20 de maio de 2022 Autora : Susana Coutinho A correção cirúrgica do prolapso de órgãos pélvicos por via vaginal pode incluir no mesmo tempo operatório várias intervenções que interferem com órgãos ou ligamentos pélvicos, nomeadamente uma histerectomia (remoção do útero) . Em média, a recuperação é de 4-6 semanas, mas depende das intervenções realizadas e de particularidades individuais. Cuidados no pós-operatório Os cuidados imediatos são, mais frequentemente, os seguintes: É mantida algaliação nas primeiras horas , para assegurar e controlar a drenagem de urina; É colocada uma compressa na vagina , para fazer de tampão e prevenir uma hemorragia junto à cicatriz. Quer o cateter na bexiga quer a compressa vaginal são geralmente retirados nas primeiras 24 horas. O primeiro levante depois da cirurgia é feito de acordo com a indicação que o médico dá à equipa de enfermagem, e deve ser sempre feito estando acompanhada . O início da ingestão de líquidos e sólidos depende principalmente do tipo de anestesia. É habitual iniciar os líquidos após 3 horas e a dieta geral ser introduzida até às 24 horas de pós-operatório. Podem ser pedidas análises de controlo, nomeadamente para avaliar com maior precisão as perdas de sangue na cirurgia ou o risco de infeção. A duração média do internamento varia entre 1-3 dias . Por exemplo, será na maioria dos casos de 1 dia no caso de correção da incontinência urinária de esforço isolada, e de 2-3 dias se for realizada uma histerectomia. Dor e desconforto depois da cirurgia A cirurgia por via vaginal, apesar de permitir aceder às estruturas de uma forma mais direta, pode provocar incómodo ou dor no abdómen inferior, na região da bacia ou mesmo nas coxas. Este desconforto é mais habitual nas primeiras 24-48 horas após a intervenção e vai melhorando progressivamente. No internamento é dada medicação analgésica em intervalos regulares para controlar e prevenir que a dor ou o desconforto que incomodem ou limitem a mobilidade. Também nos primeiros dias depois da cirurgia pode haver algum desconforto ao urinar e/ou evacuar , que é transitório. Na altura da alta hospitalar o seu médico dará indicação da medicação a realizar. Medidas de controlo de infeção Nesta cirurgia por via vaginal é feita prevenção de infeção com antibiótico antes de iniciar a cirurgia , podendo ser repetida nas primeiras 24 horas no caso de cirurgias prolongadas. Na maioria dos casos de cirurgia via vaginal não serão necessárias desinfeções genitais durante o internamento. Para prevenir as infeções urinárias, promove-se a retirada da algália o mais cedo possível e aconselha-se uma boa ingestão de líquidos. Prevenção da trombose venosa profunda Após uma cirurgia há um aumento global do risco de trombose venosa, por formação de coágulos nas veias das pernas, abdómen ou pulmões. Para a prevenir são usadas meias de contenção elástica , que serão colocadas antes da cirurgia, e usadas durante o internamento. Também são usados medicamentos anticoagulantes , cuja indicação e protocolo de administração varia com o risco individual e intervenções efetuadas. Após a alta, pode ser aconselhável manter o uso de meias de contenção elástica até duas semanas após a cirurgia. Recuperação da função urinária Após uma cirurgia vaginal é frequente demorar mais tempo do que o habitual para esvaziar a bexiga . Em cerca de 5%-10% dos casos pode haver um esvaziamento incompleto, ou seja, não se conseguir eliminar toda a quantidade de urina contida na bexiga. Quando a quantidade que se urina é menos de metade do conteúdo da bexiga pode ser necessário voltar a colocar uma algália até que se consiga urinar eficazmente. Este tipo de reação resolve-se espontaneamente nas primeiras duas semanas após a operação. Recuperação da função intestinal A obstipação ou ‘prisão de ventre” é um problema comum após a cirurgia e está relacionada com a operação, a anestesia, os medicamentos analgésicos e a imobilização na cama. A ingestão de alimentos ricos em fibras , de fruta e uma boa ingestão de água e outros líquidos, é fundamental para ajudar a restabelecer o trânsito intestinal e obter fezes de consistência mole. A deambulação precoce também é importante para promover