10 de abril de 2025 Autor : Alberto Rocha Pereira (cirurgia plástica) A hidrosadenite supurativa é uma doença inflamatória crónica que afeta a pele das pregas corporais. Acne inversa, doença de Verneuil e o pioderma fistuloso são outros nomes pelos quais também é conhecida. Afeta mais frequentemente as axilas e as virilhas, mas também pode envolver a região das nádegas e os sulcos infra-mamários. A drenagem constante de líquido e o mau cheiro, compromete de forma decisiva a qualidade de vida das pessoas atingidas , pelas dificuldades de higienização e limpeza das regiões afetadas, condicionando a forma como se vestem e organizam a sua vida social e profissional. É uma doença com apresentações muito diferentes, o que por vezes justifica o seu diagnóstico tardio associado a um sofrimento prolongado. Causas de hidrosadenite supurativa A causa desta doença inflamatória crónica, que resulta da obstrução dos folículos pilosos e das glândulas anexas não é completamente conhecida. Sabe-se, no entanto, que diversos fatores contribuem para o seu desenvolvimento : Genéticos e familiares, que explicam o aparecimento em pessoas da mesma família; Hormonais, que justificam o surgimento depois da puberdade; Imunológicos; Ambientais e associados ao estilo de vida, por exemplo o consumo de tabaco, uso de vestuário justo e a obesidade. É conhecido também que a hidrosadenite não se deve a infeções ou a falta de higiene . Este julgamento comum e incorreto contribui para a discriminação de que os doentes com hidrosadenite supurativa são vítimas com relativa frequência. Sintomas e diagnóstico Os seus sintomas mais frequentes incluem, nas zonas afetadas: Inflamação com vermelhidão e espessamento; Nódulos da pele, dolorosos e recorrentes; Secreção com mau cheiro; Cicatrizes espessas e retrateis que por vezes chegam a formar “pontes” de pele; Dificuldade da mobilização dos membros provocada pela dor e/ou pela retração cutânea. O diagnóstico é clínico e pode ser feito na própria consulta de dermatologia ou de cirurgia plástica . Baseia-se na apresentação característica, não necessitando geralmente da realização de exames complementares. Nas fazes inicias, a hidrosadenite supurativa pode confundir-se com foliculites, quistos sebáceos e acne, mas pela sua evolução e regiões afetadas, facilmente é identificada e poderá ser iniciado o seu tratamento. Tratamento da hidrosadenite supurativa A hidrosadenite não tem cura definitiva . No entanto pode ser controlada , dependendo do seu estádio de evolução, com recurso a tratamento médico e se necessário cirúrgico . Tratamento médico Nos estádios iniciais, o tratamento é médico e deverá ser instituído pela dermatologia . O objetivo é controlar a inflamação, reduzir as crises, travar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida. Vários tipos de medicamentos podem ser uteis, isolados ou em combinação. Poderão vir a ser necessários ajustes da medicação em função da resposta individual, pelo que a consulta não deverá ser abandonada ao primeiro retrocesso. Os medicamentos prescritos podem ser: Anti-inflamatórios; Antibióticos; Retinoides; Terapias hormonais; Terapias biológicas (em casos moderados a graves). Tratamento cirúrgico A má resposta ao tratamento médico, as complicações e os estádios mais avançados de hidrosadenite supurativa necessitam de tratamento cirúrgico, que é realizado pela cirurgia plástica . Diferentes intervenções poderão estar indicadas em função do caso específico: Drenagem de abscessos, que é reservada para a fase aguda de lesões individuais; Remoção radical de áreas afetadas; Cirurgias reconstrutivas de revestimento com enxertos ou retalhos de pele. Na generalidade dos casos, a remoção de lesões individuais não está indicada. Contudo, a sua drenagem na fase aguda infetada com acumulação de pus, permite aliviar muito a dor que lhes está associada, bem como acelerar o seu controle com a antibioterapia associada. A cirurgia plástica pretende remover em bloco as áreas de pele afetadas, com maior densidade de folículos pilosos, nas zonas de maior atrito e com maior risco de inflamação e obstrução dos folículos pilosos, que não poderão, no entanto, ser erradicadas por completo. Pelo facto de se tratar de zonas de pregas nas raízes dos membros, como as axilas e as regiões inguinais, e que, por isso, requerem grande mobilidade, terá obrigatoriamente de haver substituição por pele de espessura e elasticidade adequadas para não impedir os movimentos. A cirurgia plástica reconstrutiva, permite fazer a transferência de retalhos de pele das zonas adjacentes, de preferência com menor quantidade de pelos, ou, em alternativa, de retalhos de zonas distantes transferidos com recurso a microcirurgia. Tratamentos médico e cirúrgico são complementares O tratamento cirúrgico da hidrosadenite supurativa não substitui o tratamento médico, que se deverá manter em complementaridade . Não substitui também o acompanhamento a longo prazo, que é imprescindível, uma vez que a transformação maligna de cicatrizes crónicas com décadas de evolução não pode ser excluída. As intervenções cirúrgicas devem ser realizadas em bloco operatório e sob anestesia geral, uma vez que os anestésicos locais não têm eficácia em zonas inflamadas e infetadas. Pelas particularidades da doença, pela exigência do ponto de vista técnico e pelo pós-operatório muito particular , trata-se de intervenções que devem ser realizadas por cirurgiões plásticos experientes e treinados no tratamento deste tipo de doentes , sempre que possível envolvidos numa equipa multidisciplinar. Conheça a equipa clínica de cirurgia plástica, reconstrutiva e estética da rede Hospital da Luz. 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