14 de março de 2019 A coluna cervical é formada por 7 vértebras intercaladas por discos intervertebrais . Estes discos são formados por um anel fibroso periférico e um centro gelatinoso – o núcleo pulposo, que, à medida que a coluna flete, torce ou estende, sofrem consecutivas alterações da sua forma. Na região cervical o canal raquidiano protege a medula que, neste nível, transporta impulsos nervosos para os 4 membros. Quais são as principais causas da hérnia discal cervical? Em comparação com a coluna lombar, a carga a que a coluna cervical está sujeita ao longo da vida é bastante menor. Por outro lado, a mobilidade do pescoço é maior e está igualmente vulnerável a deficiências posturais , muitas vezes, relacionadas com a atividade profissional. Desta forma, os discos intervertebrais cervicais são também suscetíveis de desgaste e degenerescência , perdendo a sua flexibilidade e capacidade de absorver a carga necessária ao desempenho das atividades do dia a dia. Quando o disco intervertebral perde as suas características fisiológicas pode haver rotura do anel fibroso e deslocação de fragmentos do núcleo pulposo em direção ao canal raquidiano, formando-se a chamada hérnia discal . Estas situações podem surgir insidiosamente ou ser desencadeadas por: Movimentos bruscos; Sobrecarga de esforço sobre a coluna cervical. Quais são as consequências da hérnia discal cervical? O colapso do disco degenerado provoca também prolapso do disco e diminuição do calibre dos canais de conjugação , por onde saem as raízes nervosas, com origem na medula em direção aos membros superiores. Secundariamente, vai ocorrer também uma deformação dos pratos vertebrais adjacentes , com a formação de saliências ósseas, osteófitos , que podem também reduzir o diâmetro do canal raquidiano ou dos canais de conjugação. Quais são as patologias associadas à hérnia discal cervical e como se diagnosticam? As hérnias da coluna vertebral são uma das áreas de intervenção da neurocirurgia e da ortopedia. Existem duas situações patológicas distintas , que têm evoluções clínicas e tratamentos diferentes: A hérnia discal de núcleo pulposo – aguda; A hérnia disco-osteofitária – crónica. No diagnóstico da hérnia discal cervical podem ser usados diversos meios complementares: Radiografia simples: é o método de imagem mais utilizado em traumatismos cervicais no diagnóstico de fraturas ou luxações. Na doença degenerativa, a sua informação é limitada, podendo mostrar a diminuição do espaço discal e a formação de osteófitos nas margens dos corpos vertebrais; Tomografia computorizada (TAC): é o melhor exame para diagnosticar alterações das estruturas ósseas. Permite também, observar as alterações do disco intervertebral, as dimensões do canal raquidiano e avaliar o grau de saliência discal para dentro do canal; Ressonância magnética (RM): é o melhor exame para avaliar as estruturas neurológicas, medula e raízes da cauda equina, bem como, a sua relação com as procidências ou extrusão de fragmentos discais; Mielografia: é o exame realizado quando não é possível efetuar a RM e consiste na injeção de contraste no saco dural, seguida de obtenção de imagens por TAC. Permite avaliar as dimensões do canal raquidiano e eventuais situações de compressão medular ou radicular; Eletromiografia: estuda a função dos nervos periféricos em situações de alteração motora ou sensitiva dos membros, permitindo fazer o diagnóstico diferencial entre uma neuropatia periférica e um sofrimento de uma raiz nervosa, por compressão a nível da coluna vertebral. Este artigo foi escrito com o apoio dos médicos e outros profissionais clínicos da Rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.