20 de abril de 2023 Autor : Saraiva da Cunha O vírus Herpes simplex , ou HSV, tem dois tipos, o HSV-1 e o HSV-2. O herpes genital é provocado principalmente pelo HSV-2 , transmitido nas relações sexuais vaginais ou anais; Há ainda muitos casos de herpes genital devidos ao HSV-1, transmitido durante o sexo oral; O HSV-1 também causa o herpes labial, e a transmissão, que é comum nas crianças e jovens, deve-se ao contacto, direto ou indireto, com saliva infetada. O vírus pode ser transmitido de mãe para filho durante um parto vaginal, principalmente quando existem lesões vaginais da doença. Nos recém-nascidos a infeção por herpes pode ter consequências graves. Estima-se que cerca de 13% da população mundial com 15-49 anos de idade esteja infetada por HSV-2. Como se transmite o herpes genital? Nas pessoas infetadas, o vírus encontra-se nas lesões típicas da infeção e em fluidos corporais como a saliva, esperma e fluidos vaginais. As pessoas infetadas podem transmitir o vírus mesmo quando não têm lesões . O vírus entra no organismo através das mucosas ou de uma lesão da pele. Assim, o contágio pode acontecer quando se tem contacto com: Lesões de herpes genital e labial e pele das zonas envolventes; Saliva, urina ou fluidos genitais de alguém infetado. Qualquer pessoa sexualmente ativa tem risco de ficar infetada por herpes genital, mas o risco é maior e a doença pode ser mais grave: Nas mulheres; Nas pessoas que têm múltiplos parceiros sexuais ou mudam de parceiro sexual com frequência; Nas pessoas que fazem tratamentos que provocam imunossupressão; Nas pessoas que têm o seu sistema imunitário debilitado, como é o caso dos infetadas por vírus da imunodeficiência humana (VIH / SIDA). O herpes genital pode ter complicações potencialmente graves em vários órgãos, entre os quais os olhos, fígado e sistema nervoso central (encefalite e meningite). Sintomas de herpes genital Tal como muitas outras infeções sexualmente transmissíveis, também o herpes genital pode não ter sintomas e, por isso, muitas pessoas podem nunca saber que estão infetadas. Quando a doença tem sintomas, estes ocorrem em surtos ou episódios recorrentes . O primeiro surto ocorre, em regra, 1-3 semanas depois do contágio: Aparecem na face interna das coxas e/ou na área genital (e no interior da vagina nas mulheres) e/ou na região anal pequenas bolhas (vesículas) preenchidas de líquido, que acabam por rebentar deixando feridas (úlceras) avermelhadas e dolorosas , que se mantêm durante 1-2 semanas e depois desaparecem. Além destas lesões típicas, podem ocorrer outros sintomas: Dor ou incómodo na zona genital, nádegas e coxas; Febre; Dores musculares; Dor de cabeça; Dor ao urinar; Corrimento vaginal nas mulheres; Aumento dos gânglios linfáticos inguinais (nas virilhas). Ao longo do tempo podem suceder-se vários surtos ou episódios da doença, com aparecimento de lesões e restantes sintomas de herpes genital. O primeiro surto da doença é geralmente o mais grave e as lesões levam mais tempo a desaparecer; A frequência dos surtos de infeção diminui com o passar dos anos; A frequência e gravidade dos surtos de doença varia de pessoa para pessoa. Diagnóstico O diagnóstico baseia-se na história do doente , nos sinais e sintomas e em exames de diagnóstico que distinguem se estamos em presença de HSV-1 ou HSV-2. Pode ser feita uma análise de uma amostra das lesões ou de fluidos genitais. Quando há suspeita de herpes genital, mas não há lesões presentes, pode ser feita uma análise de sangue para confirmar ou excluir a doença. Quando é confirmado herpes genital, devem ser feitas análises de diagnóstico de outras infeções sexualmente transmissíveis. Tratamento do herpes genital Uma infeção por Herpes simplex , como é o herpes genital, não tem cura . O objetivo do tratamento é diminuir a frequência dos surtos e aliviar os sintomas . O tratamento a fazer é determinado pela avaliação médica, considerando também as particularidades de cada caso. Em alguns casos, pode mesmo não estar recomendado qualquer tratamento com medicamentos. Quando há indicação de tratamento, este pode incluir medicamentos antivirais: Tomados diariamente, com o objetivo de evitar surtos da doença (tratamento supressor, indicado quando os surtos são muito frequentes), ou tomados aos primeiros sinais de ocorrência de um surto para diminuir a gravidade dos sintomas e acelerar a recuperação (tratamento episódico); Aplicados localmente nas lesões. Outras medidas que podem ajudar durante um surto: Nas lesões, a aplicação de calor (compressas embebidas em água quente, por exemplo) ou de frio (gelo protegido) alivia a dor ou incómodo que provocam; Nas mulheres, os banhos de assento ou mesmo a imersão em água morna, podem aliviar a dor ao urinar e facilitar a micção; Usar roupa interior de algodão; Evitar cuecas e calças ou calções muito justos. Prevenção do herpes genital As principais medidas para não se ficar infetado e não se transmitir o herpes genital são: Usar sempre preservativo nas relações sexuais; Não ter relações sexuais durante um surto de doença , mesmo usando preservativo; Não manter sexo oral quando existam lesões de herpes labial ou oral; Não tocar nas lesões de herpes ; Reforçar a lavagem das mãos durante um surto de doença. As mulheres que tenham herpes genital e engravidem devem informar o seu médico para que este as aconselhe sobre as precauções que devem adotar para proteger o seu filho. Fontes Albrecht MA. Patient education: Genital herpes (beyond the basics). www.uptodate.com Centers for Disease Control and Prevention. Genital herpes. www.cdc.gov World Health Organization. Herpes simplex virus . Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.