o funcionamento intestinal normal. Por vezes são recomendados laxantes para evitar os esforços defecatórios. Estes esforços para evacuar não são aconselháveis nas pessoas sujeitas a intervenções por prolapso genital. Corrimento vaginal Logo após a cirurgia poder estar presente uma secreção vaginal , por vezes sanguinolenta ou acastanhada, que se pode manter até 4-6 semanas depois da cirurgia e ser intermitente. Deve-se aos pontos na vagina, que serão reabsorvidos naquele prazo de tempo. Quando é notado um aumento do corrimento, odor desagradável ou perda mais líquida e anormal, deve ser contactado o médico assistente. Alimentação durante a recuperação Depois da alta, deve ser mantida uma dieta variada e equilibrada , incluindo alimentos e líquidos que promovam um bom funcionamento urinário e intestinal. Alimentos ricos em fibras como cereais e frutas como ameixas e kiwi são bons exemplos, bem como beber pelo menos 1,5 litros de líquidos por dia. O que evitar e o que fazer depois da cirurgia Durante 6 semanas depois da cirurgia : Evite compromissos de trabalho ou pessoais exigentes. Evite esforços físicos como carregar pesos superiores a 5 kg, não pegar crianças de colo ou carregar compras. Evite praticar desportos, natação ou exercício físico de impacto como corrida ou musculação. Não tenha relações sexuais, pois estas põem em risco a boa evolução da cicatrização. Desaconselha-se o tabaco, pois atrasa a cicatrização e aumenta o risco de infeção. Evite banhos de imersão e piscinas, pois podem favorecer infeção das suturas. Evite a obstipação, assegurando uma ingestão alimentar e de líquidos adaptada. Esvazie a bexiga regularmente, 6-8 vezes por dia, para não promover retenção urinária. É normal sentir-se cansada após a cirurgia. Por isso, deve guardar tempo para descansar ao longo do dia. No entanto, movimentar-se após a cirurgia é muito importante , nomeadamente para prevenir a formação de coágulos nas veias e as consequentes tromboses. Assim: Evite estar muito tempo sentada sem se mexer, mas não fique de pé mais de duas horas seguidas sem se sentar. Tarefas domésticas e caminhadas leves perto de casa são boas atividades físicas durante este período. De acordo com a indicação médica, poderão ser iniciados cerca de 2 semanas depois da alta exercícios de fisioterapia do pavimento pélvico sem manipulação. Retomar as atividades habituais, incluindo o trabalho e exercício físico Cada pessoa tem um ritmo próprio de recuperação, mas esta depende fundamentalmente: Da condição física prévia; Do tipo de intervenção realizada; Da eventual ocorrência de complicações. Nas primeiras 4-6 semanas a recuperação é gradual. Passado este período, deve sentir-se apta a reiniciar as suas atividades habituais. Durante este período são agendadas uma ou mais consultas, dependendo da necessidade. Passado um mês da cirurgia, é determinado o final da convalescença e o retorno à atividade profissional e outras ocupações , sempre tendo em consideração o tipo de atividade profissional em termos de esforço físico, horário de trabalho e forma de deslocação diária. Reiniciar a atividade sexual Globalmente devem ser evitadas as relações sexuais durante 6 semanas após a cirurgia. Na consulta agendada próximo desta data, confirme com o médico a possibilidade de as reiniciar. As primeiras tentativas de relações sexuais depois da cirurgia podem ser desconfortáveis. Aconselha-se assim um reinício lengo e o uso de um lubrificante em gel . Se o incómodo se mantiver após o segundo mês, deve informar o seu médico. Procure cuidados médicos Perante os seguintes sinais de alerta deve contactar o seu médico ou dirigir-se a um serviço de urgência hospitalar: Corrimento aumentado com eventual odor forte ou outras perdas líquidas pela vagina em quantidade superior ao habitual; Queixas urinárias como ardor ou dor ao urinar, aumento da frequência urinária ou urina de aspeto anormal; Dores no abdómen que se tornam progressivamente mais intensas; Febre, vómitos, sensação de desmaio ou mal-estar geral; Dor ou edema nas pernas, sensação de falta de ar ou dor no peito. Conheça a equipa clínica de ginecologia-obstetrícia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.