9 de julho de 2020 Autor : Pedro Pinto Sousa A hiperhidrose é uma produção de suor em quantidade superior àquela que é necessária para regular a temperatura corporal. É uma situação incomodativa e que tem um impacto emocional, social e profissional importante. Na hiperhidrose primária ou essencial o suor excessivo é localizado e afeta, principalmente, as palmas das mãos, as plantas dos pés e as axilas. Pode também atingir outros locais, como a face, couro cabeludo, virilhas e região infra-mamária. A produção de suor em excesso deve-se a uma alteração do sistema nervoso simpático que provoca um funcionamento exagerado das glândulas sudoríparas da pele, que são responsáveis pela produção de suor. A incidência de hiperhidrose na população é de cerca de 3%. De uma forma geral, assume-se que um doente tem hiperhidrose primária ou essencial quando há uma situação de excesso de suor localizada, visível, com uma duração de pelo menos seis meses e sem uma causa identificável. A hiperhidrose também pode ser secundária , ou seja, surgir na sequência de outras doenças ou ser um efeito secundário de alguma medicação. Quando a hiperhidrose não é localizada, é mais provável que se trate de hiperhidrose secundária. Assim, antes de decidir qual é o tratamento adequado é necessário excluir situações de hiperhidrose secundária. A decisão sobre a opção de tratamento mais adequada para cada doente com hiperhidrose primária tem em consideração fatores como: A região do corpo afetada; As expectativas e preferências do doente; As características da doença; A segurança e eficácia do tratamento: O custo e disponibilidade do tratamento. As modalidades de tratamento disponíveis atualmente incluem, entre outras, antitranspirantes, tratamentos com toxina botulínica, termólise com micro-ondas, medicamentos tópicos e orais e cirurgia. O tratamento da hiperhidrose por cirurgia – simpatectomia toracoscópica – não é habitualmente a primeira opção considerada, particularmente em casos ligeiros, mas é uma solução de tratamento da doença definitiva, com uma elevada taxa de sucesso e resultados imediatos. Por exemplo, no caso da hiperhidrose axilar os doentes costumam iniciar o tratamento com injeções com toxina botulínica. Este tratamento tem um efeito temporal limitado, sendo necessário repetir periodicamente as injeções. Podem também ser feito um tratamento com micro-ondas eletromagnéticas, que tem sido considerado praticamente definitivo. Na hiperhidrose axilar o tratamento cirúrgico é geralmente reservado para os casos de falência de tratamentos prévios. O que é simpatectomia toracoscópica? Na simpatectomia toracoscópica é utilizada eletrocoagulação para cauteterização do tronco simpático. O nível anatómico a que é feita a intervenção depende da localização do problema. A cirurgia é minimamente invasiva , não necessita de uma incisão grande, é feita através de pequenos orifícios na pele. De uma forma geral, os doentes com hiperhidrose palmar (mãos) beneficiam de intervenção ao nível da terceira ou eventualmente da quarta vértebra torácica (T3 ou T4), aqueles com hiperhidrose palmo-plantar (mãos e pés) e axilar beneficiam de uma intervenção ao nível de T3 e T4. Quando a hiperhidrose é axilar isolada a intervenção será ao nível de T4. O resultado visível da simpaticectomia é uma anidrose , ou seja, ausência de suor. As zonas anteriormente afetadas e que são tratadas passam a estar secas e quentes. Em casos limitados pode ser necessário passar a usar um creme hidratante. Depois da cirurgia, a retoma das atividades de vida diária e da atividade profissionais pode ser feita após dois ou três dias, sendo apenas percetível nesta altura um desconforto ligeiro. Ocasionalmente poderá ocorrer hiperhidrose compensatória, resultante da alteração da atividade simpática induzida pela cauteterização do tronco simpático. As taxas de sucesso da simpatectomia toracoscópica são elevadas: Hiperhidrose palmar 96%-100% e a taxa de recidiva é residual; Hiperhidrose axilar 63%-100%; Hiperhidrose craniofacial 87%-100%. A elevada taxa de sucesso da simpatectomia toracoscópica traduz-se numa considerável melhoria da qualidade de vida dos doentes e numa taxa de satisfação que ronda 90% aos 5 anos depois da cirurgia. Conheça a equipa de cirurgia vascular da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.