é o espaço em que conseguimos observar objetos quando o olhar se fixa num ponto. Durante a condução, por exemplo, quando fixamos um carro à nossa frente ainda conseguimos ver passeios, céu, árvores, os espelhos retrovisores. Uma pessoa com glaucoma não conseguirá perceber, por exemplo, a presença do espelho retrovisor. Sendo o campo visual o palco da função visual, o rastreio e deteção precoce do glaucoma é muito importante. O glaucoma é uma doença do nervo óptico , geralmente devido ao aumento da pressão intraocular (PIO). O humor aquoso é o fluído transparente que preenche o espaço entre a córnea e a íris, e drena o olho para manter uma pressão saudável. No glaucoma, essa drenagem é impedida resultando em aumento da pressão que irá danificar o nervo óptico. A morte das células ganglionares impede a transmissão de imagens do olho para o cérebro, resultando em perda de campo visual. Esta doença é caracterizada por: Diminuição da camada de fibras nervosas da retina; Alterações do aspeto da papila do nervo óptico; Perda de campo visual. A pressão intraocular é uma das causas mais importantes do glaucoma e é o fator que é possível controlar mais eficazmente. Contudo, há glaucomas que não estão associados a uma pressão intraocular alta, que são designados glaucomas de pressão normal . O glaucoma é uma doença frequente e, muitas vezes, não diagnosticada . Nestas circunstâncias, e quando não é tratado, constitui uma das causas mais importantes de cegueira . A maioria dos glaucomas pode ser tratada e controlada com um tratamento médico ou cirúrgico. Glaucoma: o nervo óptico O nervo óptico é constituído por fibras nervosas de todas as células ganglionares da retina. Transporta a informação sensorial captada pela retina e transmite-a ao cérebro. O nervo óptico é a única estrutura que atravessa a parede do olho , além de pequenos vasos e nervos. O início do nervo óptico dentro do olho é visível diretamente e chama-se papila do nervo óptico ou disco óptico. As fibras nervosas do nervo óptico são suportadas por estruturas da parede do olho (a lâmina cribosa), fora do olho por uma bainha fibrosa e por septos dessa bainha. A irrigação da papila do nervo óptico depende da circulação intraocular . Glaucoma: a pressão ocular O olho é uma estrutura aproximadamente esférica com uma parede flexível formada pela córnea e pela esclera. A forma constante do olho é conseguida através de uma pressão interna criada por um líquido chamado humor aquoso. O humor aquoso é produzido atrás da íris e sai do olho através do ângulo da câmara anterior. A parede do olho mantém o volume intraocular constante. Assim, a pressão intraocular depende do equilíbrio entre a quantidade de humor aquoso produzido e a quantidade de humor aquoso que deixa o globo ocular. Quando a pressão ocular é superior a 22 mmHg existe hipertensão ocular. Quanto maior esta for, maior é a probabilidade do nervo óptico perder fibras nervosas, ou seja, maior é a probabilidade de ocorrência de glaucoma. Grande parte dos casos de hipertensão ocular acontece em consequência de um aumento da resistência à drenagem do humor aquoso para fora do olho. Quais são os principais tipos de glaucoma? Nos adultos, existem 2 grandes grupos de glaucoma: O glaucoma de ângulo fechado (ou glaucoma agudo); O glaucoma de ângulo aberto (ou glaucoma crónico). Glaucoma de ângulo fechado No glaucoma de ângulo fechado ou glaucoma agudo, a íris oclui o ângulo da câmara anterior e impede a drenagem do humor aquoso. A pressão intraocular sobe em poucas horas e os sintomas clínicos são dramáticos , com: Dor; Enjoo; Náuseas; Vermelhidão do olho; Dilatação irregular da pupila; Diminuição aguda da visão. Glaucoma de ângulo aberto No glaucoma de ângulo aberto , ou glaucoma crónico, a obstrução à drenagem do humor aquoso desenvolve-se ao longo dos anos e a pressão intraocular sobe lentamente. Este grupo de glaucomas não tem quaisquer sintomas até ser atingida a fase da evolução, em que o campo visual central se altera. Os glaucomas de ângulo aberto são os mais frequentes e dividem-se em vários tipos. O glaucoma de pressão normal evolui como o glaucoma de ângulo aberto, embora sem hipertensão ocular. Julga-se que nestes casos estão presentes alterações da estrutura ou da irrigação do nervo óptico, que o tornam incapaz de suportar a pressão intraocular normal sem sofrer alterações glaucomatosas. Como se realiza o diagnóstico do glaucoma? O glaucoma de ângulo aberto é a forma mais frequente de glaucoma e não tem sintomas até serem atingidas fases tardias e irreversíveis da doença. O seu diagnóstico só pode ser feito através de observação pelo oftalmologista , com: Exame direto do nervo óptico; Estudo dos campos visuais; Medição da pressão intraocular. A medição isolada da pressão intraocular não é suficiente para diagnosticar o glaucoma. Como referido, existem também glaucomas com pressão intraocular normal e pressões oculares elevadas, sem que o nervo óptico sofra alterações glaucomatosas. Qual é o tratamento para o glaucoma? A pressão intraocular pode ser controlada com diversos tipos de medicamentos de aplicação local (gotas), usados isoladamente ou em associação. Há também 2 tipos de laser que podem ser usados no tratamento do glaucoma agudo (de ângulo fechado) e no glaucoma crónico simples. Finalmente, existem diversas técnicas cirúrgicas que permitem aumentar a drenagem do humor aquoso e diminuir a pressão intraocular. Em qualquer caso, o doente tem que ser seguido regularmente pelo oftalmologista. Nos hospitais e clínicas da rede Hospital da Luz, pode encontrar médicos oftalmologistas especialistas no diagnóstico e tratamento das doenças dos olhos e realizar os exames necessários para a sua situação. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.