18 de março de 2019 Autor : Carlos Fernandes O que é o hipogonadismo? O hipogonadismo masculino é a diminuição de uma ou das duas funções principais dos testículos: Produção de testosterona, que é a principal hormona sexual masculina; Produção de espermatozoides. O hipogonadismo primário deve se a lesões dos testículos. O hipogonadismo secundário resulta de doenças que envolvem o hipotálamo ou hipófise, órgãos que fazem parte do sistema endócrino e do sistema nervoso e que controlam a produção de testosterona e espermatozoides pelos testículos Causas de hipogonadismo Tanto o hipogonadismo primário como o hipogonadismo secundário podem ter causas congénitas (presentes ao nascimento) ou adquiridas. Entre as causas congénitas de hipogonadismo primário estão, por exemplo: Síndrome de Klinefelter (a mais comum) e outras alterações cromossómicas; Alterações de recetores hormonais e alterações na síntese da testosterona; Criptorquidismo ou testículos retidos na cavidade abdominal ou no canal inguinal, que pode ser uni ou bilateral; Anorquia ou ausência de testículos. Entre as causas adquiridas de hipogonadismo primário contam-se, por exemplo: Infeções (como a orquite no sarampo), torção e traumatismos testiculares; Efeitos de radiação, de alguns tratamentos de quimioterapia, e de outras toxinas e compostos; Uso indevido de esteroides androgénicos anabolizantes; Orquiectomia; Algumas doenças crónicas. Da mesma forma, o hipogonadismo secundário pode resultar de doenças congénitas (por exemplo, a síndrome de Kallmann) ou adquiridas , como adenomas da hipófise ou tumores do hipotálamo. Sintomas e diagnóstico Os sinas e sintomas relacionados com a diminuição da testosterona dependem da idade de início da doença , sendo diferente se o início acontece: No período fetal; Antes da puberdade; Depois da puberdade. Quando o hipogonadismo surge após a puberdade ou na idade adulta , os principais sintomas de défice de testosterona são: Diminuição do desejo sexual; Disfunção erétil; Redução da força e massa muscular; Redução da pilosidade corporal; Aumento da massa gorda/adiposidade; Aumento da glândula mamária (ginecomastia); Diminuição do cálcio ósseo; Fadiga, cansaço e alterações do humor. Por outro lado, a diminuição dos níveis de testosterona está associada também a outras doenças como a obesidade, diabetes, síndrome metabólica e osteoporose. Estudos recentes relacionam os baixos níveis de testosterona com o aumento da incidência de eventos cardiovasculares. Quando o hipogonadismo afeta a produção de espermatozoides, pode haver queixas de infertilidade . O diagnóstico de hipogonadism o baseia-se: História do doente, exame clínico e avaliação dos sinais e sintomas atribuíveis a baixa de testosterona; Análises laboratoriais, incluindo determinação dos níveis de testosterona e de hormonas que controlam a função testicular, como a as hormonas luteotrófica (LH) e folículo-estimulante (FSH) e, eventualmente, a realização de um espermograma. Tendo em conta as inúmeras causas possíveis de hipogonadismo, muitas vezes podem ser necessários outros exames auxiliares para chegar a um diagnóstico definitivo, como exames genéticos e de imagem. Tratamento do hipogonadismo O objetivo principal do tratamento do hipogonadismo é reverter a sua causa . Em muitos casos, pode estar indicada terapêutica com testosterona . Este tratamento, com doses adequadas e vigilância clínica regular, é uma terapêutica segura e tem um papel importante em muitos casos de hipogonadismo. Nos casos em que está indicada terapêutica de substituição com testosterona, esta pode ser administrada de diversas formas. Há, por exemplo, formulações injetáveis, em gel e transdérmicas (adesivos). Durante estes tratamentos é indispensável fazer uma monitorização próxima e regular dos níveis de testosterona no sangue e de possíveis efeitos secundários que necessitem de ajustamentos das doses. Vários estudos têm revelado que doentes com hipogonadismo tratados com testosterona apresentam uma melhoria do desejo sexual, função erétil, humor e bem-estar geral. Conheça a equipa de endocrinologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.