27 de fevereiro de 2019 Autor : Luís Grangeia Esta doença é, nos países ocidentais, um sério problema de saúde pública. Contribui para a maior fatia de morbilidade e mortalidade no nosso país quando associada a fatores de risco como: Diabetes; Dislipidemia; Obesidade. Quem está a ler este texto pode ser um dos alvos deste flagelo, estando incluído nos 43% da população portuguesa portadora da doença. A hipertensão arterial é, provavelmente, a causa da maior parte das consultas médicas e da prescrição de medicamentos. Preocupante é o facto de somente metade dos doentes com hipertensão saberem que sofrem da doença. Destes doentes, só metade recebe medicação; e, entre os que recebem medicação, apenas metade tem a doença controlada de forma adequada! Quais são os mitos sobre a hipertensão arterial? Existem muitos mitos à volta da hipertensão arterial. Ao contrário do que se pensa, a esmagadora maioria das pessoas não tem sintomas diretamente causados pela subida de pressão arterial. Quando recorrem a serviços de saúde, já têm as consequências ou lesões terminais associadas à hipertensão arterial , p.e.: Angina de peito; Enfarte do miocárdio; Insuficiência cardíaca; Acidente vascular cerebral (AVC); Obstrução de um grande vaso; Insuficiência renal; Lesões da retina. Os seguintes sintomas raramente estão relacionados com a hipertensão arterial e, quando tal acontece, os valores são muito altos ou existe uma subida muito brusca: Cefaleias; Hemorragias espontâneas; Tonturas; Zumbidos; Demais sintomas inespecíficos. Não espanta, assim, que a hipertensão arterial seja, na maioria dos casos, um achado acidental numa consulta de rotina. Regra geral, é diagnosticada na realização de um check-up ou aquando de exames preparatórios de uma cirurgia ou da aceitação de um seguro. Hipertensão arterial: abaixo de 12-8 é ótimo!! As recomendações para a classificação da hipertensão (guidelines ESH-ESC de 2007) contemplam valores mais exigentes e muito aquém daqueles que o senso comum admite. A nova classificação é mais exigente, estabelecendo os seguintes valores: Ótima: abaixo de 120/80 mmHg; Normal: entre 120/80 mmHg e 129/84 mmHg; Normal alta (também chamada pré-hipertensão): entre 130/85 mmHg e 139/89 mmHg. A partir de que valores se considera hipertensão arterial? Acima dos valores mencionados acima, estamos perante hipertensão arterial. Esta tem graus de gravidade crescente: Grau 1 (sistólica de 140 a 159 mmHg e diastólica de 90 a 99 mmHg); Grau 2 (sistólica de 160 a 179 mmHg e diastólica de 100 a 109 mmHg); Grau 3 (sistólica superior a 180 mmHg e diastólica superior a 110 mmHg). Existe ainda a hipertensão arterial sistólica isolada, que afeta especialmente as pessoas mais idosas. Define-se com valores de sistólica superiores a 140 mmHg e diastólica inferior a 90 mmHg. Esta divisão pode ser um preciosismo, mas o facto de alguém ter pressão arterial normal alta aumenta o risco de doenças cardiovasculares para o dobro, quando o comparamos com o doente com tensão ótima! Quais as causas da hipertensão arterial? Mais de 90% dos doentes têm hipertensão arterial primária, essencial ou sem causa detetável. Esta é, em regra, multifatorial. Só cerca de 8% dos doentes têm causas identificáveis para a sua hipertensão arterial e potencialmente tratáveis, nomeadamente: Casos de doenças endócrino-metabólicas (hiperaldosteronismo, feocromocitoma, síndrome de Cushing, entre outros); Doenças renais e renovasculares; Coartação da aorta; Medicação (caso de anticonceptivos orais); Síndrome de apneia do sono. Convém destacar que o coração, rim, sistema nervoso central, olhos e demais órgãos, são mais vezes a vítima do que a causa da hipertensão arterial. Como causas para a doença identificam-se fatores não modificáveis: Sexo; Idade; Raça. São aceites como fatores etiológicos: Consumo excessivo de sal; Dislipidemia; Obesidade; Tabagismo; Sedentarismo; Excesso de álcool. O estado de ansiedade pode contribuir para a subida de tensão, mas por si só não poderá ser responsabilizado. Como tratar a hipertensão arterial até ficar normalizada? A abordagem diagnóstica e terapêutica não deve ser intempestiva e precipitada mas assertiva, já que as urgências hipertensivas e a hipertensão maligna são pouco frequentes. O doente em estudo deverá ser submetido a exames complementares, por etapas, que estratificarão a doença. A hipertensão arterial é uma doença para se ir tratando até atingir a normalidade. Importa realçar que é uma doença para o resto da vida e que, ao longo do tempo, necessita de ajustamento da terapêutica, que compreende: Medidas farmacológicas; Medidas não-farmacológicas (tão ou mais importantes que os medicamentos). A mudança dos hábitos e estilo de vida são indispensáveis. A medicação cabe aos médicos fazê-la, recorrendo a vários fármacos de diferentes grupos, os quais, na maioria dos casos, têm de ser combinados. Se é hipertenso, procure o seu médico de família ou especialista de medicina interna. Só casos mais rebeldes, complexos ou especiais, necessitam de recorrer a outros especialistas. Conheça a equipa de medicina interna da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.