14 de maio de 2026 Autora : Ana Lúcia Barreira (cirurgia geral) A hérnia umbilical é um tipo de hérnia da parede abdominal que se forma na região do umbigo . Numa zona de maior debilidade da parede, ocorre uma passagem de estruturas internas, normalmente gordura ou parte do intestino, formando-se uma saliência exterior. Esta saliência mais ou menos visível na região do umbigo pode aumentar com o esforço, tosse, estar em pé e outras situações. Pode não haver outros sintomas relevantes, mas também pode haver desconforto ou dor, sobretudo com o esforço. Em situações raras, a hérnia umbilical pode estrangular, o que significa que o seu conteúdo fica preso e deixa de ter irrigação sanguínea, situação que exige tratamento urgente. Há fatores de risco para ter uma hérnia umbilical? Algumas condições aumentam a probabilidade de desenvolver uma hérnia umbilical ou de esta se agravar: Excesso de peso ou obesidade; Esforços repetidos, como levantar pesos ou esforço físico intenso; Tosse crónica, por exemplo, em fumadores ou pessoas com doenças pulmonares; Gravidez; Obstipação crónica devido esforço ao evacuar; Ascite ou acumulação de líquido no abdómen; Diabetes ou outras condições que afetam a cicatrização; Tabagismo, porque prejudica a qualidade dos tecidos. A presença destes fatores também pode aumentar o risco de complicações e influenciar a recuperação após cirurgia. O tratamento de uma hérnia umbilical é sempre cirúrgico? A cirurgia é o único tratamento definitivo para a hérnia umbilical. No entanto, nem todas as hérnias umbilicais necessitam de tratamento cirúrgico imediato. Geralmente, a cirurgia é recomendada quando : A hérnia causa dor ou desconforto que afetam a qualidade de vida; Verifica-se um aumento progressivo do tamanho da hérnia; Há um risco elevado de complicações, como estrangulamento. Em casos de hérnias pequenas e sem outros sintomas ou em doentes com elevado risco cirúrgico, pode ser adequada uma abordagem de vigilância, com avaliação médica periódica. Como é feita a cirurgia de uma hérnia umbilical? A cirurgia tem como objetivo corrigir o defeito da parede abdominal ao nível do umbigo e prevenir o reaparecimento da hérnia. A cirurgia de correção de hérnia umbilical pode ser realizada através de várias técnicas: Cirurgia aberta , em que é feita uma incisão única, maior, na região umbilical; Cirurgia minimamente invasiva , em que são feitas pequenas incisões (“furinhos”) através dos quais são introduzidos os instrumentos cirúrgicos e uma câmara, sendo a cirurgia orientada pela imagem de alta definição presente num monitor na sala. A abordagem minimamente invasiva está associada a uma recuperação mais rápida e a menor risco de infeção em alguns casos. No entanto nem todas as hérnias podem ser tratadas recorrendo a esta técnica. Independentemente da via de abordagem – aberta ou minimamente invasiva – na maioria dos casos, o procedimento inclui : Encerramento do defeito herniário, ou seja, da zona de debilidade que permitiu a formação da hérnia; Sempre que indicado é feito um reforço da parede abdominal com uma prótese (uma espécie de rede), que pode ser colocada em diferentes planos da parede abdominal (mais superficial ou mais profundo), e que reduz o risco de recidiva; Em alguns casos de cirurgia urgente, quando os tecidos herniados deixaram de ter irrigação sanguínea, pode ser necessário realizar uma resseção intestinal, ou seja, retirar a porção de intestino afetada. A duração da cirurgia varia com a complexidade da hérnia, mas em geral é um procedimento de curta duração. Há cuidados especiais após a cirurgia de uma hérnia umbilical? Após a cirurgia, pode ser necessário : Manter drenos abdominais durante um período a determinar caso a caso; Usar pensos de vacuoterapia para ajudar a cicatrização; Usar uma cinta abdominal para suporte e contenção, geralmente durante os primeiros três meses depois da cirurgia; Evitar esforços físicos intensos durante a recuperação. O regresso ao trabalho depende da atividade profissional e da recuperação individual. A maioria dos doentes regressa rapidamente à sua rotina habitual. A cicatrização completa e a integração da prótese podem levar várias semanas. A cirurgia de uma hérnia umbilical tem riscos? A taxa de sucesso da cirurgia de correção de uma hérnia umbilical é elevada e a maioria dos doentes tem uma recuperação sem intercorrências. No entanto, todos os procedimentos cirúrgicos têm riscos, incluindo os associados à anestesia e a condições preexistentes como tabagismo, obesidade ou diabetes. Os riscos gerais incluem: Infeção urinária; Tromboses venosas; Complicações cardíacas ou respiratórias; Hemorragia. Riscos específicos da cirurgia de correção herniária incluem: Dificuldade de cicatrização ou infeção da ferida operatória; Seromas ou hematomas; Dor crónica ou infeção da prótese; Recidiva da hérnia; Lesões intestinais, nervosas ou vasculares. O que acontece se uma hérnia umbilical não for tratada? Uma hérnia que tem indicação de tratamento cirúrgico e não é tratada pode aumentar de tamanho ao longo do tempo, tornando-se mais difícil de corrigir e causando maior desconforto. Pode também complicar-se com encarceramento ou estrangulamento, afetando a qualidade de vida e tornando uma cirurgia posterior mais complexa, com maior taxa de complicações. Conheça a equipa clínica de cirurgia geral da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. 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