05 de outubro de 2022 Autor : Saraiva da Cunha A gonorreia ou blenorragia é uma infeção sexualmente transmissível (IST) muito comum que afeta tanto homens como mulheres. Os países da União Europeia notificaram 100673 casos em 2018, um acréscimo de 22% face ao ano anterior. Em Portugal é uma doença de notificação obrigatória e em 2018 foram notificados 789 casos: 708 em homens, 81 em mulheres; 50% residentes na área metropolitana de Lisboa e 17% na região metropolitana do Porto; Cerca de 70% dos casos entre os 15 e os 34 anos. A gonorreia é provocada por uma bactéria – a Neisseria gonorrhoeae , também conhecida como gonococo – que se transmite quase sempre por contacto sexual : vaginal, anal ou oral. Não é necessário que haja ejaculação para haver transmissão da doença. A Neisseria gonorrhoeae infeta as células epiteliais principalmente da uretra, colo do útero, ânus e orofaringe e é uma das principais causas de uretrite (inflamação ou infeção da uretra). Sintomas e complicações da gonorreia Muitos casos de gonorreia são assintomáticos (não provocam sintomas), especialmente nas mulheres. No entanto, mesmo quando não há sintomas é possível transmitir a Neisseria gonorrhoeae desde que se esteja infetado. O período de incubação depois do contágio é de cerca de uma semana. Nos homens , os sintomas de gonorreia começam a manifestar-se 2 a 14 dias depois da infeção. Nas mulheres , geralmente não começam antes de passados 10 dias da infeção. Os sinais e sintomas de gonorreia estão relacionados com a via de entrada da bactéria no organismo e, por isso, os relacionados com a uretra e zona genital são os mais comuns. Nos homens: Os sintomas iniciam-se com desconforto na uretra seguindo-se ardor de intensidade variável ao urinar, urgência urinária e presença de um corrimento amarelo-esverdeado pelo pénis; A zona do orifício uretral pode ficar vermelha e inchada; Em alguns casos, as bactérias podem atingir o epidídimo (canal que transporta o esperma à saída dos testículos) e o escroto fica sensível ao toque. A infeção do epidídimo (epididimite), quando não tratada, pode levar a infertilidade. Nas mulheres: Os sintomas são de desconforto na área genital e corrimento vaginal semelhante a pus e com odor; Pode também haver aumento da frequência urinária e ardor ao urinar, hemorragia fora do período menstrual e dor durante as relações sexuais; As bactérias podem atingir as trompas provocando uma salpingite (infeção das trompas), que está associada a dor abdominal, especialmente durante as relações sexuais. A infeção pode ainda estender-se ao peritoneu provocando uma doença inflamatória pélvica ou peritonite, com dor intensa na região inferior do abdômen. As mulheres que tiveram salpingite e doença inflamatória pélvica têm um risco acrescido de infertilidade e gravidez ectópica. O sexo anal e o sexo oral com pessoas infetadas pelo gonococo podem provocar outros sintomas, tanto nos homens como nas mulheres: No caso da infeção anal : alterações do trânsito digestivo, prurido anal, hemorragia retal, presença de secreção pelo reto. A região anal fica inflamada e vermelha e as fezes cobertas de muco e pus. No caso da infeção oral : faringite gonocócica sem ou com dor de garganta. O contacto com fluidos infetados pelo gonococo pode ser causa de conjuntivite, uni ou bilateral, com inchaço e pus nos olhos. A infeção pode ainda espalhar-se pelo organismo por via sanguínea e dar origem a problemas inflamatórios da pele (dermatite) e articulações (artrite), que ficam inchadas, vermelhas, sensíveis ao toque e com menor mobilidade, acompanhados de febre e mal-estar geral. Os bebés de mães infetadas podem ficar infetados durante o parto, com conjuntivite neonatal que se não for tratada pode ser causa de cegueira. Diagnóstico e tratamento O diagnóstico baseia-se na história e no exame do doente, com especialmente incidência nos comportamentos e sinais presentes. A infeção pode ser confirmada analisando uma amostra da secreção ao microscópio ou por exame laboratorial com pesquisa da bactéria ou do seu DNA em amostras do corrimento ou em amostras de urina. Quando as articulações são atingidas, pode também ser obtido líquido articular para análise. Habitualmente são despistadas ao mesmo tempo outras infeções sexualmente transmissíveis. Sendo uma infeção causada por uma bactéria, a gonorreia ou blenorragia trata-se com antibióticos . No entanto, ao longo dos anos, a Neisseria gonorrhoeae tem desenvolvido resistências a vários antibióticos, o que dificulta o seu tratamento. Prevenir a gonorreia As medidas de prevenção da gonorreia evitam também outras infeções sexualmente transmissíveis e são: Usar sempre preservativo nas relações sexuais; Não ter relações sexuais, mesmo protegidas, sempre que haja corrimento anormal ou ardor ao urinar; Evitar comportamentos sexuais de risco: não mudar parceiros sexuais com frequência nem manter relações sexuais com pessoas que tenham outros parceiros; Procurar cuidados médicos perante sintomas suspeitos; Em caso de infeção, identificar corretamente e permitir que todos os contactos sexuais sejam rastreados e tratados. Fonte Gonorrhoea Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. 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