13 de maio de 2020 Autora : Betânia Ferreira A imunidade de grupo para uma doença infeto-contagiosa numa determinada população (humana ou animal) acontece quando uma parte suficientemente grande dessa população está imune (protegida) contra essa doença e contribui para que esta não se dissemine. A imunidade de grupo pode ser conseguida de duas formas. Como é conseguida a imunidade de grupo? Há duas formas de uma população ter imunidade de grupo relativamente a uma doença: Por vacinação em massa da população contra essa doença; Por imunidade natural desenvolvida por uma parte importante da população, depois de ter sido infetada. Para as doenças contra as quais existem vacinas, esta é a forma adequada e mais eficaz de atingir a imunidade de grupo. Muitas doenças graves estão hoje erradicadas ou são controladas graças aos programas de vacinação da população. Por exemplo: A imunidade de grupo através de vacinação teve um papel decisivo na erradicação da varíola na década de 70 do século passado; Os surtos de sarampo registados nos últimos anos em vários países aconteceram por baixa cobertura vacinal devida a incumprimento dos programas nacionais de vacinação (que são universais, mas não são obrigatórios). Sempre que exista uma vacina, a imunidade adquirida de forma natural, deixando que a doença se transmita livremente não deve ser uma alternativa. Várias razões fazem com que a imunidade natural não seja tão eficaz como a vacinação para conseguir um estado de imunidade de grupo, por exemplo: Para se ficar imune é necessário ficar primeiro infetado; Desenvolver a doença pode representar riscos graves para a saúde; Muitas pessoas podem não saber se foram infetadas ou se estão imunes à doença. Há também doenças infeciosas para as quais a vacinação permite obter imunidade de grupo, mas para as quais a imunidade natural não o permite, porque não são contagiosas de pessoa a pessoa. É o caso, por exemplo, do tétano. O que caracteriza a imunidade de grupo Quando numa população há imunidade de grupo para uma doença, a disseminação desta doença é limitada porque a maioria das pessoas que são expostas à infeção, seja esta por um vírus, uma bactéria, ou outro agente biológico, tem defesas que lhe permitem não ficar infetada e desenvolver a doença. Assim numa situação de imunidade de grupo : As cadeias de transmissão são interrompidas; A probabilidade de alguém não imune contactar com alguém infetado que o contagie é reduzida; Grupos mais vulneráveis, que possam não estar imunes, como bebés e crianças, idosos, grávidas e pessoas com o sistema imunitário comprometido, estão mais protegidos porque o contacto com pessoas infetadas é muito menos provável. Para cada doença, a percentagem da população que deve estar imune para que se consiga diminuir ou interromper o contágio com segurança, ou seja, para se conseguir uma situação de imunidade de grupo, chama-se limiar da imunidade de grupo. Em muitos casos o valor é da ordem de 80%-95%. Por que razão para a COVID-19 deixar que a infeção se transmitisse livremente não foi uma opção para atingir a imunidade de grupo uma vez que não existe uma vacina? No caso da COVID-19, uma doença nova, de características e consequências ainda desconhecidas, não adotar medidas de contenção e deixar que se transmitisse livremente, teria feito com que o contágio, o número de casos de doença grave com necessidade de cuidados hospitalares e a mortalidade tivessem sido muito superiores. A incapacidade de resposta dos serviços de saúde ao número de casos que ocorreriam contribuiria também para a gravidade dos casos e mortalidade associada à doença. Assim, atualmente, as melhores medidas para prevenir a ocorrência e transmissão da doença são: Para a generalidade das pessoas: manter-se o mais possível em casa, distanciamento físico, lavagem frequente das mãos, proteção individual nas situações recomendadas; Quarentena nos casos de suspeita de exposição; Isolamento de casos confirmados de doença. Presentemente a imunidade de grupo através de imunidade natural não é uma opção para controlar a COVID-19. Através de vacinação também ainda não é possível porque ainda não existe uma vacina. Doenças infeciosas e doenças contagiosas Doenças infeciosas têm como causa agentes biológicos, por exemplo, vírus, bactérias, fungos, entre outros. Doenças contagiosas são doenças em que há contágio de pessoa a pessoa, seja diretamente, seja indiretamente por exemplo através de contaminação de objetos contaminados. Todas as doenças contagiosas são infeciosas, mas nem todas as doenças infeciosas são contagiosas. Conheça a equipa de medicina interna da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.