Atualizado a 10 de janeiro de 2024 Autor: Jaime Vilaça Na hérnia inguinal , uma porção de intestino (e/ou outros órgãos e tecidos) atravessa uma zona de maior debilidade ou fraqueza dos músculos da parede abdominal na região inguinal, conhecida correntemente como virilha, formando uma saliência ou tumefação, percetível ou visível exteriormente . O volume e extensão da hérnia é variável , pode prolongar-se desde a virilha até ao escroto nos homens e até à zona dos grandes lábios nas mulheres. Nos casos menos graves, a tumefação pode aparecer e desaparecer , o que acontece relacionado com a pressão intra-abdominal. Quando a pressão intra-abdominal aumenta (por exemplo quando se tosse, espirra, ou se faz algum esforço), a tumefação aparece ou fica maior, depois desaparece. Em alguns casos só desaparece se for empurrada, o que se chama fazer a redução manual da hérnia. Quando não é possível fazer a redução manual de uma hérnia inguinal, isso significa que o intestino ficou preso nos músculos atravessados e que a hérnia está encarcerada . Quando numa hérnia encarcerada é também comprometida a irrigação sanguínea pode haver necrose (morte) dos tecidos do intestino. Neste caso, que é o mais grave, diz-se que há uma hérnia estrangulada . Uma hérnia inguinal diagnosticada tem à partida indicação operatória ; a ocasião mais adequada para fazer a cirurgia é variável. Uma hérnia encarcerada e uma hérnia estrangulada são situações graves, que requerem cuidados médicos imediatos. O que é a parede abdominal A parede abdominal é a estrutura que rodeia a cavidade abdominal e pélvica . Estende-se desde o limite inferior das costelas, até à coluna vertebral posteriormente e aos ossos pélvicos e região inguinal inferiormente. É composta principalmente por músculos . As funções da parede abdominal são estabilizar o tronco e permitir os seus movimentos, proteger os órgãos abdominais e mantê-los na sua posição correta quando aumenta a pressão intra-abdominal, por exemplo, quando se tosse, espirra, se fazem esforços, entre outros. Quem pode ter uma hérnia inguinal? A hérnia inguinal pode ocorrer em qualquer idade, sendo mais frequente nos homens do que nas mulheres . Não é conhecida ao certo a causa das hérnias inguinais, mas entre os fatores de risco que aumentam a probabilidade de desenvolver uma hérnia inguinal estão: Sexo masculino; Prematuridade; Envelhecimento (mais de 50 anos); Tosse crónica; Obstipação crónica; Obesidade; Gravidez; Tabagismo; Traumatismo abdominal; Qualquer outro fator que provoque aumento excessivo da pressão intra-abdominal, especialmente quando é recorrente. Sintomas de hérnia inguinal Nas hérnias menos graves, os sintomas iniciais mais comuns e que levam habitualmente à procura de cuidados médicos são: Sensação de peso ou de repuxar na virilha; Presença de uma saliência na região da virilha que aparece e desaparece, que é mais evidente quando se está em pé e desaparece completamente quando se está deitado, que desaparece por si ou com redução manual; Dor local e/ou desconforto, frequentemente associados a ações que aumentam a pressão ou requerem movimentos na zona da virilha. Na hérnia encarcerada a redução manual deixa de ser possível. A ocorrência dos seguintes sintomas levanta a suspeita da hérnia estar estrangulada : Dor intensa; Náuseas e vómitos; Febre; Alteração da cor da zona da hérnia, que fica vermelha ou arroxeada; Aumento do volume abdominal: Interrupção de eliminação de fezes e gases intestinais. Tratamento da hérnia inguinal O tratamento definitivo de uma hérnia inguinal é feito por cirurgia . As hérnias assintomáticas podem não necessitar de tratamento imediato. O tratamento precoce das hérnias tem maior taxa de sucesso e menos risco de complicação. Tendo em consideração as especificidades de caso, as particularidades de cada doente e as complicações potenciais, mesmo uma hérnia inguinal com sintomas ligeiros pode ter indicação cirúrgica. As hérnias encarceradas e as hérnias estranguladas têm sempre indicação cirúrgica, realizada de urgência. A cirurgia pode ser feita de duas formas – aberta ou minimamente invasiva . Cirurgia minimamente invasiva de hérnias inguinais A cirurgia minimamente invasiva é superior à cirurgia aberta porque permite: Tratar os dois lados de uma só vez; Diagnosticar hernias em localizações raras que se podem confundir com hérnias inguinais; Uma recuperação mais rápida; Menos dor e uma taxa de infeção quase nula; Melhor resultado estético. Assim, esta é hoje a via de abordagem de eleição, salvo em doentes com contraindicação como acontece, por exemplo, nos que têm antecedentes de prostatectomia radical. A abordagem minimamente invasiva da cavidade abdominal chama-se laparoscopia ou via laparoscópica. Esta técnica que usa pequenas incisões para introduzir uma câmara que transmite imagens para um monitor da sala de operações e instrumentos que podem ter 5 mm para realizar a intervenção. O intestino é reposicionado e a reparação da zona do músculo onde se formou a hérnia envolve também a colocação de uma rede para reforço e proteção. No final o doente fica apenas com uma cicatriz intra-umbilical de 1 cm e duas pequenas cicatrizes abdominais com cerca de 5 mm cada uma. Alguns cirurgões com mais diferenciação e experiência usam rede auto-aderente para reparação do músculo, que não necessita defixação com grampos. Desta forma, é possível diminuir ainda mais o nível de dor no pós-operatório e o risco de dor crónica associado à cirurgia é reduzido praticamente a zero. Conheça a equipa clínica de cirurgia geral da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.