27 de julho de 2020 As hepatites virais, ou hepatites víricas, são uma das principais causas de morte e um problema de saúde pública muito relevante em todo o mundo. Estas doenças devem-se principalmente aos vírus da hepatite A a E, que provocam uma inflamação aguda ou crónica do fígado. Hepatite A A hepatite A transmite-se essencialmente por via fecal-oral após contacto com água e alimentos contaminados . Com a melhoria do saneamento básico, das condições de higiene, acesso a água potável e cuidados na confeção de alimentos, a hepatite A é hoje uma doença rara em Portugal. A grande maioria dos casos de hepatite A no nosso país está relacionada com viagens para países de risco ou com surtos esporádicos em comunidades de homens que têm sexo com homens. A mortalidade associada à hepatite A é baixa, sendo maior em idosos e em doentes com cirrose. Existe uma vacina segura e eficaz contra a hepatite A , que está recomendada pela Direção Geral da Saúde para: Os 2 grupos mencionados: viajantes para países de risco e comportamentos sexuais de risco); Candidatos a transplante hepático; Crianças em tratamentos com fatores de coagulação. Hepatite B Estima-se que existam em todo o mundo 250 milhões de pessoas com hepatite B crónica, doença que provoca mais de meio milhão de mortes por ano. A infeção pode ser transmitida: Ao nascimento, de mãe para filho, o que se designa transmissão vertical; Por via sexual; Por via percutânea (inoculação acidental do vírus por injeções, picadas em agulhas) ou em contexto familiar em crianças (contacto próximo, partilha de objetos como escovas dos dentes e corta-unhas). A hepatite B é considerada uma doença de sexualmente transmissível. A probabilidade de a infeção se tornar crónica é mais alta nas crianças e jovens do que nos adultos. Quando acontece nos adultos pode evoluir para cirrose e cancro do fígado. Desde a introdução da vacina contra a hepatite B no Programa Nacional de Vacinação (PNV) em 1994, a incidência da doença tem diminuído de forma importante. Continuando a manter-se a elevada taxa de adesão à vacinação, é provável que a hepatite B possa ser erradicada de em Portugal dentro de algumas décadas. Alguns doentes com hepatite crónica têm indicação para tratamento vitalício, que é feito com comprimidos. Com este tratamento, o risco de cirrose e cancro diminui. Hepatite C A hepatite C transmite-se por via percutânea e na maioria dos casos a doença torna-se crónica. A hepatite C é a principal hepatite viral crónica . Desde 2015 que estão disponíveis em Portugal os antivíricos de ação direta, que são usados em tratamentos com uma duração de 8-12 semanas, bem tolerados e altamente eficazes (> 95% de cura). Nas fases iniciais da doença este tratamento impede a evolução para cirrose. Nas fases mais avançadas reduz a probabilidade de cancro e de morte. Provavelmente haverá benefício, tanto em termos individuais como de saúde pública, em rastrear a hepatite C (através da determinação de anticorpos anti-VHC) a toda a população pelo menos uma vez na vida. Hepatite D A hepatite D afeta apenas as pessoas com hepatite B, é rara e transmite-se por via percutânea. É a hepatite que mais rapidamente evolui para cirrose e não tem tratamentos específicos aprovados. A vacina contra a hepatite B também é eficaz contra a hepatite D. Hepatite E A hepatite E ocorre em dois padrões distintos: Na Ásia e em África provoca uma doença aguda, endémica, com transmissão semelhante à da hepatite A, e com baixa mortalidade exceto em grávidas; A forma esporádica, mais comum nos países desenvolvidos, incluindo Portugal, tem o seu reservatório em animais (porcos) e pode causar uma doença crónica em doentes imunodeprimidos. A transmissão da hepatite E é feita por via fecal-oral. Quando os valores das transaminases relacionadas com a função hepática estão alterados, deve ser excluída a possibilidade de se estar perante uma hepatite viral. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.