9 de junho de 2021 Autora : Manuela Costa Incontinência urinária de esforço é a perda involuntária de urina em situações ou atividades em que haja um aumento da pressão intra-abdominal , tal como acontece, por exemplo, com: Rir Tossir ou espirrar; Correr, saltar e outras formas de atividade e exercício físico; Carregar pesos. A incontinência urinária de esforço é um problema comum, afeta 10%-20% das mulheres. Muitas consideram que se trata de um problema “normal”, apesar de afetar a sua vida a vários níveis, por exemplo social, de relacionamento, de limitação de atividade física; Desconhecem a existência de tratamentos simples e eficazes. Causas de incontinência urinária de esforço A uretra e a bexiga são sustentadas pelos músculos do pavimento pélvico. Em circunstâncias normais, quando aumenta a pressão intra-abdominal, a contração dos músculos do pavimento pélvico reforça o apoio à bexiga e uretra e impede a saída de urina. A disfunção dos músculos do pavimento pélvico e flacidez dos tecidos de suporte são as causas das perdas urinárias involuntárias na incontinência urinária de esforço e devem-se principalmente a: Gravidez e parto vaginal; Obesidade; Tosse crónica; Esforços repetidos; Obstipação; Causas genéticas associadas a maior flacidez dos tecidos. Alterações do esfíncter uretral também podem ser causa de incontinência de esforço. Diagnóstico Perante queixas de perdas involuntárias de urina, é necessário recorrer a cuidados médicos para que seja feito um diagnóstico correto e, assim, escolhida a melhor opção de tratamento . O diagnóstico é feito em consulta, de ginecologia ou de urologia , e tem em conta: História das perdas de urina e circunstâncias em que ocorrem É muito importante um relato pormenorizando, não omitindo qualquer pormenor; Em muitas mulheres há simultaneamente incontinência urinária de esforço e incontinência urinária de urgência e, por vezes, incontinência para gases ou fezes. Observação clínica para avaliar essas perdas e verificar se existem prolapsos associados Nesta observação pode ser pedido que se tussa com a bexiga cheia, mas ainda confortável. Para determinar o tratamento mais adequado , pode ainda ser necessário fazer: Um diário das micções, ou seja, um registo das horas em que se urina e volume de urina e das perdas involuntárias de urina, seja durante o dia, seja durante a noite; Ecografia vesical, para avaliar a estrutura da bexiga e determinar a quantidade de urina que permanece na bexiga depois de urinar (volume residual); Estudo urodinâmico, que avalia a fisiologia da micção, ou seja, como é que a bexiga, o esfíncter uretral e a uretra retêm e libertam a urina; Urocultura, para descartar a possibilidade de uma infeção. Tratamento As opções terapêuticas disponíveis para a incontinência urinária de esforço podem ser agrupadas em dois tipos; Tratamento conservador; Tratamento cirúrgico. Tratamento conservador da incontinência urinária de esforço Neste grupo incluem-se: Alterações do estilo de vida , por exemplo deixar de fumar, alterações alimentares e prática de exercício físico para perder peso e evitar a obstipação; Fisioterapia do pavimento pélvico . Se se tratar de uma incontinência ligeira pode haver melhoria significativa dos sintomas, especialmente quando os exercícios continuam a ser feitos regularmente e durante períodos prolongados, pelo menos 3-6 meses. Cirurgia de incontinência urinária de esforço O tratamento cirúrgico pretende que se obtenha um melhor suporte da uretra e/ou um encerramento mais eficaz do esfíncter uretral . Dependendo da causa de incontinência – hipermobilidade da uretra ou incompetência do esfíncter – há duas intervenções possíveis: Colocação de uma rede ou prótese suburetral (TVT) que proporciona um suporte da uretra impedindo a sua mobilidade excessiva e, consequentemente, as perdas de urina com os esforços; Injeção de colagénio na zona do esfíncter uretral, permitindo o seu encerramento completo. Fontes International Urogynecologial Association . Informação para doentes para download Conheça a equipa de ginecologia da rede Hospital da Luz. Os conteúdos publicados no Guia de Saúde destinam-se ao público em geral e têm apenas finalidade informativa e educativa. Não substituem a avaliação, diagnóstico ou aconselhamento clínico individual por um profissional de saúde. São produzidos ou revistos por médicos e outros profissionais do Hospital da Luz e baseiam-se no conhecimento disponível à data da sua publicação ou última atualização, indicada no início de cada conteúdo.