14 de março de 2019 Autor : Álvaro Lima A coluna lombar é composta por 5 vértebras separadas por discos cartilagíneos. Estes discos são formados por um anel fibroso periférico e um centro gelatinoso – o núcleo pulposo, que à medida que a coluna flete, torce ou estende, sofrem alterações da sua forma. Estes “amortecedores” de cartilagem permitem que a coluna vertebral suporte e dissipe a carga , através dos seus múltiplos níveis, mantendo a estabilidade e flexibilidade necessária à execução das tarefas diárias. Quais são as causas da hérnia discal lombar? Dependendo do envelhecimento e da carga exercida sobre os discos intervertebrais, estes sofrem um processo de degenerescência que consiste na: Perda do seu elevado índice de água; Perda da elasticidade e da capacidade para amortecer as cargas. Estudos por ressonância magnética mostram que aos 35 anos, cerca de 30% da população apresentará degenerescência discal a um ou mais níveis. Por outro lado, aos 60 anos esta percentagem rondará os 90%. Quais são as consequências e sintomas da hérnia discal lombar? Na maioria dos casos, este processo degenerativo é assintomático , mas, em muitas situações, dá origem a quadros de dor lombar incapacitante. Em certos casos, durante o processo degenerativo discal ocorre rotura do anel fibroso e deslocação de um fragmento do núcleo pulposo para dentro do canal raquidiano, onde se localizam as raízes nervosas, constituindo a hérnia discal. Quando este fragmento pressiona uma raiz nervosa surge um quadro de dor lombar, com irradiação à perna e ao pé. Estas situações podem surgir insidiosamente ou ser desencadeadas por: Movimentos bruscos; Sobrecarga de esforço sobre a coluna lombar. As queixas de dor lombar com irradiação ao membro inferior surgem, habitualmente, após a realização de um esforço físico , como por exemplo, carregar pesos, fletir ou rodar o tronco. O trajeto da dor está relacionado com a raiz nervosa pressionada dentro do canal raquidiano. Os sintomas mais frequentes na doença discal lombar são os seguintes: Dor lombar contínua ou intermitente, que agrava com o movimento, tosse, espirros e com a posição de pé parado; Espasmo dos músculos lombares; Ciática – dor irradiada ao membro inferior, atingindo a perna e o pé; Falta de força nos movimentos do pé; Dormência da perna e pé; Diminuição dos reflexos do joelho e calcanhar; Alterações do controlo do esfíncter urinário ou anal. Em casos raros, se a hérnia discal for muito volumosa , pode(m) ocorrer: Queixas de dificuldade na marcha; Desequilíbrio; Descontrolo dos esfíncteres vesical e anal. Como se realiza o diagnóstico da hérnia discal lombar? No diagnóstico da hérnia discal lombar podem ser usados diversos meios complementares: Radiografia simples: é o método de imagem mais utilizado em traumatismos lombares no diagnóstico de fraturas ou luxações. Na doença degenerativa a sua informação é limitada, podendo mostrar a diminuição do espaço discal e a formação de osteófitos nas margens dos corpos vertebrais; Tomografia computorizada (TAC): é o melhor exame para diagnosticar alterações das estruturas ósseas. Permite também, observar as alterações do disco intervertebral, as dimensões do canal raquidiano e avaliar o grau de saliência discal para dentro do canal; Ressonância magnética (RM): é o melhor exame para avaliar as estruturas neurológicas, medula e raízes da cauda equina e a sua relação com as procidências ou extrusão de fragmentos discais; Mielografia: é o exame realizado quando não é possível efetuar RM e que consiste na injeção de contraste no saco dural, seguida da obtenção de imagens por TAC. Permite avaliar as dimensões do canal raquidiano e eventuais situações de compressão medular ou radicular; Eletromiografia: estuda a função dos nervos periféricos em situações de alteração motora ou sensitiva dos membros, permitindo fazer o diagnóstico diferencial entre uma neuropatia periférica e um sofrimento de uma raiz nervosa, por compressão a nível da coluna vertebral. As hérnias da coluna vertebral são uma das áreas de intervenção da neurocirurgia e da ortopedia. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.